sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Adeus

Com grande pena minha, este será, provavelmente, o ultimo post a ser escrito por mim. Pelo menos nos próximos tempos.

Não que não goste, mas porque a experiencia não foi grande coisa.

É uma exposição grande de mais. E tem um poder que eu não consigo medir.

A minha maneira de ser não dá para estas andanças. A coisa ficou exposta de mais.

Desta forma e para bem de todos, aqui vou eu escrever de novo nos meus diários em papel. Assim não têm sequer de dar de caras com coisas estúpidas (minhas, muito minhas), e mal escritas.

Apesar de não serem de info-incluídos são certamente meus e só meus, como sempre foram e deverão tornar a sê-lo.

Gostei da experiencia quanto mais não seja para poder dizer que: Gostei mas não me fez bem.

Um bem-haja a todos os que leram e talvez um dia nos voltemos a encontrar outra vez. ~

Quem sabe no vosso blogue…

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Voltei


Up's afinal voltei outra vez, e com palavras que não são minhas outra vez.

Mas é tão bonito, que partilhar nunca é demais.

“Ao Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,

não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.”



Carlos Drummond de Andrade

Olhei para tras e apanhei um susto


Bem! … Comecei a ver as “mensagens” que tinha para trás e apanhei um susto.

1º Tantas coisas escritas pelos outros e nada escrito por mim.

Não era esta a intenção.

Bem sei que, nunca fui dada a estas andanças, de qualquer forma era bom começar a desemburrar, e escrever qualquer coisita para começar a pôr novamente as ideias em ordem.

É bastante mais fácil identificar os nossos sentires nos dizeres dos outros se bem que não deixa a cabeça sair muito dos limites dos pensamentos alheios. Está mal! Mal, porque embora me possa identificar com essas ideias não são totalmente as minhas. Nem na forma nem na ordem. Difícil de perceber? Para mim também.

2º Cadê aquela chama?

Onde está a força dos meses anteriores? Onde esta aquela vontade de reaprender a viver e de dar importância ao que é importante?

Hha! Parece que houve aqui uma paragem. Breve. Muito breve. Tão breve que já passou.

Porque sonho em ter umas mãos que me levem para onde eu quero ir, e ponho nessas mãos toda a minha esperança de vida? E quando isso não acontece. Morro por todos os lados.

É isso mesmo, quando se arranja um par de muletas, andar por momentos parece mais fácil. Mas logo de seguida aparecem as bolhas nas mãos e compreende-se que nada como andar pelos nossos próprios pés, pensar com a nossa própria cabeça e agir com a nossa própria consciência. É ser. É existir. É mais Verdadeiro. É difícil, mas compensa.

O ser humano é de facto muito bem pensado e acabado. As forças aparecem quando têm de aparecer, as lágrimas secam quando têm de secar, os punhos erguem-se, arregaçados e de mãos cerradas quando assim tem de ser.

As cicatrizes, essas ficam. Marcam a nossa existência e a nossa vivência. E são elas que nos dão a medida da intensidade vivida.

E fico por aqui.

Um passo sozinha, uma etapa cumprida, uma alegria vivida, um sorriso nos lábios e a certeza de que, como este vai haver muitos.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Fera Ferida

Quando pensamos e não dizemos, quando queremos dizer e não podemos, quando temos de ser quem não somos, quando temos de mostrar coisas que não pensamos. Quando o coração quer desabafar e a razão esconde, quando os olhos querem chorar e os lábios têm de sorrir, quando as pernas querem andar e os pés não se movem. Quando temos medo de mostrar o que sentimos e não damos o que somos, quando não queremos magoar e deixamos que nos magoem, quando não nos resta solução se não fingir e continuar a viver …

É tão fácil ser-se e tão difícil ter de viver o que não se é.

Fera Ferida

“Acabei com tudo, escapei com vida, tive as roupas e os sonhos rasgados na minha saída.
Mas saí ferido, sufocando o meu gemido, fui o alvo perfeito, muitas vezes no peito atingido.
Animal arisco, domesticado esquece o risco, me deixei enganar e até me levar por você.
Eu sei quanta tristeza eu tive, mas mesmo assim se vive, morrendo aos poucos.
Eu sei, o coração perdoa, mas não esquece à toa, e eu não me esqueci.
Eu andei demais, não olhei para trás, era solta em meus passos, bicho livre sem rumo sem laços.
Me senti sozinha, tropeçando em meu caminho, à procura de abrigo, uma ajuda, um lugar, um amigo.
Animal ferido, por instinto decidido, os meus rastros desfiz, tentativa infeliz de esquecer.
Eu sei que flores existiram, mas que não resistiram à vendavais constantes.
Eu sei, que as cicatrizes falam, mas as palavras calam, o que eu não me esqueci.
Não vou mudar, esse caso não tem solução, sou fera ferida, no corpo na alma e no coração.”


Composição: Roberto Carlos e Erasmos Carlos/cantada por: Maria Bethânia

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Viagens

Quantas viagens começamos e quantas não acabamos. Quantas nem sequer começam e quantas gostaríamos de continuar.

“Viagem

Já vai alta a noite, vejo o negro do céu,
deitado na areia, o teu corpo e o meu.
Viajo com as mãos por entre as montanhas e os rios,
e sinto nos meus lábios os teus doces e frios.
E voas sobre o mar, com as asas que eu te dou,
e dizes-me a cantar: "É assim que eu sou",
olhar para ti e ver o que eu vejo,
olhar-te nos olhos com olhares de desejo,
eu não tenho nada mais p'ra te dar,
esta vida são dois dias,
e um é para acordar,
das histórias de encantar.
Viagens que se perdem no tempo,
viagens sem princípio nem fim,
beijos entregues ao vento,
e amor em mares de cetim.
Gestos que riscam o ar,
e olhares que trazem solidão,
pedras e praias e o céu a bailar,
e os corpos que fogem do chão.”

Pedro Abrunhosa/Viagem

http://br.youtube.com/watch?v=aNqtaKVFi3o

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Memória


Não resisto. É mais forte do que eu.

E viva a falta de inspiração.

Enquanto ela não vem vou lendo e procurando coisas que me digam aquilo que eu gosto ou quero ouvir.


"Memória

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão

Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.”

É preciso acreditar

As pessoas mudam a toda a hora, os pensamentos e as atitudes também. Inevitavelmente há coisas e pessoas que nos desiludem e outras que nos preenchem, as que nos fazem sofrer e as que nos fazem vibrar, as que nos começam por fazer bem e as que começam a fazer mal.

Nunca se chega a saber o porquê de algumas coisas. Mas também já aprendi a não aprofundar, sob pena de ver aquilo que não quero ou sentir o que não gosto.

Há coisas pelas quais vale a pena lutar e há aquelas que nem pensar. Vale a pena lutar por tudo o que nos faz crescer, nos faz sentir maiores. Não vale pensar no que nos diminui e nos faz sentir pequenos.

Há duas sensações na vida que não são fáceis de experimentar: perder (não ganhar) e dar sem receber. A primeira obvia, a segunda porque anula a nossa própria existência.

E quando a descrença é grande, é bom encontrar a experiencia de alguém que viveu e sofreu e que chegou a conclusão que chegou.

É bom ter alguém em quem acreditar ou ter uma luz para seguir .

A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.”

domingo, 2 de dezembro de 2007

Trocando Olhares


Sempre gostei de poesia e sempre gostei de a estudar e cheguei sempre à conclusão de que não a consigo alcançar.

"Trocando Olhares

Andas dum lado pro outro
Pela rua passeando;
Finges que não queres ver
Mas sempre me vais olhando.

É um olhar fugidio,
Olhar que dura um instante,
Mas deixa um rasto de estrelas
O doce olhar saltitante…

É esse rasto bendito
Que atraiçoa o teu olhar,
Pois é tão leve e fugaz
Que eu nem o sinto passar!

Quem tem uns olhos assim
E quer fingir o desdém,
Não pode nem um instante
Olhar os olhos d’alguém…

Por isso vai caminhando…
E se queres a muita gente
Demonstrar que me desprezas
Olha os meus olhos de frente!…"

"Conselho de um Velho Apaixonado"


Quando encontrar alguém e esse alguém fizer
seu coração parar de funcionar por alguns segundos,
preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.

Se os olhares se cruzarem e, neste momento,
houver o mesmo brilho intenso entre eles,
fique alerta: pode ser a pessoa que você está
esperando desde o dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo
for apaixonante, e os olhos se encherem
d'água neste momento, perceba:
existe algo mágico entre vocês.

Se o 1º e o último pensamento do seu dia
for essa pessoa, se a vontade de ficar
juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Algo do céu te mandou um presente divino : O AMOR.

Se um dia tiverem que pedir perdão um
ao outro por algum motivo e, em troca,
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos
e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa
sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que
coisa maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.

Se você conseguir, em pensamento, sentir
o cheiro da pessoa como
se ela estivesse ali do seu lado...

Se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que está marcado para a noite...

Se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção
que vai continuar sendo louco por ela...

Se você preferir fechar os olhos, antes de ver
a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes
na vida poucas amam ou encontram um amor verdadeiro.

Às vezes encontram e, por não prestarem atenção
nesses sinais, deixam o amor passar,
sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso, preste atenção nos sinais.
Não deixe que as loucuras do dia-a-dia o deixem
cego para a melhor coisa da vida: o AMOR !!!"


quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Coisas Infinitas



"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana.
Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta".


Autor: Albert Einstein

O Tempo que for Necessário


“Olhe apenas, não interprete”

(Pregaminho Editora - “A Prática do Poder do Agora” de Eckhart Tolle)
Tantas horas a pensar e matraquear sobre um assunto e depois, assim de repente, lê-se num livro a frase que se está à procura há tanto tempo. Quase uma vida.

“Olhe apenas, não interprete”. Este é o remédio para quase todos os nossos problemas. Aqueles que moemos na nossa cabeça horas, dias e até mesmo anos, tentando dar explicações para o que não é explicável. Pois cá está.

Esta nossa tendência para traçar vários cenários de pequenos acontecimentos criando um, ou mesmo vários story bords, acrescentando até imagens e sons, quem sabe até mesmo cheiros… para que ainda soe mais real, já é muito mau. E pior ainda é, quando acrescentamos o dramatismo do real e começamos a ter comportamentos de acordo com os cenários traçados.
Pois aqui começam os nossos problemas reais.
Que granel!
Como fugir desta embrulhada?
Cá vão os meus filmes:
Um deles, é sem dúvida, tentar ler o livro e fazer muita “força” para conseguir chegar a esse poder tão singelo.
Outro…
Bem, ainda não tracei o meu story bord sobre a resolução deste problema. Ainda estou muito atrás.
Ainda estou no filme arranjar sarna para me coçar. Até porque o livro, não é fácil de ler.
Leio e volto atrás, torno a ler e a reler e a tentar perceber e sentir o que ele me diz. Mas não é fácil. Porque a resolução parece simples de mais, tão simples que não se consegue acreditar assim, sem mais nem menos.
Ás vezes ate se entende e quando isto acontece, é um passo que se dá. Só que no momento seguinte já se está a fazer o contrário do que se pretende. Uma verdadeira luta interior.
Querer ser feliz, ter um caminho mesmo à frente e não conseguir.
Bem, o que nos vale é que há um ditado que nos diz:

“Água mole em pedra dura tanto dá até que fura”

Bora à luta.

“Não conseguir parar de pensar é uma coisa terrível.”…
… “A mente é um instrumento fantástico, se for usada correctamente. Mas se não for, torna-se altamente destrutiva.”…

(Pregaminho Editora - “A Prática do Poder do Agora” de Eckhart Tolle)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Tantos Medos


Tantos espaços vazios, tantos momentos mortos, tantos lugares sem nada, tantas palavras ocas, tantos gestos falsos, tantos passos incertos, tanta falta de sinceridade, tantos jogos desnecessários, tantas palavras por dizer, tantas horas desperdiçadas, tantos minutos deixados à solta.

Como é possível, que com uma vida tão curta nós, cambada de imbecis, nos deixemos ficar sentados a ver a vida passar e nada fazer para a agarrar e parar.

Só com ela parada a conseguimos sentir. Só com ela parada a conseguimos ver, ouvir e adorar.

Fez-me sempre confusão porque temos nós, os humanos, a capacidade de nos magoar, de ocultar de nós próprios tantas coisas que escondidas nos fazem doer.

Porque não falamos, porque não gritamos tudo o que nos vai na alma.

Porque temos nós de manter as aparências e fingir coisas que não somos nem queremos ser.

Porque fazemos o que não temos vontade, dizemos o contrário do que pretendemos, afastamos quem queremos ver perto.

Porque nos sentimos inseguros, porque mentimos em relação aos nossos sentimentos, porque não os deixamos correr ao sabor do vento, porque temos medo de ser ridículos, porque temos “vergonha” de nós próprios, porque não nos mostramos, não nos damos, não nos abrimos ao mundo.

Tantos medos.

Quando nos desvendamos ficamos vulneráveis e ao mais pequeno vislumbre de ameaça accionamos o escudo de protecção que nos afasta da vida, das pessoas, do mundo, de nós.

Mas nem por um minuto nos passa pela cabeça o que podemos ganhar sendo o que somos, fazendo o que queremos, lutando pelo que desejamos.

Porque nos custa dizer às pessoas que gostamos - gosto de ti, preciso de ti, quero te dar, quero-te sentir, aproxima-te de mim, e porque não – Quero-te!

Porque nos custa acreditar nas pessoas que gostamos, quando elas nos dizem – gosto de ti, preciso de ti, quero te dar, quero-te fazer sentir tudo o que tu queres sentir e porque não – Eu também te quero.

Porque nos custa ouvir um não. Um não sem maldade, sem desdenhar, sem ironia, sem querer mal.

Porque nos sentimos mal em gostar sem que gostem de nós, em desejar sem que nos desejem .

Porque não gostamos de dar sem receber, de estender a mão e não ser agarrado.

Porque não há essa naturalidade perante o amor. Tem mal amar e não ser amado?

Pode-se ficar sem uma porção da nossa alma, mas não se é menos gente.

Pode-se ficar triste, mas continuamos a ser nós.

Então o que nos impede de avançar?

Medos. Tantos medos.

Que saudades dos medos aconchegados de criança. De dizer, tenho medo e de ecoar quase em simultâneo - Não tenhas, estou aqui.

Que saudades daquela protecção dourada, de escutar - Gosto de ti - e conseguir acreditar. De sentir aqueles grandes olhos protectores tocarem nos meus e ouvir – vai em frente se caíres eu estendo-te a mão e, não te esqueças eu gosto de ti assim.

Porque temos de crescer. Quanto custa crescer. Quanto custa mostrar uma segurança que não existe, uma dureza que não se tem, uma firmeza enganadora. Começa a chegar a nossa vez de dizer - Não tenhas medo eu estou aqui!

Estarei eu preparada?

Preparada para esconder os meus medos para conseguir atenuar os medos dos outros?

Para que estes outros possam crescer acreditando neles próprios.
Para que ganhem segurança e desta forma possam ajudar os que vêm a seguir e assim sucessivamente.

Crescer é assim.

Estarei eu a crescer?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ninguém está a pensar em ti - II


"Ninguém está a pensar em ti. Eles estão a pensar em si próprios, tal como tu"

(in “A imaginação hiperactiva de Olívia Joules , Helen Fielding)

Hoje li de novo a frase mas de repente soou diferente, vi-a com outro olhar: Eu penso em ti.

Penso naquilo que me deste e no que te poderia ter dado, no que significas para mim e no que eu terei sido para ti. No que és e no que me fizeste ser.

Penso nos momentos que me proporcionaste e nos sonhos que construi.

Afinal consigo pensar no pouco que sou e no tanto que tive. No que ganhei ao te ouvir, no que senti quando me deste a mão. No que perco quando não estás aqui.

Sou só humana. Penso em ti em mim.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Ninguém está a pensar em ti

"Ninguém está a pensar em ti. Eles estão a pensar em si próprios, tal como tu”

(in “A imaginação hiperactiva de Olívia Joules , Helen Fielding)

É simples, honesta, sincera e fácil de compreender.
Estive bastante tempo a olhar para ela para ver se conseguia expor o que me fez sentir.
Fiquei como que atrapalhada, envergonhada, tive automaticamente uma imensa vontade de me explicar, de me justificar perante tanta franqueza.
Desarmou-me, faz-me pensar que raio de pessoa sou que só consigo pensar em mim e nos meus comportamentos. No que sinto, no que sou, no que quero, no que preciso, no que …
Fui apanhada…

Cair e Levantar de Novo


“A chave do sucesso é sabermos levantar-nos depois de cairmos”

(in “A imaginação hiperactiva de Olívia Joules , Helen Fielding)

Ora vamos lá a ver. Quando retemos uma frase que lemos, mais do que outras é porque ela nos diz qualquer coisa ou nos mostra outras tantas.

Quando li esta frase ela disse-me de facto tantas coisas.

Disse-me principalmente que caí. Caí redonda. Fiquei mesmo esparramada.
Caí, logo tenho de me levantar.

Disse-me também, que cair é sinal que já estivemos de pé e que sabemos lá estar, assim podemos-nos por de pé novamente.

Disse-me ainda que é importante cair, porque se aprende, quanto mais não seja a levantar outra vez. E de cada vez que nos levantamos o fazemos com mais força.

Disse-me que, viver é estar sempre a cair e a levantar ou a levantar e a cair, como se preferir.

Disse-me que, se esta frase existe é porque isto acontece a toda a gente e não só a mim (parece que me sinto bem melhor de não ser a única!).

Disse-me por fim que quando estiver levantada vou olhar para trás e vou adorar e até rir de tudo o que se passou e de como se passou. E se voltar a cair da mesma forma só demonstra que cair é bom e, levantar de novo é ainda melhor.

Não gosto de sentir o que estou a sentir, mas parece-me que percebi que é importante e que faz parte do meu crescimento. Fiquei triste, sim. É normal. Mas passa. Passa como tudo o que é bom e tudo o que é mau, como tudo que se gosta e o que não se gosta. Passa como a alegria também passa.

TUDO PASSA.


domingo, 18 de novembro de 2007

Serpa II



Cheguei

Cheguei ao meu recanto encantado. Cheguei outra vez ao meu mundo mágico.

Um mundo onde tudo é possível.

Um mundo onde fecho os olhos e vejo o quero ver, sinto o que quero sentir, tenho o que quero ter.

Um mundo que pára para eu viver.

Os pássaros cantam só para mim, o sol nasce e põe-se para me fazer feliz, as estrelas brilham para me encantar, as folhas da buganvília cor-de-rosa dançam para me acompanhar, os cães ladram para me cumprimentar, o vento sopra devagar para não me incomodar.
A lareira acesa aquece-me e aconchega-me, a lenha a crepitar embala-me, as chamas a bailar encantam-me. Esta casa foi construída com dois grandes braços só para me abraçar e para me fazer feliz.

Aqui sinto a vida à minha volta. Sinto a natureza de olhos postos em mim. Sinto-me segura.

Aqui tenho as minhas recordações de menina, as minhas recordações de adolescente.

Aqui tenho lembranças de uma vida feliz, cheia de sonhos para realizar.

Aqui estão vivencias alegres, minhas e de tantos outros que por cá passaram e que deixaram os seus testemunhos gravados nestas paredes.

Aqui quando se respira fundo, o ar entra e renova a alma.

sábado, 17 de novembro de 2007

Surpresa


Surpresa, diz a wikipédia, é “um sentimento de reacção relativo a um acontecimento inesperado. Pode-se manifestar a partir de impulsos nervosos como manifestações químicas, libertação de adrenalina ou manifestações físicas, como o aumento do ritmo cardíaco.”

Pois não sei como é possível que eu, com esta provecta idade, ainda me surpreenda com algumas atitudes e reacções em relação a determinadas coisas que me acontecem.
Como é que ainda existem tantos “acontecimentos inesperados” que me provocam “sentimentos de reacção”!

Lá que acontece, acontece e o pior (ou melhor) é que é quase todos os dias.

Atrevo-me a dizer que são mesmo estes sentimentos provocados por “acontecimentos inesperados” que fazem com que a vida tenha muito mais graça.

Ainda vou um bocadinho mais longe no meu atrevimento dizendo mesmo, que esta capacidade de ter “manifestações químicas, como libertação de adrenalina, e manifestações físicas, como o aumento do ritmo cardíaco”, é única. E têm a belíssima característica de reaparecer após longos anos dormência.
Quando achamos que já tinha desaparecido eis que ela volta em todo o seu esplendor. Fantástico… Desta vez muito mais apreciada e muito mais “madura?”, vivida com uma intensidade diferente, de quem já não tem todo o tempo do mundo.

Bem, “até chego a ter graça”, tanto falatório mas não disse ainda que tipo de coisas me têm surpreendido .

TUDO

Tudo está diferente. A vida está diferente, as pessoas estão diferentes, a luz está diferente.
As minhas reacções despertam em mim própria uma certa admiração.
O meu umbigo ficou de repente muito mais evidente.
Tenho vindo a renascer aos poucos, sem todas aquelas dores de crescimento próprias da adolescência, sem tantas instabilidades e inseguranças provocadas pela conjuntura da vida.
É certo que existem algumas reminiscências, mas têm sido muito mais suaves e muito mais curtas.

Agora tenho outro novo desafio, o segundo na minha linha de contagem, reaprender a viver com esta realidade.

Reaprender a viver implica reavaliar uma vida. Não é fácil. E depois da reavaliação começam-se a dar os primeiros passos.

Coisas tão simples como, sair à rua e respirar fundo, passear no paredão e apreciar toda aquela imensidão, repor as relações com os amigos, aprender a estar, a ouvir, a falar, a sentir, desenterrar aqueles pequenos prazeres que nos fazem felizes (tais como ouvir musica tão alto que nos faça esquecer de que existe um mundo cão lá fora), descobrir toda a vastidão de coisas que foram aparecendo e que nunca tivemos tempo de conhecer, olhar para nós e por nós.

Tantas coisas por descobrir, por viver, por sentir.
Tantas responsabilidades, deveres, dependências.

A conciliação é dificil e por vezes atabalhoada. As escolhas nem sempre as melhores. Mas como nada é impossível, tudo se vai resolvendo.

É aqui que entra aquela grande frase que a minha amiga Tina tanto gosta de pronunciar:

A prioridade regula a vida



quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Escrever é preciso


Há os que escrevem porque gostam e os que escrevem porque precisam.

Eu pertenço ao 2º grupo. Escrevo porque preciso, porque tenho de por as ideias em ordem.

Sou tão desarrumada mentalmente que preciso de arrumar as ideias, mas para isso preciso de as visualizar - escrever, ler, reler, ordenar, acrescentar, desenvolver, retirar e finalmente de as acabar, só então podem descer à terra e serem divulgadas como qualquer coisa que É.

São estes os passos que são importantes para a formação da minha opinião e consequente desenvolvimento da minha personalidade.

Mas nem sempre é o que faço. Muitas vezes escrevo o que sinto sem olhar e sem rever, geralmente sai asneira...

Mas tudo o que escrevo é o que sinto e a partir daqui … o que sou.

Para ser Feliz


Quando se chega a determinada altura da nossa vida chegamos à conclusão de que não somos imortais. E como tal não estamos cá para sempre.
Começamos a questionar algumas coisas.
Começamos a perceber que só vale a pena viver se for para o bem, para ser feliz.
No entanto sabemos que nem tudo são rosas e que no dia-a-dia os problemas surgem para nos atormentar.
Durante algum tempo não nos apercebemos desta dualidade. Queremos ser felizes mas a conjuntura não deixa.

Até que um dia, surge o ovo de Colombo.

Para se ser feliz tem de se relevar a maior parte dos problemas . È aqui que surge o primeiro grande desafio.

Problemas, o que é isso? Nós não temos problemas, só algumas barreiras que vamos ultrapassando com alguma ginástica mental, um pequeno esforço físico e saúde qb.

A partir daqui é canja. Ser feliz, é querer ser feliz.
É apreciar o nascer do dia e conseguir perceber as diferenças que cada um deles nos trás.
É descobrir o que a luz nos mostra, sentir o que o sol nos oferece, ouvir os dizeres do mar, a brisa cantar.
É sentir com todos os sentidos, o dia a passar por nós.
É respirar o tempo e arrancar o perfume de cada momento.
É chegar à noite e pedir ao tempo, tempo para admirar as estrelas, e finalmente reunir toda a inspiração do dia para conseguir fazer uma serenata à Lua e adormecer feliz.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Coisas da Vida

As minhas pesquisas as vezes dão frutos.

Aqui vai uma coisinha simples da vida mas com muita graça.

(Aqui lancei-me a rir no chão, qual pato agarrado às patas)

Chinoguês
Isto é um restaurante chinês. Fica no Estoril. Mais um, entre tantos que há por todo o lado, mas com uma particularidade: uma faixa de publicidade, escrita numa língua estranha (chinoguês, suponho) que ocupa toda a fachada da casa, "convidando" os clientes a entrar, com uma frase que os donos acharam apelativa:
NÃO SE FAÇA EM SI COM FOME.
Pergunto-me se terão ido ao Google fazer a tradução automática chinês-português.
Nota: Dão-se alvíssaras a quem souber o que isto quer dizer.
Blog/Porta do Vento


Não resisti a fazer minhas as palavras desta senhora.
Há muito tempo que não me ria com tanta vontade e durante tanto tempo.
O facto é que vivo mesmo em frente deste bendito “claim” e apesar de já ter percebido que aquela frase não bate a bota com o perdigoto, nunca tinha conseguido ter esta maravilhosa perspectiva do assunto. Altamente divertida .
Mas melhor que este post, foram os comentários que dele surgiram.
Simplesmente maravilhoso.



Lord Broken Pottery disse...
Ana,Adorei! Quer dizer que se comer os quitudes que fazem, não me farei em mim com fome. Lindo! Podemos inaugurar essa nova forma. Você não se acha em si boa idéia?Beijão
24 de Outubro de 2007 13:50

ana vidal disse...
Lord, LOL. Faço-me em mim com essa brilhante ideia em si. E considere inaugurado o nonsense chinês! Um beijoana
24 de Outubro de 2007 13:59

JP disse...
Eu faço-me minhas próprias e pessoais as suas palavras vossas, porque também achei em mim que, em si, a publicidade estava, nela, muito engelhosa."Não se faça em si com fome", é a frase publicitária do ano, bem melhor do que o enjoativo "Worten Sempre" ou o parvalhão e, vá lá, estúpido, "Há Coisas Fantásticas Não Há?"Há.O restaurante "chinoguês" no Estoril onde não me faço ideia de ir lá comer, mesmo que me faça em mim de fome.Beijos.
24 de Outubro de 2007 19:30

ana vidal disse...
JP, gostei dessa da publicidade "engelhosa" - uma gralha que vem dar mais ideias aos chineses que se fizerem em si com fome. A próxima faixa já está na gráfica: "Não se engelhe em si com fome" Anónimo,Pelo menos uma multa devia haver, mas era preciso que quem a passasse soubesse onde estão os erros de português...
24 de Outubro de 2007 20:07

rv disse...
Engelhei-se-me só de ver isto e também não se me faço a mais mínima ideia do que se lhes passou pelas cabeças chinesas para se nos tentarem aliciar-se-nos com tamanho disparate. E aproveito-se-me para se vos dizer que se me apetecia imenso em mim chatear a Câmara de Cascais para se me descobrir quem se me foi o energúmeno que se nos aprovou esta pérola. Isto não será mais uma daquelas coisas do Portugal no seu Melhor? Estas coisas irritam-me!Rosarinho
25 de Outubro de 2007 0:26

ana vidal disse...
LOL. Não, nada disso.Nem me lembrei desse pormenor: a Câmara tem que aprovar, não é?A fotografia foi tirada por mim, porque passo por lá quase todos os dias e acho inacreditável como é que ainda ninguém fez alguma coisa. Fica na Av. do Bombeiros Voluntários, mesmo no centro do Estoril, e está à vista de toda a gente. Mas parece que todos acham normalíssimo...
25 de Outubro de 2007 1:39

Mad disse...
Já passou pelas vossas cabecinhas não-chinesas que isto se calhar é de propósito para aparecer, por exemplo aqui e noutros blogs? Será possível que daquelas cabecinhas de olhos em bico tenha nascido uma estratégia de marketing tão retorcida? Não, parece-me elaborado demais. Nem a mim me convence.
25 de Outubro de 2007 13:10

ana vidal disse...
Nah... não acredito nisso. É simplesmente um iluminado chinês que acha que já sabe português com fartura. O pior não é isso: é a Câmara deixar estar aquilo ali.
25 de Outubro de 2007 14:05

JP disse...
Concluindo, os chineses sabem-na toda.Lá diz o ditado:"A nessecidade agussa o engelho"Boa talde pala todos.
25 de Outubro de 2007 17:51

SOBE E DESCE disse...
Será que ainda temos de modificar o português e escrever em "chinales". Não me admiro.E digo-lhes que há por aí muito mais.Não basta o comércio!...
25 de Outubro de 2007 21:39

ana vidal disse...
Seja bem vinda, Sobe e desce. Espero que não.
25 de Outubro de 2007 22:05


Mais Palavras para quê…

(espero não estar a quebrar nenhuma das leis de etica dos blogues)

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Sozinho


Às vezes, no silêncio da noite
Eu fico imaginando nós dois
Eu fico ali sonhando acordado, juntando
O antes, o agora e o depois
Por que você me deixa tão solto?
Por que você não cola em mim?
Tô me sentindo muito sozinho!

Não sou nem quero ser o seu dono
É que um carinho às vezes cai bem
Eu tenho meus desejos e planos secretos
Só abro pra você mais ninguém
Por que você me esquece e some?
E se eu me interessar por alguém?
E se ela, de repente, me ganha?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Quando a gente gosta
É claro que a gente cuida
Fala que me ama
Só que é da boca pra fora
Ou você me engana
Ou não está madura
Onde está você agora?

Caetano Veloso/Sozinho

Imortalidade

Escrever é de facto do caraças.

Quem diz escrever diz organizar o pensamento.

Sim porque para mim, escrever é organizar o pensamento. É por as palavras por ordem. É fazer com que elas tenham algum sentido. O sentido dos meus pensamentos, do meu sentir, dos meus gostos, das minhas mágoas, dos meus prazeres.

Está tudo dentro de uma caixinha prestes para sair cá para fora. Uma caixinha cheia de peças, um tanto ou quanto baralhadas, com as quais se podem construir coisas lindas ou então nada.

Quando se começa a tentar fazer o puzzle, a debitar palavra por palavra e a construir frases, parece que estas nunca saem como os sentimentos se sentem. E ai começam os sarilhos. Ou por outra a guerra das palavras.

É o escreve e descreve. Escreve de novo e muda. Apaga e torna a escrever. Até que por fim sai qualquer coisa. Qualquer coisa que nos soa bem. Qualquer coisa que está de acordo com aquilo que tínhamos cá dentro.

Quando isto acontece, alguma coisa muda dentro de nós. Não sei especificar o quê, mas que muda muda. Tira-nos um peso de cima. É o desabafo. É o alivio de deitar cá para fora um chorrilho de sentimentos que fazem parte da nossa vida e que queremos de alguma maneira partilhar. De nós para nós, de nós para quem queremos que nos oiça, de nós para quem nos quiser ouvir. É a materialização das nossas lágrimas, dos nossos risos, dos nossos abraços, beijos, gritos, dores, das nossas experiencias de vida vivida a sós.

Quem saberá o que sinto quando estou sozinha? Tenho frio.
Quem saberá o que sinto quando tenho um monte de gente à minha volta? Solidão.
Quem saberá o que sinto? O que os meus olhos choram? O que os meus ouvidos ouvem? O que as minhas mãos sentem? O que a minha alma grita? O que tenho dentro do meu coração? Qual é o cheiro e a voz que fazem parte do meu imaginário? O que está guardado no meu peito? O que digo no meu silencio?

Quando a minha mãe morreu uma das coisas que procurei desesperadamente foram os seus testemunhos. Aquilo que as palavras me poderia mostrar dela. Tinha esperança de encontrar aquilo que ela nunca me contou, que eu nunca soube, que nunca saberei.
Fui a todas as suas agendas, livros, computadores, folhas de papel, anotações em contas de farmácia.


Procurei, procurei palavras. Palavras que me confortassem que mostrassem a sua alma, a sua vida. A sua imortalidade.

É, parece que todos nós procuramos, de alguma forma, a

imortalidade.

Ele há coisas na vida, que nós só nos apercebemos quando escrevemos.

(Esperta como era também percebeu, que nunca poderia escrever nada sobre ela, sobe pena de poder parecer aquilo que não era, aquilo que ela não queria ser. Mais do ninguém sabia o verdadeiro poder das palavras. E o poder das próprias virgulas.
Ela Sabia aquilo que eu jamais saberei.)

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Um Amigo




Um dia sonhei.

Sonhei que era uma princesa e que tinha um príncipe encantado que me acordou com um beijo. Num palácio que se encheu de luz e de alegria no momento em que os nossos lábios se tocaram.

Sonhei ainda, que pela minha beleza interior, pela qual o príncipe se apaixonou e jurou amor eterno, eu era merecedora de todos os ramos de rosas e beijos que me eram oferecidos. E que a beleza interior do príncipe, fez nascer em mim um amor profundo e que também fez quebrar o encantamento que pairava sobre ele.

Tamanha felicidade nunca tinha sido vista até então.

E a partir daí fomos felizes para sempre.

Foram estas as histórias de encantar que me contaram.

Foram estas, as histórias de encantar que me ficaram na memória.

Foram estas, as histórias de encantar que se instalaram no meu imaginário.

Esqueceram-se de me dizer, que geralmente a vida nos faz virar Gatas Borralheiras e que a Fada Madrinha nunca aparece para nos salvar.

Esqueceram-se também de me ensinar que cuidar da nossa beleza exterior era mais importante do que quaisquer duas belezas interiores.

Esqueceram-se de me alertar para o facto de que nenhum príncipe encantado, nem mesmo o nosso, nos pode fazer felizes para sempre, que o nosso palácio vira um campo de batalha que em vez de nos acolher nos expulsa, que o nosso amor vira um desamor e que o nosso sonho vira um pesadelo.

E que a partir desse momento deixa de se acreditar na vida, nas pessoas, nos sentimentos, nos momentos.

Os sonhos dão lugar à nostalgia, que entra de rompão como um animal selvagem a tentar saciar a sua fome.

E foi nesta selva escura e fria, onde só se viam olhos de todos os tamanhos e feitios à espera de um momento de fraqueza para poder atacar e destruir todos os restos de alma já espalhados e destroçados, que surgiu a Lua.

Essa Lua imensa e encantada com capacidade mágica de me presentear com o seu dom. O dom de me fazer sorrir, o dom de me fazer sentir bem, de me mostrar coisas bonitas, de me fazer sentir que sou importante, de me mostrar o caminho da verdade e da sinceridade, de me fazer ter vontade de renascer, de me mostrar que no mundo nem só o amor é importante. Que mais importante que um amor é uma amizade.

Essa Lua brilhante, que conseguiu entender o pedido de socorro, numa última réstia de esperança, que foi lançado sob a forma de um grito desesperado e silencioso. “Não deixes de ser meu amigo”.

Essa Lua enorme que me aconchegou com um abraço quente e forte, sem pedir nada em troca e sem propósitos outros que não o de dar forças e energias e o de me fazer renascer.

Essa Lua fascinante que me olhou nos olhos e me iluminou o caminho, murmurando-me ao ouvido – Vai estás pronta para renascer de novo. E Sempre que precises de novas forças, não esperes por ter, pede e eu estarei aqui ao pé para te dar. (That’s what Friends are for).



Essa Lua que teve o dom de me ensinar, com inteligência, sensibilidade e principalmente com muita humildade, que apesar de tudo ainda vale a pena lutar por tudo o que acreditamos.

E que aqueles abraços se repitam para todo o sempre com a mesma intensidade e carinho.

Agora Sim e só para ti.


Obrigada LUA.

(Todos nós temos uma LUA em determinado momento da nossa vida. Uma LUA única que nos ilumina o caminho.)

domingo, 28 de outubro de 2007

Amigo


A Vida é feita de acertos e desacertos.

Ontem perdi um amigo hoje ganhei outro.




A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas
Fracis Bacon






That's what friends are for














sábado, 27 de outubro de 2007

Perdi um amigo


Amigo - é saber dar, é saber receber, é dar sem se pedir é dar sem se cobrar, é receber sem se defender é pedir para se ter.

Amigo é - Um Ombro, Um abraço, Um Beijo. Sem com isso confundir ombro com amor, abraço com paixão, beijo com desejo. É tão simples …


Chorei, chorei tanto. Tinha um amigo e não há tristeza mais triste do que perder um amigo.

Sad Song
Guess there are times when we all need to share a little pain
And ironing out the rough spots
Is the hardest part when memories remain
And it's times like these when we all need to hear the radio
Cause from the lips of some old singer
We can share the troubles we already know
Turn them on, turn them on
Turn on those sad songs
When all hope is gone
Why don't you tune in and turn them on
They reach into your room
Just feel their gentle touch
When all hope is gone
Sad songs say so much
If someone else is suffering enough to write it down
When every single word makes sense
Then it's easier to have those songs around
The kick inside is in the line that finally gets to you
and it feels so good to hurt so bad
And suffer just enough to sing the blues
Sad songs, they say
Sad songs, they say so much


Elton John

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Sinais do Tempo


Hoje estive a vadiar por alguns Blogues e encontrei um post lindo.

Sinais do tempo


No teu blogue ou no meu?

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Amar e ser Amado

“Melhor sensação que amar, só a de ser amado”

Bem. É muito à frente …
Agora é que foi. Até estou espantada comigo própria.

Esta saiu-me tão bem que provavelmente a vi em algum lugar e não há muito tempo.
Espero não a ter tirado de alguém.

Mas é que é mesmo daquelas coisas boas, boas ate só de pensar quanto mais de ter.
Na Vida experimentamos poucas vezes desta sensação.
Mas quando temos essa sorte, livra é demais…

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Fantasia


“A fantasia é a lanterna mágica da nossa alma"

Todos nós temos fantasias, devaneios, ideais, sonhos.

Todos nós temos aquela maneira ágil de escapar da realidade momentaneamente e fazer de conta que a nossa vida é.

E este faz de conta despoleta um turbilhão de pensamentos, de ideias perfeitas que tentamos seguir para atingir os fins a que eles se propõem.

Fantasias…

São elas que nos alimentam a alma, que nos fazem ser diferentes. Que nos trazem maneiras novas de ver, de agir, de pensar.

A nossa alma é o nosso espelho. A fantasia é a luz que o ilumina e o realça.

A Fantasia é o guia da nossa alma, a nossa alma é o nosso espelho, o nosso espelho é o nosso reflexo, o nosso reflexo é a nossa imagem, a nossa imagem é o nosso ser, o nosso ser é a nossa identidade.

Será?

Que orgia de associações.

domingo, 21 de outubro de 2007

Serpa



Ontem parti de viagem já era noite.
Musica a bombar e pé a fundo no acelerador.
Cheguei, já a noite ia longa.
Mal passei a ponte sobre o Guadiana, abri as janelas do carro e fui surpreendida pelo vento quente e fresco a cheirar a feno "acabado de cortar" e… um toque de flor de laranjeira (vai-se lá saber porquê). Senti-me inundada deste espectacular cheiro da noite Alentejana.
E como se não bastasse, a este cenário juntou-se o da Lua. A lua do Zé estava a meia haste, num gordo quarto crescente deixando as estrelas assumirem o seu brilhante protagonismo. Eram tantas, mas tantas que não cabiam naquele azul noite do céu. Transbordavam por todos os lados.

De repente, uma caiu deixando um rasto de luz prateada, automaticamente fechei os olhos e pedi um desejo.

De facto este canto do mundo é especial. É mágico. É Lindo.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Dualidades


Sem fazer nenhum rascunho, como é normal, vou escrever directamente sem restrição.

Sem ter atenção aos erros e sem ter a preocupação de saber se está bem espelhado o assunto que estou a pensar.

Para alem disso hoje não tenho nada preparado, nada pensado, nada que me tenha vindo à cabeça durante o dia e que tenha sido mastigado. O que me vai na alma é o que vai ser debitado na lata. Dizem que a primeira impressão é sempre a mais verdadeira. Pois lá vai.

Para além de cansada estou muito confusa. Os meus sentimentos misturam-se sempre em alturas que não devem.
Sei que é preciso contenção, mas não é nada disso que me apetece.
Sei que é preciso ter cuidado porque os meus pensamentos elevam-se a sonhos em segundos e depois é muito mais difícil fazer tudo entrar na normalidade.
Aquilo que eu “acho” que é numa primeira abordagem, numa segunda nunca o é (visto pelos meus olhos). Desta vez não quero pecar por isso, mas também, e francamente, não me apetece cair no ridículo de achar uma coisa que não é.
Quantas vezes já passei por isto?
Não, não é o que procuro. Nunca foi. Mas acontece, “não és só tu”.

Mas mesmo antes de tudo começar, começam os problemas existenciais, aquela faceta parva que nos tira o barato e que não nos deixa levar as coisas com naturalidade.

Assim restam duas hipóteses:

Ir para a frente e deixar que as coisas tenham o seu caminho sem medo das espinhas.

Ou então travar precocemente, sem deixar ver as cenas dos próximos episódios.
Emoção ou Razão?

Se se analisa, ganha a razão se pelo contrário se deixa as coisas correrem, então…

Pois que não sei… Sempre analisei.

Desta vez o tempo o dirá. Ou não…

Com ou sem erros cá está.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Fly Away Again


Skyline Pigeon

Turn me loose from your hands
Let me fly to distant lands
Over green fields, trees and mountains
Flowers and forest fountains
Home along the lanes of the skyway

For this dark and lonely room
Projects a shadow cast in gloom
And my eyes are mirrors
Of the world outside
Thinking of the way
That the wind can turn the tide
And these shadows turn
From purple into grey

For just a Skyline Pigeon
Dreaming of the open
Waiting for the day
He can spread his wings
And fly away again
Fly away skyline pigeon fly
Towards the dreams
You've left so very far behind

Just let me wake up in the morning
To the smell of new mown hay
To laugh and cry, to live and die
In the brightness of my day

I want to hear the pealing bells
Of distant churches sing
But most of all please free me
From this aching metal ring
And open out this cage towards the sun


Elton John
Correr atrás dos Sonhos e Voar outra vez

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Pensamentos

O Pensamento é tramado. Depende do nosso estado de espírito.

Se estamos bem pensamos bem, se estamos mal pensamos coriscos.

Hoje parece que estou bem e por isso dei por mim a pensar perfeições, tudo é bonito, até eu me sinto “perfeita” hoje.

É, até eu estou perfeita hoje. Nem um grama a mais, nem um pouco maçadora.

E agora é que fiquei pasmada comigo própria. É… Contínuo estupefacta. É coisa que nunca tinha dado por isso. Sempre detectei que pensava mal de mim própria nos dias não. Mas nunca dei por mim a pensar em coisas boas de mim. Dou pelo bonito que me rodeia, pelas coisas boas que me dão, nunca dei nada por mim. Mal.

Surpresa...

Hoje foi relação directa. E insisto. Nos meus pensamentos uns dias sou gorda, desleixada, feia, chata, intrometida, nada interessante, mas hoje totalmente o contrário, até um bocado malandra e sensual, coisa que sempre achei piada nas outras, mas de facto, jeito não tenho e nunca tive nenhum. Desta vez estava com queda, reflectiu-se na minha postura durante o dia, mesmo sem eu dar por isso. Reflectiu-se, inclusivamente, na minha maneira de ser e de exprimir os meus pensamentos.

Não sei se foram entendidos, mas pelo menos foram ditos. Tive a ousadia de dizer aquilo que muitas vezes “nem às paredes se confessa”, mas quantas vezes se pensa e se sente.
Se se fosse sempre assim o mundo iria ser certamente bem mais interessante. (ou pelo menos mais picante.)


Quer se queira quer se não queira, quer se seja hetero, quer se seja homo, quer se seja sóbrio, quer se seja ébrio, serio ou brincalhão, velho ou novo, tímido ou sem ser, a vida são dois dias e
um deles passa pela postura em relação à nossa sensualidade.


Tudo isto pode ser conversa fiada. Amanha quando ler este belíssimo discurso posso eventualmente achar - Que atrasada mental que fui ao ter publicado tal despautério.
Logo se vê.


Até lá vai fazer parte de um dos meus “deliriuns” – Pensamentos…

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Momentos

Hoje já é 2ª Feira outra vez.

Este ano está a passar tão depressa que nem eu própria consigo ver o rasto de luz por ele deixado.

Qual Estrela Cadente.

Tudo se passa e se ultrapassa. As coisas boas voam, as más afundam-se, as indiferentes nem se dá por elas.

As vezes é preciso parar, ou tentar parar para se conseguir saborear aquelas palavras, aqueles acontecimentos, aqueles momentos.

Momentos.
Sim Momentos. Os meus momentos. Os meus e só meus, tal qual o Magum.

São tão necessários como o sal. Já contava a historia que a minha tia ouvia no papa discos á algum… tempo… atrás - “«Quero-vos como a comida quer ao sal», assim definiu a princesa o seu amor pelo pai, numa velha história da tradição popular”.

Sem eles a vida torna-se insossa.

E quando finalmente conseguimos parar sentimos o espirito rebentar de tanta agitação.

O peito incha, o respirar é profundo, brutal, enorme volumoso, a expiração é longa.

O coração dispara num frenesim silencioso e anestesiante.
As pernas ficam pesadas, o corpo, esse voa com asas de penas.
As pálpebras descem, deixando os olhos verem o que vai na alma.
A boca fica seca.
Os ombros descaem e a cabeça fica zonza, completamente tonta de prazer.

Estes momentos são únicos e poderosos.
Pequenos ou grandes, são sempre colossais.
Geralmente ampliados pela nossa imaginação, que lhes acrescenta uma pitada de sal aqui um bocadinho de pimenta ali, para que se tornem mais vincados e mais perfeitos.
São assim que eles são guardados dentro de nós como momentos perfeitos.

Momento
Uma espécie de céu

Um pedaço de mar
Uma mão que doeu
Um dia devagar
Um Domingo perfeito
Uma toalha no chão
Um caminho cansado
Um traço de avião
Uma sombra sozinha
Uma luz inquieta
Um desvio na rua
Uma voz de poeta
Uma garrafa vazia
Um cinzeiro apagado
Um hotel na esquina
Um sono acordado
Um secreto adeus
Um café a fechar
Um aviso na porta
Um bilhete no ar
Uma praça aberta
Uma rua perdida
Uma noite encantada
Para o resto da vida

Pedes-me um momento
Agarras as palavras
Escondes-te no tempo
Porque o tempo tem asas
Levas a cidade
Solta me o cabelo
Perdes-te comigo
Porque o mundo é o momento

Uma estrada infinita
Um anuncio discreto
Uma curva fechada
Um poema deserto
Uma cidade distante
Um vestido molhado
Uma chuva divina
Um desejo apertado
Uma noite esquecida
Uma praia qualquer
Um suspiro escondido
Numa pele de mulher
Um encontro em segredo
Uma duna ancorada
Dois corpos despidos
Abraçados no nada
Uma estrela cadente
Um olhar que se afasta
Um choro escondido
Quando um beijo não basta
Um semáforo aberto
Um adeus para sempre
Uma ferida que dói
Não por fora, por dentro

Pedro Abrunhosa/Momento

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Nada Nos Vai Separar


Quanto eu gostaria de acreditar nestas palavras

Tanto que elas dizem e tão pouco que elas são.

A dor que se sente de cada vez que alguém parte, para outra vida, outro país, outro mundo.

Este, nada nos vai separar, dói mesmo antes de acontecer. É falível, é infiel, enganador, é muito desleal.

E de cada vez que se sente, mais nos apercebemos que jamais vamos estar preparados para perder algo que algum dia em algum momento já foi nosso, mesmo que tenha sido só por um minuto ou mesmo por um segundo.


Si Tu No Estás Aqui

"No quiero estar sin ti
Si tu no estas aqui me sobra el Aire
No quiero estar asi
Si tu no estas la gente se hace nadie.
Si tu no estas aqui no se
Que diablos hago amandote
Si tu no estas aqui sabras
Que Dios no va a entender por que te vas.
No quiero estar sin ti
Si tu no estas aqui me falta el sueño
No quiero andar asi
Latiendo un corazon de amor sin dueño.
Si tu no estas aqui no se...
Derramare mis sueños si algun dia no te tengo
Lo mas grande se hara lo mas pequeño
Paseare en un cielo sin estrellas esta vez
Tratando de entender quien hizo
Un infierno el paraíso
No te vayas nunca porque
No puedo estar sin ti
Si tu no estas aqui me quema el aire.
Si tu no estas aqui no se...
Si tu no estas aqui."




Rosana

http://br.youtube.com/watch?v=XlFOpw8tG7Y



segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Já não me aguento a mim Própria


Hoje estou P. da vida.

Dei o meu passeio no paredão, logo de manhãzinha, que me soube lindamente e me deu supostamente ânimo para aguentar esta 2ª feira. O começo da semana é sempre duro.
Mas assim que cheguei ao escritório e sem perceber muito bem porquê, a minha disposição mudou. Não sei se foi o cheiro, a desarrumação, o escuro da sala, sei lá.

A partir daí, tudo foi menos.

Nestes dias o melhor mesmo é não ter ninguém ao meu lado. O risco de apanharem o desconto da minha indisposição, é grande, mesmo sem ter nada a ver com o assunto.
Tentei perceber o que me fez mudar o génio e apercebi-me rapidamente que são daqueles dias em que a cabeça está noutro lado mas o corpo tem de estar a trabalhar. Irra… porque é que tem de ser assim?

Depois de feito o diagnóstico, achei por bem sair para fazer alguma coisa de útil, já que ali não estava a conseguir. Mas dei conta, depois de fugir mais 3 vezes dos lugares onde tinha de ir, que o problema não era os sítios, nem as pessoas, nem os afazeres, era eu mesmo.

Pior do que ter de aturar os outros mal dispostos é mesmo ter de nos aturar nos dias em que não sabemos o que queremos.

É nestas alturas que uma amiga minha diz:

“ Já não me estou a aguentar a mim própria”

As Avós (Parte II)


Deparei-me com outro texto sobre as Avós, desta vez, presumo, de um português, já crescido:

"Toda a gente tem, pelo menos, uma avó.

É como o umbigo, não há ninguém que não tenha um.

Eu tenho os dois: o umbigo e uma avó (neste momento até tenho duas, mas o presente "post" serve para me referir àquela que deu à luz a minha mãe).

Antes de mais que fique claro: Eu gosto muito da minha avó, até porque ela tem a sua quota parte de culpa no meu umbigo (e eu também gosto muito do meu umbigo. Não sou daqueles que passa o tempo a olhar para ele mas também porque tenho a certeza que sou mesmo muito bom).
Sejamos honestos: todos nós pensámos, em determinados períodos das nossas vidas, que as nossas avós já nasceram avós: Nunca lhes conhecemos os pais. Só conhecemos os seus filhos e nós: os seus netos."De maneira que" (esta é uma expressão dela), sempre me habituei a ver a minha avó assim: avó.


Quando era miúdo julgava que ela era minha avó porque alguém a tinha mandado ser. Para mim não existia qualquer relação de parentesco. Se naquela altura eu não percebida como é que tinha saído da barriga da minha mãe, como diabo é que havia de entender que a minha mãe tinha saído da barriga da minha avó?

Quando era miúdo eu achava que a minha avó tinha e teria sempre a mesma idade e que os aniversários eram para os mais novos. Eu achava que a minha avó tinha muitos anos e que devia deixar as "festas de aniversário" para os outros (lá em casa chamávamos-lhes "festas de anos" mas com o tempo percebi que esta expressão poderia ter outras conotações e decidi abandoná-la).

Quando era miúdo eu achava que a minha avó teria sempre o mesmo tom de pele, as mesmas rugas, o mesmo andar.

Quando era míudo achava que as avós existiam para serem apenas e só isso: avós. Pensava que por serem avós, elas não precisavam de trabalhar (mais tarde lembro-me de ouvir o meu pai dizer que ela ganhava uma reforma e pensei que alguém lhe pagava para ela ser avó, minha avó).

Enfim, eu sempre julguei que a minha avó nunca deixaria de o ser. Ou pelo menos eu sempre achei que a minha avó nunca deixaria de ser como era: ainda para mais chamando-se Alegria... da Piedade, imaginem!Entretanto eu cresci. E a minha avó cresceu comigo. Envelheceu.

Hoje eu tenho metada da idade que ela tinha quando eu achava que ela já era demasiado velha.

Hoje, a minha avó tem quase 90 anos. E deixou de ser a minha avó como eu a conhecia, como eu me lembro dela.

Hoje, várias vezes, a minha avó esquece-se quem eu sou. A cabeça dela confunde a casa onde sempre viveu com a casa que nunca teve. Fala como uma criança. Não consegue somar o evidente com o lógico. Perdeu discernimento. Não reconhece o mal, dizemos nós. Perdeu vida. Ganhou amargaura. Perdeu vontade. Ganhou desinteresse. Perdeu Alegria. Mas nós, os que a rodeiam, lá vamos tendo Piedade.Ontem mesmo achou que estávamos a plantar flores numa parede. A única coisa em que ela acertou é que a parede não tem terra."

posted by o meu blog e maior que o teu - 2005

sábado, 29 de setembro de 2007

Blog's


Agora deu-me para isto – BLOG’s.

Os que tinha lido até aqui eram… interessantes.
Interessantes, mas chatos. Pertenciam mais aquele tipo de blog’s de opinião política, politiquices e mexericos do meio. Palavras escritas com inteligência ou pretendendo tal, mas que da própria pessoa só tem a opinião politicamente correcta que por vezes nem sequer coincide com a própria.

Blog’s só os lia por obrigação.

Até que um dia num impulso de curiosidade entrei num blog de uma pessoa comum, e noutro e noutro e noutro e apercebi-me rapidamente que existia outro mundo. Um mundo de pensamentos, personalidades, sentimentos, sensibilidades, futilidades, intimidades.

Surpreendeu-me, tanta susceptibilidade, tantos eus escondidos em palavras lindas, engraçadas, ou nostálgicas, tantos sentimentos instantâneos, tantos momentos sentidos.

Surpreendeu-me acima de tudo, saber que cada um se mostra tal qual gostaria de ser, o que não deixa de ser uma forma de ser. São os “eus interiores”, como lhes costumo chamar.

Fiquei também espantada com os blog’s de algumas pessoas que conheço, pela forma como escrevem, pela coragem de assumir e expor os seus pensamentos e sentimentos ou simplesmente o que lhes vai na alma, e pela beleza interior que demonstram.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Imaginário


O que eu mais queria agora era receber uma mensagem com o seguinte conteúdo:

Obrigado, Gostei muito que te tivesses lembrado de mim. Estava mesmo a precisar. É sempre bom saber que há alguém atento. Quando puderes fala. Um beijo muito grande e especial. Estou por aqui.

Esta seria a primeira de muitas outras.

Poderia escrever agora esta novela à medida do meu imaginario, mudar e aperfeiçoar as cenas conforme o meu estado de espírito. Sonhar, sonhar, sonhar.

Mas as coisas nunca acontecem como a gente quer nem quando se tem aquele filling estúpido, que nos faz ficar ansiosas, de que elas vão acontecer em situações perfeitas, por nós estudadas, pensadas e repensadas.

Vou contar uma coisa que me aconteceu e que até a mim própria me surpreendeu.

Uma vez conheci uma pessoa de quem gostei muito. Durante um tempo mantivemos uma relação de amizade suficientemente intensa e forte para eu sentir que a conhecia bastante bem.

As circunstâncias mudaram e deixei de a ver durante muitos anos. Durante essa ausência, construi um retracto físico e psicológico de tal maneira nítida e perfeita que quando finalmente me deparei com ela, só a imagem física e a voz eram iguais. As mãos, que geralmente eu identifico, como sendo a impressão digital de uma pessoa, nem essas eram iguais aquelas que eu tinha imaginado. Fez-me a maior das confusões.

Fiquei tão surpreendida comigo própria, tão incrédula que até hoje não acredito que possa ter sido a minha cabeça a imaginar tal coisa.

Este episódio fez-me ver até que ponto a nossa imaginação, invenção ou sei lá como se chama este fenómeno, pode ir.

Até onde se pode inventar!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Sós quando Acompanhadas


Algures, num dos blogs que descobri, li qualquer coisa como:

“… Quantas vezes nos sentimos sós, mesmo quando estamos acompanhados? …”

Muitos dias sinto que estou sozinha mesmo quando estou acompanhada, que grito mas ninguém me ouve, que respiro sem que ninguém note, que estou isolada no meio de uma multidão, desacompanhada neste caminho da vida. Nestes dias somos menores, pequenas, inferiores, frágeis, fracas, indefesas… tristes…

Não sei porque acontece, nem quando, mas o facto é que acontece, e nestes dias o frio instala-se e primeiro que desapareça, é um ver se te avias. É preciso um auto controle grande, saber rir de nós próprios, ter muito sentido de humor, e uma vontade imensa de estar bem. É preciso ter coragem e avançar, ter orgulho e levantar o nariz, enfrentar com convicção, firmeza e confiança.

É preciso “pegar o touro pelos cornos” sem medo nem piedade.

Se nos deixamos ir sem lutar, perdemos tempo, e tempo nesta vida é tão importante como a própria vida. E não quero, porque não quero perder nem mais um segundo a ter pena de mim própria. A pensar o que os outros poderão ou não estar a pensar e a tirar conclusões que provavelmente ninguém se tirou dos seus cuidados para as tirar e que nós nem dormimos de tanta inquietação.

A este tipo de sentimentos, que hoje vejo pelas costas, o meu Adeus definitivo.


sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Aprender até Morrer


Hoje cheguei ao fim do diário que encontrei no outro dia. O meu diário de alguns anos atrás.

Fiquei arrasada quando percebi que o diário acaba na melhor parte.

Deu para entender que a minha adolescência foi longa e triste. Que não consegui ultrapassar até muito tarde, os meus medos e as minhas dores de crescimento .

Deu para entender também que Deus foi um bode expiatório para a minha resistência ao crescimento. Escondi-me muito por trás de Dele. Não tomei decisões importantes por medo e preferi assumir as consequências, como castigo dos meus maus pensamentos e comportamentos. Vivi sem tentar modificar, por receio ou por insegurança ou por qualquer outra razão que agora não interessa nada.

Fiquei chocada com as inseguranças e a falta de amor próprio do meu eu naquela que supostamente é a idade de ouro da vida.

Foi um crescimento desamparado e solitário. No entanto, foi a minha vida e olhando para trás, olho com saudade.

Apesar de haver reminiscências e revivalismos de sentimentos,
os 40 anos são de facto uma bênção. São anos de glória.

Ainda não devo ter amadurecido tudo, até porque já dizia a minha Avó, “aprender até morrer”, mas já me sinto muito mais segura e com a certeza de que ainda vou ser mais. Agora é pegar nesta bagagem e potencia-la.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

As Avós


Uma avó é uma mulher que não tem filhos; por isso gosta dos filhos dos outros.

As avós não têm nada que fazer, é só estarem ali.

Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as folhas bonitas nem as lagartas.

Nunca dizem: despacha-te. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem atar-nos os sapatos.

Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo, ou uma fatia maior.

Uma avó de verdade nunca bate numa criança; zanga-se, mas a rir.

As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.

Quando nos lêem histórias nunca saltam bocados e não se importam de contar a mesma história várias vezes. As avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.

Não são tão fracas como elas dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.

Toda a gente deve fazer o possível por ter uma avó, sobretudo se não tiver televisão.

Composição de crianças de 8 anos - Genebra/Em “Enfants de Partout”

É Lindo.
Eu já conhecia este texto, mas nunca o tinha conseguido arranjar. Este foi-me dado por uma Avó de Viseu, cheia de sentido de humor e com tempo, não fosse ela Avó, para mo enviar.

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Estou que nem posso

Hoje estou de mal com a vida.

Ou por outra, estou de mal com o que fazemos da vida.

É impressionante como vamos perdendo o contacto com as pessoas de quem gostamos e de como deixamos as coisas boas em detrimento de outras menos boas. Como substituímos afectos por afazeres, prazeres por deveres, e tantas coisas que tais.

O comodismo dá lugar a uma inércia profunda.

E a forma como nos enroscamos na vida, a tentar caminhar pela sombra para não sermos vistos e criticados e/ou apreciados. A protecção que exercemos sobre nós próprios que nos abriga das coisas más e sem darmos conta das coisas boas também. Sim, daquelas que tanto gostamos.

E aquela expressão do - Estou cansada!
Esta é pior do que “cuspir na sopa”. Já nos sai quando estamos e quando não estamos cansados. Torna-se numa maneira de estar na vida, já adquirida que nos contamina. Quando de repente olhamos, já é tarde. E s seguir temos aquela “fabolástica” do – Agora já não há nada a fazer! Já está, já está.

Para se sair desta “pescadinha de rabo na boca” é uma carga de trabalhos - Sim porque a PDI não perdoa!

Help!... Como sair daqui, que atabafamento, que sufoco.

Como diria o outro


Estou que nem posso!!!!!!!