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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Eu Sabia


Eu sabia.
O natural seria assim!
Eu temia
A vontade é implacável
Bebi cada dia
Mas eu sabia
A dor entraria
Um dia teria que acontecer

Eu acredito
A vida encarrega-se de esconder
quem não quer estar
E confirmo
A nossa memória tenta manter vivos os escondidos,
Mas eu sei
Desta luta surda e cega,
Ganha a vida.
E também sei
O tempo substitui recordações,
Porque a vida é assim
É inflexível
O sol nasce a cada dia,
Impondo-se,
Contraria as nossas vontades
Vai contra os nossos desejos mais profundos.

E eu acredito
Um dia a luz vai entrar
Mostrando a beleza de cada estação
E sobre o mar ficará a pairar
o reflexo do que um dia foi
bonito 
mas agora sem dor

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Quando o Coração se Fecha


Há alturas em que o coração sente necessidade de se fechar.
Parece que o mundo a nossa volta fica a pairar e não assenta. Nada do que se passa tem a ver connosco. 
Se nos tornarmos invisíveis tanto melhor. 
Não há sentimento que entre, não há musica que se oiça ou cheiro, ou som, ou sabor, que nos avive a memória. Todo o nosso corpo evita entrar em confronto com o que quer que venha do passado, presente ou futuro. 
Não há lágrima fácil, não há reação, não há sentimentalismos nem emoções no ar.
O medo fecha a porta. A vontade desaparece e entra uma frente gelada e cinzenta que nos faz cerrar os dentes, fechar a boca e olhar em frente. 
As conversas e os passos são mecânicos, abruptos e compulsivos, arrastam-nos para a frente sem olhar para o caminho que fazemos.
O coração fica impenetrável.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

INQUIETANTE


INQUIETANTE


E não, não é porque hoje é sexta-feira, é mais porque tenho dentro de mim um vulcão a querer explodir e quando assim é preciso de me refugiar em coisas que digam por mim o que me vai na alma, já que não nasci com essa capacidade.

E hoje é mais isto:

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
 
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
(Fernando Pessoa)

E mais isto:

“Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...”
(Fernando Pessoa)

E porque gostaria de transmitir que:

“Para ser grande, sê inteiro; nada
Teu exagera ou exclui;
Sê todo em cada coisa; põe quanto és
No mínimo que fazes;
Assim em cada lago, a lua toda
Brilha porque alta vive.”
(Fernando Pessoa)

E ainda que:

“Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.”
(Fernando Pessoa)

Não esta tudo, mas está grande parte!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Coisas do Coração


A Alma vai-se abrindo para o mundo sempre que alguém diz que “gosta” ou avança com um “sim”. Às vezes basta só um “gosto” para que a porta se abra e a alma se espelhe. Mas esse, tem de vir da pessoa certa para a coisa certa. Na generalidade não basta um, não bastam dois, não bastam três... Têm de ser muitos para podermos acreditar. Ouvir “sins” e “gostos” vicia. Quando se tem um, quer-se outro e mais outro e assim por diante. Os “sins” mimam, os “gostos” animam e o mimo e o ânimo dão azo ao capricho.

Quando se diz que se gosta ou não gosta é sinal de atenção e todos nós precisamos de atenção. Uns mais do que outros, é um facto. Mas que precisamos, precisamos e assim, grande parte do nosso tempo é usada para chamar a atenção e ter mimo de quem está ao nosso lado ou ao nosso alcance.

Faz parte do dar, receber assim como faz parte do receber, dar. Leia-se o que está escrito. Receber e dar têm de ser recíprocos, não têm de ser na mesma altura. Há alturas próprias para umas e para outras. Dai o capricho ter sido metido ao barulho. Às vezes queremos demais. Deixar os “gostos” e os “sins” chegarem e entrarem e dá-los de volta na altura certa e é uma ciência exacta e exige sabedoria. Mas é aqui que a porca torce o rabo, porque não é a razão que manda é o coração e só é bem aceite se vier do fundo dele. A ciência está em saber ler o que vem do coração.

Dai a célebre frase de Antoine de Saint-Exupéry “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.”

Viver é sentir. Saber viver é aprender a retirar dos sentidos aquilo que nos faz bem e muitas vezes o que nos faz bem é ver e fazer os outros felizes porque são eles também que nos fazem felizes. É o nosso contraponto.

E posso dar voltas e mais voltas e andar em pescadinha de rabo na boca que por mais voltas que se dê, vai-se sempre para ao mesmo lugar. O coração.