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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Talvez...


Olho para mim e sinto que perdi a coragem de estar aqui, parece que a minha vida deixou de se encaixar nas palavras. Os pensamentos ficaram presos, os sonhos suspensos.
Talvez um dia, quem sabe amanha, as letras não se juntem novamente e se soltem claras, transparentes e puras como já foram. Talvez apareçam assim do nada, sem que me aperceba. Talvez...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Hoje...

Pois nem de propósito

Será que sou bruxinha? Tenho uma amiga que diz que as coisas só acontecem quando nós estamos preparadas para que isso aconteça. Se calhar é verdade!

Hoje tive uma amostra.

Fazer filmes não leva a lado nenhum porque na realidade quando as coisas acontecem, nunca acontecem como se imaginou como se pensou ou mesmo como se ensaiou. É mesmo estranho!

Hoje, e foi hoje mesmo, em sonhos, simulei todas as situações e mais algumas, em termos de cenários, de falas, de situações e até de sentimentos. Achava eu…! Não conseguindo chegar à conclusão de qual cenário escolher, nem de qual fala a adoptar, nem que sentimento iria eu ter, virei-me para a hipótese 2 – seria muito mais fácil e ficaria muito mais feliz se fosse criança! Aceitei esse facto e comecei o meu dia.


As crianças não pensam, agem. Não temem consequências, não perdem tempo.Vão em frente sem medos e sem pruridos, sem ses nem senãos, sem mas nem porquês.

Hoje fui Criança. Agi da mesma forma que uma criança agiria. A alma abriu-se e o coração mandou e comandou!

E agora tenho um senão, um mas e um porquê a que me dar resposta ou então, mando tudo para as couves, não penso e seja o que Deus quiser? - Enfim, já temos dedinho de adulto por aqui!

Decisão de hoje, sincera, franca e verdadeira: não me apetece pensar.

Pensar magoa. Vou continuar a agir como criança não pensar e deixar a vida seguir.

Que se lixe tudo o que estiver em causa,se é que está alguma coisa, pelo menos hoje.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

As explicações um dia aparecem.


Ontem perdi tudo o que tinha escrito.

Fiquei de boca aberta. Até agora ainda não percebi o que aconteceu, só sei que aconteceu. Fiquei bem à vontade uns 5 minutos a olhar para o computado sem reacção. Acho que não fiquei irritada, nem triste, nem zangada. Fiquei simplesmente admirada. Aceitei e pronto. Fechei o computador, bebi um copo de água e deitei-me. Tudo isto sem pensar.

Hoje deu-me a ressaca. O texto estava engraçado. Sério, cínico, sentido. Deu-me uma trabalheira a construir. Bem sei que para mim não é fácil escrever uma frase, quanto mais um texto daqueles, todo composto, grande e cheio de tudo o que tenho para mostrar, construído sabe-se lá com que inspiração, relido e aceite pela crítica mor e reconhecido como um texto que não foi escrito por mim mas sim pela Sum.

Pois é, hoje nem vou tentar inventar e reconstruir o que não tem reconstrução possível. Se assim aconteceu, foi porque tinha de acontecer e quem sabe o texto não tinha mesmo de ser publicado ou melhor não deveria sequer ter sido escrito. Há coisas que não devem ser mexidas. São o que são, onde são.

E digo isto e escrevo isto porque acredito plenamente que as coisas acontecem porque têm de acontecer, doa o que doer. As explicações um dia aparecem. 

domingo, 7 de novembro de 2010

Às vezes é bom achar…

Há sempre uns dias melhores que outros.

Estou um bocadinho farta do meu hoje isto, hoje aquilo, ontem assim, amanha recomeça.

Fazer a coisa intemporal é também importante. É pelo menos bem mais interessante.

No meio do reboliço do dia-a-dia é engraçado ter uma história que dure para sempre, um interesse que fique na história.

Isto da fotografia é interessante, é intemporal para uns, fica cá depois de mim, mas a história que conta é pouco para aquilo que na realidade foi. Tem de ser completada, há sempre qualquer coisa que fica no ar, não fala por si. Num primeiro instante, quem não assistiu não reteve e quem assistiu reteve de forma diferente. Depois há os olhos que a vêm e há os olhos que passam por ela

Bem, mas se eu for a ver, nada fala por si. Nem mesmo a escrita. As coisas ficam subentendidas ou até mesmo escondidas, alias como qualquer coisa que seja contada e não vivida.

A vida é realmente uma magia. Nada, mas nada mesmo é comparável a cada segundo da nossa vida. É estranho perceber ao fim destes anos todos, a solidão em que todos vivemos, na ilusão da companhia de quem está ao nosso lado.

Acho mesmo que a nossa luta diária passa por aqui. Tentar transmitir uma coisa que não é transmissível. É nossa e só nossa, sempre nossa, para toda a vida.

Por muito que se queira, não se é capaz de transmitir cada vivência e vivemos todos na esperança e ou na ilusão que os do lado tenham vivido e sentido o mesmo.

Ah! Cá está o meu grande receio de sempre. Sou sozinha mesmo. Estou sozinha sim, e assim ficarei enquanto cá estiver. Tudo o que eu sou, tudo o que eu vivo, tudo o que eu sinto, tudo o que eu vejo, tudo o que me rodeia, é meu, até o que eu como e o eu bebo, o que eu aprendo, o que eu sei.

A partilha e a cumplicidade não passam de ilusões de vida. Faz-nos achar que estamos acompanhados, que somos compreendidos, que estamos no mesmo barco.

Às vezes é bom achar…

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Cartas

Parte da minha vida é feita de cartas a quem eu gostaria de explicar todas as teorias filosóficas que estão por trás de cada um dos meus comportamentos e dos meus sentimentos.

Parece parvoeira, mas tenho uma necessidade enorme de as explicar porque só assim fazem algum sentido. As pessoas interpretam tudo à maneira delas e esquecem-se que existem outras visões, os medos, as vergonhas, os esquecimentos, os óbvios.

É difícil aceitar. É difícil fazer aceitar. Mas uma vez aceite tudo se torna mais fácil, mais respirável.

Só que, uma coisa é escreve-las outra é entrega-las. A grande maioria não é entregue, não chega ao seu destino ou melhor ao seu destinatário.

Às vezes pergunto-me porque é que as escrevo se sei que não as vou entregar. Vá-se lá saber os porquês? 

Acho que nem eu própria sei ao certo.

Sei, isso sim, que me sossega escrever tudo o que me vai na alma.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Yolanda


E hoje acordei com isto

Simone e Pablo Milanés - Yolanda - Espanha (1992)



Caetano Veloso & Marisa Monte - Iolanda


É impressionante, as recordações que uma simples música pode trazer à baila.
Hoje, e todos os dias a música faz parte do meu acordar e quantas, mas quantas vezes, ela condiciona o meu estado de espírito do dia…

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Coisas Estranhas...


Vinha eu, muito sossegadinha, a caminho de casa quando o “Oceano Pacífico” interrompeu a sua emissão, e o meu sossego, para ler o pensamento da noite.

Então, a frase que deram para pensar é uma frase da Mafaldinha:

"O Amor leva-nos a fazer coisas estranhas"

Fiquei deveras espantada, não estava nada a ver a RFM a dar um pensamento da “Mafaldinha”.

Mafaldinha, sim! Aquela boneca argentina, saída dos livros dos anos 70, que conhecemos de toda a vida, que tem pensamentos e falas fantásticas e que chegam a fazer-nos rir!
Só que esta, de rir não tem nada. É uma frase sábia e sóbria que de facto me fez pensar.

É verdade sim. O Amor faz-nos fazer coisas estranhas. Tantas…

Coisas boas ou coisas más.

Digo coisas boas, quando nos gostamos de ver e sentir no papel que desempenhamos. Aquele em que saímos de nós para fazer o outro feliz, sem pensar e sem vacilar, sem medo e com toda a segurança do mundo. E quando essas atitudes têm um impacto que consideramos positivo e esperado. Isto é, quando conseguimos atingir os nossos objectivos, sejam eles o retorno ou somente a felicidade estampada.

Sentimos coisas más, muito más mesmo, quando não nos reconhecemos nas nossas atitudes e comportamentos. Quando eles não estão de acordo com o que sentimos, com o que somos, com o que queremos.

Hoje, esta frase vestiu-se em mim como uma luva, de pelica...

A vida tem destas coisas. Nunca saberemos porque é que as coisas são como são ou porque é que acontecem. São… Simplesmente, são!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Coisas que não se explicam


Faz-me aflição ver a raiva que algumas pessoas têm a tudo e a todos.

Faz-me pena as pessoas que se revoltam com o mundo, que estão sempre “do contra”, que se afirmam de forma negativa e diferente para mostrarem e tentarem ser gente. Que fingem ser alegres e vencedoras, que desdenham da construção de outros, sentadas a olhar e a criticar, que usufruem e cospem sobre o pouco que têm ou que lhes dão.

Faz-me dó todas aquelas pessoas que não tendo rédea na própria vida, só vêm prazer na destruição dos ideais e das vidas dos outros com pensamentos descabidos e opiniões desagradáveis, com gestos repugnantes e comportamentos estapafúrdios, com acusações sem nexo e invariavelmente arrasadoras, gozações maldosas e humilhantes.

Faz-me confusão o mal que fazem, as barbaridades que dizem, os ataques despropositados, momentos desperdiçados.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Olhares


“Um olhar” é mais do que duas palavras juntas, um olhar é uma expressão forte, penetrante, mágica, de certa forma enigmática. Um olhar pode fazer-nos sonhar uma vida inteira ou destruir-nos o sonho de uma vida.

Eu gosto de palavras com significado. Palavras que nos baralham e se cruzam no pensamento. Daquelas que queremos falar sobre e, de repente não sabemos o que dizer primeiro.

Começamos a escrever vezes sem conta. Escreve e apaga, escreve e apaga, mil ideias em nuvem sobre a nossa cabeça sem um fio condutor. Saem palavras soltas como ver, avistar, contemplar, observar, descobrir, sentir, interpretar, exprimir, intenso, olhos, cor, verdes, querer, desejar, mas nem assim se formam ideias que correm no papel. Ou por outra, formar até se formam mas não falam o que nos vai no pensamento.

Um olhar, é ver para além de ver, é sentir a vontade de quem olha, é perceber-lhe o querer, é ver-lhe a alma a sair. É sinceridade, é verdade, verdadinha. Para o bem e para o mal.

domingo, 4 de abril de 2010

Observatório


Estar num café cheio de gente e ter oportunidade de observar as caras, os comportamentos, as conversas, os sorrisos, as idades, as obrigações, o brilho dos olhos, os olhares apaixonados, os sorrisos, os gestos de impaciência, a paz interior, a ansiedade, os que querem agradar e não conseguem, os que amam e são amados, os que estão chateados, os que têm a irritação estampada no rosto, a ternura, a paixão, a insatisfação e tantas outras coisas, faz-nos perceber que as vidas das pessoas são diferentes sim, passam por várias fases também, mas que em todos elas existem sentires que se assemelham.

Sabendo que a idade é relevante para cada uma destas fases, sabemos também que cada pessoa é uma pessoa e por isso aquilo por que uma pessoa passa na vida é que é verdadeiramente determinante no seu sentir.

Daí que quando nos sentamos, num sítio destes, a observar, nos venha à cabeça as nossas próprias vivências e sentimentos.

É um jogo tentar perceber em que fase está ou qual o sentimento de cada uma destas pessoas naquele momento ao mesmo tempo que nos apercebemos onde, quando e porquê aqueles sentimentos nos bateram.

E o barulho que tudo aquilo gerava? E perceber o porquê da escolha das mesas?
E ver que o comportamento de cada um condiciona o comportamento da envolvente! Esta então, foi a mais engraçada. A forma como os empregados reagiam aos pedidos dependia tão-somente de um sorriso, ou de uma cara feia.

Sentada naquele cantinho, fui vendo, cara a cara, comportamento a comportamento e assim se passaram alguns minutos valentes.

Meu Deus, quantos comportamentos diferentes e tão iguais.

… Um mundo!

Enfim há muito tempo que não me permitia a uma destas.

sábado, 3 de abril de 2010

Há dias e dias


Há dias e dias.

Eu, que até gosto de frases bonitas, poemas e textos sonhadores, livros românticos …

Hoje não estou para ai virada.

Parece que as palavras não entram, não chegam ao coração. Inclusivamente há umas que nem chego a entender!

São dias em que estou a mil e o que me entra é mais de índole prática.

Este estado deve-se provavelmente ao dia de ontem, em que as recordações despertaram em mim um milhão de sentimentos e recordações extraordinárias. Essencialmente boas mas que se tornaram um tanto ou quanto amargas. A saudade, a nostalgia, a ausência, causam os seus efeitos…

Este fim-de-semana deu-me para as arrumações de papel, o que dá em muito mais, claro...

Isto implica tudo o que é correspondência – cartas, escolas, presentes dos dias da mãe, do dia da mulher, do dia …., dos meus anos, Natal, cartas pessoais, contas, recibos - recortes de jornais e revistas, bilhetes, fotografias, cartões e outras coisas que tais.

Dei com coisas lindas e que já não me lembrava que tinha guardado. As coisas que eu guardo…

Dei com fotografias que nem sabia que tinha, dei com coisas de uma vida inteira de momentos fantásticos.

Fez-me lembrar uma exposição que vi, se não me engano em Serralves, que constava de uma instalação de objectos pessoais que se vão guardando ao longo da vida e que se amontoam, sem nexo e sem cronologia específica, dentro das mesas-de-cabeceira e das várias caixas e caixinhas, gavetas e gavetinhas, armários e armarinhos de uma casa bem vivida e cheia de gente.

Assim estou eu. Queria mesmo fazer uma exposição das minhas coisas guardadas. Cada uma tem uma história, cada uma um momento, cada uma, à sua maneira deu cor à minha vida. Mesmo os botões, que parece que nascem do nada. Até eles têm uma origem, um lugar e uma historia. E são muitos...

Mas como não me iriam deixar fazer esta exposição cá em casa, sob pena de ser despedida de mãe e mulher e posta na rua! Decidi que vou ter de publicar algumas das coisas que guardei e assim fica o legado. Com ou sem palavras…

E hoje como estou nos dias mais práticos e menos sonhadores, aqui vai um dos “10 mandamentos” de Maria Duarte Bello. Guardei-os praticamente todos, porque cada um à sua maneira relembra-nos a forma como devemos pensar e fazer em varias situações.

Hoje é mais estes:


Os 10 Mandamentos Da auto-motivação

1 – Começar bem o dia.
A melhor maneira de começar bem o dia é planeá-lo de véspera. Fazer uma lista do mais importante, reunindo dados e informações de que necessitará para entrar em acção. Sensação de controlo, organização e alívio são o estímulo indispensável para começar sem angústias.

2- Pensar nas Realizações e sucessos.
Percorrer mentalmente os progressos alcançados, reavaliando as tarefas, etapas, estratégias e objectivos anteriores.

3 – Encontrar a profissão de Sonho.
A Profissão certa transforma percalços em pormenores. Quaisquer que sejam as dificuldades, acolher com agrado projectos e tarefas que sabe essenciais para progredir e que de outro modo seriam odiosas.

4 – Rotinas quanto baste.
Possibilitam o normal funcionamento da vida mas podem asfixiar e matar qualquer empenho. Experiências místicas ou não quotidianas proporcionam poderes revigorantes.

5 – Diz-me com quem andas dir-te-ei quem és.
As pessoas influenciam os níveis de motivação e contribuem para a formação do carácter. Afastar-se dos desesperados, falsas vítimas, gabarolas e enjoados.

6 – Mudar os planos.
Objectivos funcionam como fonte de energia, mas se forem impossíveis ou demasiado fáceis transformam-se em obstáculos. Se os objectivos se revelarem pouco atractivos ou mesmo inúteis, considere a possibilidade de os alterar. Nada é eterno.

7 – O poder da mente.
Dirija palavras de encorajamento, actuando como se fosse o seu treinador. Usar palavras mágicas que possam levar a prosseguir, como as conversas que os treinadores têm com os atletas antes de uma competição.

8 – Aproveitar a pressão.
Estabelecer o termo do prazo para os projectos de maneira a coincidir com o inicio de outros. Tenta-se evitar qualquer tipo de pressão mas é possível, caso queira reverter os efeitos a seu favor.

9 – Praticar o Feedback.
Avaliar-se frequentemente para encontrar a habilidade de criar e suster a motivação. Inclui alterar o comportamento, melhorar o desempenho, lidar com avaliações e aperfeiçoar o estilo.

10 – Acreditar que pode.
Não aderir à lei do menor esforço, contentando-se com o que vier. Investir o máximo de esforço, mesmo privando-se temporariamente de coisas que dão prazer, a fim de obter o que deseja.

(Maria Duarte Bello – Coaching e Gestão de Imagem – maria.duarte.bello@sapo.pt)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Coisas que gosto de Partilhar


Parar,
Ler,
Entender,
E partilhar.



Arte e Sensibilidade

1) Toda a arte se baseia na sensibilidade, e essencialmente na sensibilidade.

2) A sensibilidade é pessoal e intransmissível.

3) Para se transmitir a outrem o que sentimos, e é isso que na arte buscamos fazer, temos que decompor a sensação, rejeitando nela o que é puramente pessoal, aproveitando nela o que, sem deixar de ser individual, é todavia susceptível de generalidade, portanto, compreensível, não direi já pela inteligência, mas ao menos pela sensibilidade dos outros.

4) Este trabalho intelectual tem dois tempos:

a) a intelectualização directa e instintiva da sensibilidade, pela qual ela se converte em transmissível (é isto que vulgarmente se chama “inspiração”, quer dizer, o encontrar por instinto as frases e os ritmos que reduzam a sensação à frase intelectual (prim. versão: tirem da sensação o que não pode ser sensível aos outros e ao mesmo tempo, para compensar, reforçam o que lhes pode ser sensível);

b) a reflexão crítica sobre essa intelectualização, que sujeita o produto artístico elaborado pela “inspiração” a um processo inteiramente objectivo — construção, ou ordem lógica, ou simplesmente conceito de escola ou corrente.

5) Não há arte intelectual, a não ser, é claro, a arte de raciocinar. Simplesmente, do trabalho de intelectualização, em cuja operação consiste a obra de arte como coisa, não só pensada, mas feita, resultam dois tipos de artista:

a) o inspirado ou espontâneo, em quem o reflexo crítico é fraco ou nulo, o que não quer dizer nada quanto ao valor da obra;

b) o reflexivo e crítico, que elabora, por necessidade orgânica, o já elaborado.
Dir-lhe-ei, e estou certo que concordará comigo, que nada há mais raro neste mundo que um artista espontâneo — isto é, um homem que intelectualiza a sua sensibilidade só o bastante para ela ser aceitável pela sensibilidade alheia; que não critica o que faz, que não submete o que faz a um conceito exterior de escola ou de moda, ou de “maneira”, não de ser, mas de “dever ser”.

Fernando Pessoa, in ‘Carta a Miguel Torga, 1930′

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

E hoje . . .


"Há um desassossego em mim, um desassossego bizarro, diabólico, que poderia ser produtivo se eu o soubesse utilizar. Um desassossego criador."

(Etty Hillesum, in 'Diário 1941-1943')

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Sentido se tiver um sentido faz sentido!


Não, não me tenho arriscado a escrever nestes dias tão sombrios. Não iria dar certo. A avaliar pelo que tenho publicado …

Aconteceram muitas coisas sim. Mas as importantes são aquelas que são invisíveis para os olhos. São aquelas que só se vêm com o coração, não se dizem porque vêm de dentro e se forem escritas também não fariam sentido nenhum.

Tenho pensado muito e sobre muitas coisas. Tenho tentado arranjar explicações para o meu pequeno mundo. Nele as coisas têm de ter sentido porque sem esse sentido, o meu mundo desaba. Todos os dias têm havido algumas avalanches…

Assim, hoje debati-me com esta coisa do sentido que as coisas têm de ter. Ela surgiu-me assim na cabeça do nada, ou eventualmente do mal que eu me estava a sentir por me achar a pessoa mais egoísta do mundo.

E de facto cheguei a uma conclusão que me fez sorrir: as coisas só fazem sentido se tiverem um sentido. E a maior parte das coisas que vivo não fazem sentido nenhum porque não têm um sentido. É básico, é tão básico que chega a ser estúpido. E eu senti-me tão estúpida que sorri. Senti-me estúpida por ser tão básica e senti-me estúpida por perceber que na minha vida grande parte das coisa que faço, que procuro e que tenho, não têm um sentido e por isso não fazem sentido.

O sentido das coisas faz toda uma diferença.

Nós gostamos de quem gosta de nós! Que sentido faz gostar de uma pessoa que não gosta de nós?
Nós estamos com quem gosta de estar connosco! Que sentido faz estar com uma pessoa que não gosta de estar connosco?
Nós damos alguma coisa porque alguém gosta de receber essa coisa. Faz sentido! Mas faz sentido também que se dê a quem nos dá de alguma forma. Se não, não faria muito sentido.
Nós trabalhamos bem se tivermos um sentido, seja lá ele o que for. Se não que sentido faz trabalhar?
Etc, etc, etc...

Enfim vendo as coisas desta maneira, consigo explicar uma data de coisas que não estavam claras na minha cabeça. E com as quais não me tenho sentido muito bem.

Fiquei um bocadinho mais feliz. Parece que visto desta maneira não me sinto tão egoísta e faz-me sentido que assim seja.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Agonia


Como explicar o que se sente quando se ouvem coisas que são ditas e que nos entram directas ao coração com se fossem lanças afiadas. Lanças cheias de veneno que se enterram bem devagar na carne e deixam que o veneno se espalhe corroendo lentamente tudo o que o rodeia.

Como explicar a dor de uma morte anunciada, o frio de uma alma sem vida.

Como explicar esta agonia…