Eu e tu, amarrados a esta vida com objectivos tão iguais e caminhos tão diferentes.
Os dois, presos por laços que nem sabemos se existem, em cais pouco seguros e pantanosos.
Um tem puxado pelo outro e juntos, temos caminhado lado a lado num misto de engano.
Oiço e bebo as tuas palavras em silêncio e reconstruo sobre elas o pouco que me resta e que ainda está intacto.
Quantas vezes à deriva, olhei para ti e me fizeste ver que o norte tem um caminho.
Tens-me deixado ir atrás de ti, sem vontades nem compromissos, e tens-me levado calmamente, num mar de paz, rumo a um porto seguro. Se lá conseguir chegar, nele vou-me erguer, nele vou olhar para o horizonte e vou ver, todos os dias, um nascer e um pôr-do-sol. Nele, sozinha, estarei acompanhada pelo mundo.