Mostrar mensagens com a etiqueta Coisas Inacabadas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Coisas Inacabadas. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Em sonho, tudo o que quero pertence-me.


Em sonho, tudo o que quero pertence-me. 

Tudo o que desejo é meu, tudo o que exijo, tenho. Tudo, mas tudo mesmo acontece como previsto e pode ser mudado a meu belo prazer, como peças de xadrez e de acordo com o jogo que é jogado no momento.

Adoro sonhar! Adoro alimentar o sonho e sonhar mais alto.

Pois bem, descobri que um sonho realizado é como um doce dentro de um recipiente de vidro difícil de abrir e que depois da primeira colherada se esborracha no chão, partindo-se em mil bocadinhos diferentes, deixando na boca um trago amargo do que foi experimentado e não teve tempo de ser saboreado. A digestão, essa fica difícil só de ver o que é bom ali aos nossos pés sem se conseguir aproveitar nadinha e, ainda, ter o trabalho acrescido de limpar os restos feios do que foi bonito e bom.

Diga-se a bem da verdade, que é um sentimento um tanto ou quanto estranho e frustrante. 

Mas há uma cerejinha no topo do bolo, a memória do que se provou. Bom! Muito bom! 

Mas o que foi já não é mais e o sonho antigo também já não volta.

Assim, resta-nos a substituição por um outro sonho. Alias é imperativo e inevitável. É a unica forma de se conseguir ultrapassar a frustação do anterior.

Que venham todos os sonhos do mundo, porque esses sim, não traem, não se estragam, não se vão embora, não viram as costas. Respondem, são previsíveis, confiáveis, saboreiam-se o tempo que se quiser, não caem, não se partem em mil pedacinhos.

Neste momento deixei de saber se quero que os meus sonhos se realizem.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Talvez...


Olho para mim e sinto que perdi a coragem de estar aqui, parece que a minha vida deixou de se encaixar nas palavras. Os pensamentos ficaram presos, os sonhos suspensos.
Talvez um dia, quem sabe amanha, as letras não se juntem novamente e se soltem claras, transparentes e puras como já foram. Talvez apareçam assim do nada, sem que me aperceba. Talvez...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Viver


Cada dia que passa morre um bocado do meu ontem

Nem sempre as mortes são pacíficas. Há umas que são prematuras. E quando assim é, torna-se bem mais difícil de aceitar e o luto demora muito mais tempo.

Eu sei que “nada dura para sempre”, esta é uma máxima que sei ser certa.

Por um lado é bom, porque dá espaço para outras coisas entrarem, por outro lado deixa uma saudade imensa e às vezes um vazio grande que demora a ser preenchido. 

Mas “devagar se vai ao longe” e “grão a grão enche a galinha o papo”.

E depois de ler o que escrevi, subi a um banco olhei para baixo e cheguei à conclusão de que não posso ser mais ridícula. Visto daqui de cima, tudo me parece caricato. Desde o que me vai cá dentro até às minhas próprias palavras. É claro que as máximas são máximas, é claro que as mortes prematuras são mais sofridas, é claro que todos passamos por algumas coisas menos boas nesta vida, é claro que todos nos sentimos sozinhos em determinadas alturas dos nossos percursos. Nada mais óbvio e mais certo. Porquê então o queixume? Afinal o que é a vida? Não será tudo isto. De que me queixo eu? De viver?

Afinal só chegamos onde queremos ir. Só nos metemos onde queremos. Acreditar ou não acreditar, faz parte do espólio de quereres. Às vezes oiço dizer e eu já o disse também em várias ocasiões, que são precisos dois para as coisas acontecerem. Mas cheguei à conclusão de que não é verdadeiro. É preciso só um para sonhar e andar sobre as nuvens, só um para destruir o sonho e cair cá em baixo com um daqueles estrondos que assustam quem vai a passar, só um para lutar, só um para acreditar, só um para se desiludir, só um para avançar, só um para desistir, só um para chorar, só um para se rir, só um para vencer, só um para ser vencido. 

Não há ganhar e perder. Ou se perde ou se ganha. Afinal somos só um para o que der e o que vier.

Sempre pensei assim. Mas devia estar esquecida…

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Olhei para trás


Olhei para trás e lá no fundo vi tudo aquilo que gostei, todos aqueles que me fazem falta, tudo o que foi bonito, tudo o que perdi, tudo o que nunca tive, tudo que o que passei.

Olhei para trás e vi tudo o que hoje choro e tudo o que me faz sorrir.

Olhei para trás e tive saudades.

Olhei para trás e percebi que tudo o que lá está, lá está.

Olhei para trás e compreendi que tudo o que lá está já não volta.

Olhei para trás e senti o inacabado.

Olhei para baixo e disse baixinho só para mim: porque teve de ser assim?