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segunda-feira, 6 de abril de 2015

Fim de um ciclo!


Nunca se sabe quando chega o fim a não ser quando ele chega na realidade.
Pois foi o que aconteceu. O ciclo fechou-se. Senti-o com todas as letras que compõem a palavra FIM.
Bateu-me uma tristeza profunda. Acho que é sempre assim quando alguma coisa acaba!

Um dia escrevi:

“Dentro de mim choro
Não a tua morte
Que não morreste em mim
Mas a morte de mim em ti”

Hoje escrevo:

"Dentro de mim choro
Não a minha morte em ti
Mas a tua morte dentro de mim
E é com toda a tristeza que me curvo
Diante da doce lembrança
Do que um dia foi…"

Esta sim, ficará para sempre.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

O meu Alentejo


Já que não posso de outra forma, fecho os olhos e estou lá!

"O Meu Alentejo
Meio-dia. O sol a prumo cai ardente,
Dourando tudo…ondeiam nos trigais
D´ouro fulvo, de leve…docemente…
As papoulas sangrentas, sensuais…

Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o ouro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros…

Tudo é tranqüilo, e casto, e sonhador…
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!"

(Florbela Espanca)  

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Para ti

"Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida"

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Não Digas Nada!


Não digas nada!
Nem mesmo a verdade
Há tanta suavidade em nada se dizer
E tudo se entender —
Tudo metade
De sentir e de ver...
Não digas nada
Deixa esquecer

Talvez que amanhã
Em outra paisagem
Digas que foi vã
Toda essa viagem
Até onde quis
Ser quem me agrada...
Mas ali fui feliz
Não digas nada.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Esse tempo que não se tem


Esse tempo que não se tem
É o mesmo de todos os dias
Esse tempo que não se tem
Pura ilusão de quem não o quer
Esse tempo que não se tem
Perfeita desculpa para o perder
Esse tempo que não se tem
É tão precioso para quem quer
Que chega a ser pecado
Perder por não querer

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Perder

Sinto a alma apertada
Confinada ao espaço da decisão
Resistir é a sentença
Sofrer  é a consequência
De cabeça perdida
Fecho os olhos
Deixo-me levar pela brisa do mar
Dançando bem devagarinho
No compasso de cada onda que rebenta
Os braços abrem-se suavemente
Na esperança do passo
Num pedido desesperado
De aquietação
Mas os pés que deslizam sob mim
Rodam leves esta dança
Levando-me direitinha ao pensamento
Que rodopiando e sorrindo
Fazem uma vénia e avançam
Arrancando-te de mim

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Suspense

Dor latente
Mente dormente
Pensamento vergado e calado
Esperança guardada
Desejo adormecido
Expectativas encerradas
Até a alegria é comedida e contada
E a tristeza está à porta fechada
A ver se não sai
Tudo em compasso de espera
Assim me sinto no meio desta baralhada
Onde não há frio não há amor
Não há vazio não há dor
A chuva bate mas não molha
O sol quando aparece não aquece
Mundo este despido de frio
Onde o dia antecede a noite
E a noite vem a seguir ao dia
Numa sucessão de dias sem luz
O que vem a seguir não sei
Só a Lua é uma certeza
Neste universo de incertezas
Mas até esta está nua
E envolvida num manto de sombras
Disfarce único e irredutível
Imposto pelo pudor
Sobra a doce luz do seu sorriso
Que foge através das dobras
Lançando lianas bem fortes
Para me poder resgatar
E seja lá quando for
Guardar a minha alma dorida
Entregar-me o meu sorriso
Envolver o meu corpo
Num abraço de conforto
Devolver-me a alegria e a paz
Que um dia me foram tiradas