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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Um amor antigo



Um dia ou melhor um grande grande dia, encontrei quase tudo o que procurei na minha vida toda.

De certo modo tive a oportunidade que sempre pedi. 

Presenciei, acompanhei e saboreei momentos únicos e inesquecíveis. Entrei num mundo que não era o meu, vivi momentos que não me pertenciam por natureza, encontrei companheirismo e aceitação, fui verdadeiramente bafejada pela sorte, presente inesquecível que o universo me proporcionou.

Não sei se algum dia poderei agradecer convenientemente o tanto que ri e aprendi.

Não sei se algum dia poderei aceitar convenientemente não ter conseguido parar o tempo.

O verdadeiro Amor, o antigo, é e continua a ser verdadeiramente inspirador e motivador.  

Neste momento fica a saudade, a nostalgia e a alegria desses momentos fabulosos, vividos intensamente e sem filtros.

Neste momento fica a esperança que um dia eles possam voltar a ser uma realidade.

Neste momento fica o vazio das palavras que nunca se disseram.

Neste momento fica o suspiro de um sonho já vivido e outro que ficou por viver.

O Amor Antigo
O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda a parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

Carlos Drummond de Andrade, in 'Amar se Aprende Amando' 

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Culpa é da Cor


Foi da palavra cor, que tudo isto começou.
Às vezes começo a ler as coisas que escrevi e percebo que há ideias, palavras e frases que são recorrentes.

Porque será que ando sempre de volta dos mesmos assuntos, que tenho palavras preferidas e frases que repito vezes sem conta? 

Vendo à luz da razão consigo perceber que, em relação aos assuntos, eles vivem dentro de mim, são as minhas realidades, os meus medos, as minhas frentes de batalha, são tudo aquilo que me faz sentido ser e ter. 

Já no que diz respeito às palavras e frases... 

Pois... Pensei, pensei e cheguei a conclusão de que as uso porque geralmente revelam os meus sentimentos. Quantas vezes eles me saem em forma de cheiros e cores a pairar no ar, luzes e sombras que se cruzam, brilhos e arrepios que sobem por mim a cima em ondas de calor. O mar… o mar também me tira do sério, também ele na sua calma ou na sua desordem, define tanto do que vai dentro de mim.
Afinal, afinal são os sentidos a ditarem os sentimentos. É através deles que sentimos, é através deles que nascem as sensações e se formam as percepções.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Paixão

Gostei de ler este poema de Torquato da Luz porque me voltou a lembrar que:

"A vida é uma locomotiva que precisa de lenha para se mover.
E não há melhor lenha que a Paixão."
(Citação minha :))

"Toda a poesia é um recado
com destinatário
mais ou menos disfarçado.
Eu, desde que te vi,
dou-me ao ofício diário
de escrever para ti."

(posted by Torquato da Luz)

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Paixão


Tenho a certeza que um dia eu vou conseguir dar uma lufada de ar fresco a este meu blog.

A chama esmoreceu mas não está apagada. Ela está lá, quente, pequena em combustão lenta.

Falta-lhe oxigénio, neste caso, paixão.

Sem paixão as coisas parecem indiferentes, andam sozinhas sem brilho, não são maravilhosas, não são especiais, não são boas nem más e como tal não ficam na nossa lembrança, não ficam nos poros, não respiram...

Tudo parece indiferente.

No outro dia apanhai uma frase que vou tentar repescar. Porque essa sim tem lógica e transpira razão.

Ora pois cá está ela: “Para fazer uma obra de arte não basta ter talento, não basta ter força, é preciso também viver um grande amor.” (Wolfgang Amadeus Mozart)

Uma obra-prima tem sempre uma grande paixão por trás. Não sei o que raio têm as paixões, ou o que libertam para mexer connosco e dar-nos tanta criatividade e energia.

Ai de quem me está a ler e não entender que uma paixão pode nada ter a ver com uma paixão de amor carnal, se bem que essas paixões também movem montanhas, cidades ou mesmo mundos. Estou a falar de paixão. Paixão pela vida, paixão pelas coisas que temos, que conseguimos, que nos aparecem sem darmos por isso, paixão de paixão por qualquer coisa ou por alguém. Paixão de admiração, de respeito, de afeição. Paixão de estima, de bem-querer, de afecto, de amizade, de beleza, de excelência, de perfeição…
Paixão, tão só paixão.

Ou sou dada a paixões. Eu apaixono-me com muita facilidade. Paixono-me por qualquer coisa, por qualquer pessoa, por qualquer situação. Adoro a vida, deixo-me levar por ela, adoro tudo o que me rodeia, adoro pessoas, adoro a natureza e os cheiros próprios de cada estação, adoro o sol, adoro a lua, adoro o mar, adoro a praia, adoro o campo, as flores, adoro a Primavera, adoro o Outono, a lareira, a madeira, adoro as texturas, as cores, o arco-íris, acho que sou uma eterna apaixonada.

Ser-se uma eterna apaixonada tem os seus prós e os seus contras, alias como tudo na vida.

Os apaixonados correm atrás, sobem alto, vão depressa e por isso encontram vários obstáculos rasteiros que os fazem tropeçar e cair. Os apaixonados são pessoas alegres/nostálgicas e nem sempre compreendidas mas, bem-feitas as contas têm muito mais a ganhar do que a perder, porque até no sofrimento e nas lágrimas são capazes de amar incondicionalmente.

"Paixão é uma infinidade de ilusões que serve de analgésico para a alma. As paixões são como ventanias que enfurnam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveriam viagens nem aventuras nem novas descobertas."
(Voltaire)

domingo, 21 de novembro de 2010

A Minha Periquita Pequenina


Há 9 anos atrás por esta altura já eu estava num quartinho de hospital, muito arranjadinho e arrumadinho, pacientemente  à espera dos últimos momentos de uma gravidez super esperada e querida. Estava para nascer a minha periquita pequenina.

Este nascimento foi diferente de tudo o que eu já tinha passado antes, apesar de ser a terceira e de tudo o que eu estava à espera. Não tive de esperar pela dilatação estipulada para ter epidural, por isso depois de umas horas de aperto, lá veio o meu descanso. Nessa altura o resto da dilatação fez-se a par e passo com conversa e visitas, entradas e saídas de amigos, pais, médicos e enfermeiras, até um estafeta profissional de entrega de flores entrou para me entregar um ramo de flores lindo de morrer enviado pela minha mãe. Um verdadeiro reboliço.

Em plena cavaqueira, passamos umas largas horas de ansiedade e nervosismo. A peste só nasceu as 8 da noite. Um dia inteiro, para no fim acabar numa cesariana. Tudo se passou em dois minutinhos que me pareceram eternidades. É tão estranho ter um estranho nos braços que eu senti durante 9 meses. Ainda dizem que não tem graça saber o sexo da criança porque tira o efeito surpresa. Surpresa é aquela carinha, as mãozinhas, a perfeição em ponto pequenino, o cabelo espetado e o génio já espelhado nos olhos que se abriram para mim. É de não esquecer nunca mais, é o sentimento mais forte que um dia já experimentei. Um misto de alegria esfuziante com medo de não conseguir ser tudo aquilo que aquela criança espera de mim. Apesar de tudo foi a altura da minha vida em que me senti mais forte. Por aquela coisa pequena eu seria capaz até de matar. Eu e ela, ela e eu, uma parelha inseparável e à prova de fogo. Acho que nestas alturas os maridos sentem ciúmes. Mas têm toda a legitimidade para o sentirem. É de facto um momento só nosso. Ninguém entra. Depois, com o passar dos dias a coisa vai-se esbatendo, e tudo entra na normalidade.

Maravilha, é a palavra que encontro para descrever cada nascimento que saiu de mim. Hoje olho para os meus 3 matulões e vejo cada momento que passamos juntos, cada trinca de amor que lhes dei, cada história, cada passo. Até aos 4 anos estas criaturas foram exclusivamente minhas e só minhas. Hoje olho para trás e não sei como aguentei tantas noites não dormidas, tantas birras, tantas horas de preocupação, tanta energia, tanto cuidar, tanta atenção a dar, só mesmo o amor que lhes temos é capaz de tanto.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

AMOR...


"EL AMOR NUNCA ASPIRA A SER AGRADECIDO NI COMPADECIDO, SINO CORRESPONDIDO CON AMOR"
(A.GALA)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sao Valentim


E porque hoje é dia de São Valentim:

«O amor é uma tentativa de penetrar no íntimo de outro ser humano, mas só pode ter sucesso se a rendição for mútua» Octavio Paz

«Só existe uma lei no amor; tornar feliz a quem se ama» Stendhal

Não há disfarce que possa esconder por muito tempo o amor quando este existe, nem simulá-lo quando este não existe» La Rochefoucauld

«Quando não se ama demais, não se ama o suficiente» Roger Bussy-Rabutin

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Um Búzio




É tudo tão falível, é tudo muito terreno.

O que existe hoje, amanha é uma grande incógnita.

No outro dia encontrei um búzio. Um búzio nem pequeno nem grande, nem dos mais bonitos, nem dos mais feios, mas inteiro.

Inteirinho! Solitário, gasto, de arestas limadas e cores esbatidas, mas intacto, bonito e cheio dele. Imponente.

Estava encostado a uma alga verde grande e aconchegadora e bem ao lado daquelas assustadoras rochas cheias de bicos.

Deve ter andado por ali às voltas, a ir e voltar, a bater e a levar ate a maré o largar e ele conseguir descansar, junto a todas as outras conchas e búzios que por ali vagueavam.

Na altura fiquei espantada. Como é que ele, coisa tão frágil, conseguiu sobreviver a tanta brutalidade, a tanta agitação. Como é que ele, coisa tão delicada conseguiu resistir no tempo e a climas tão agrestes.

Esta descoberta fez-me pensar e foram-se alguns dias até eu perceber o que ele me fez sentir, ali tão inteiro, tão bonito e tão orgulhoso.

Aprendi por mim e com as minhas turras, que um amor tem de se cuidar todos os dias a todo o minuto. È certo que há dias e dias, mas ainda assim é preciso cuidar.

Podemos bater, podemos levar, mas temos de ter atenção às pancadas, porque há batidas que são fortes mas que, se forem dadas na altura certa e no sítio certo não partem, limam arestas. Outras que, mesmo pequeninas e leves, nos partem e nos deixam irreversivelmente danificados e desgastados.

O amor é como os búzios e como as conchas. Uns mais fortes, outros mais fracos, todos eles começam bonitos e inteiros, mas com o tempo e com as pancadas vão-se estragando e despedaçando.

O Amor é como os búzios e como as conchas. Uns chegam intactos ligeiramente moídos mas bonitos, outros entregam-se partidos mas com formas, outros jazem quebrados e desfigurados.

Cuidar de um amor é como cuidar de uma concha. Temos de zelar por ele todos os dias, com muita parcimónia e ter em atenção toda a sua fragilidade.

Feliz e orgulhoso o que chega inteiro. Foi cuidado e soube cuidar.

sábado, 29 de agosto de 2009

Ausência


"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."

(Carls Drummond de Andrade)

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O Amor


“O amor é a arte de encontrar no rosto do outro o espelho dos nossos sonhos.”
Expresso, em 20090523 (Inês Pedrosa)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

É o Amor


Parece que hoje é “Dia dos Namorados”.
E como tal, dia de cantar o “Amor”.
Como não sei cantar quem melhor que Maria Bethania!



(Cantado Por Maria Bethania)

Parece que hoje é "Dia dos Namorados" e por isso o melhor dia para se escrever sobre o "Amor".
E como não sei escrever, quem melhor que o poeta que Carlos Drummond de Andrade para o escrever!

"Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar
por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da
sua vida.

Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso
entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o
dia em que nasceu.

Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos
encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.

Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de
ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um
presente divino: o amor.

Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca
receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais
que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.

Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a
outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las
com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer
momento de sua vida.

Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela
estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda,
mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos
emaranhados...

Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que
está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira
nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...

Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim,
tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir
morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma
dádiva.

Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou
encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem
atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer
verdadeiramente.

É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as
loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor."

(Carlos Drummond de Andrade)



Mas a verdade, verdadinha é que o amor verdadeiro não tem dia de verdade. Qualquer dia é um bom dia para Amar.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Natal IX - Amar



E como não há Natal sem amor, resolvi hoje falar sobre o que me faz mover na vida.

O amor.

Palavra, que me diz pouco, ou eu não pertencesse aquela geração que a Ana Vidal tão bem descreveu no seu post “dizer o Amor",mas sem o qual a vida não faria qualquer sentido.

Não sou poeta, não sou escritora, não sou cantora, não sou pintora, não tenho qualquer arte através da qual me possa exprimir, mas tenho uma enorme necessidade de o apregoar. Como? Ainda não descobri!

Dizer “Eu gosto de ti” é dar um pouco de mim a cada pessoa que gosto. Sabe-me bem afirma-lo. Sabe-me bem ouvi-lo. Quando ouvimos ou quando dizemos, selamos um compromisso de amizade que não é para todos. É selecto, é especial, enche. Só por si já é muito. Mas de facto não é “Amo-te”.

“Amo-te” é mais, é muito mais. “Amo-te” é quase indizível, faz-nos tremer, faz-nos rir, faz-nos chorar, faz-nos estar alerta, faz-nos sentir, faz-nos construir, faz-nos sonhar, faz-nos …viver.
“Amo-te”, dizer só não chega, preciso de o dar, preciso de o receber.

Fico fragilizada quando não o sinto, desprotejo-me quando o dou, desfaço-me, derreto-me quando o recebo. Mas ainda assim é dele e para ele que vivo.