sexta-feira, 28 de março de 2008

Cúmplices?


“Cúmplices
A noite vem às vezes tão perdida
E quase nada parece bater certo
Há qualquer coisa em nós inquieta e ferida
E tudo que era fundo fica perto

Nem sempre o chão da alma é seguro
Nem sempre o tempo cura qualquer dor
E o sabor a fim do mar que vem do escuro
É tantas vezes o que resta do calor

Se eu fosse a tua pele
Se tu fosses o meu caminho
Se nenhum de nós se sentisse nunca sozinho

Trocamos as palavras mais escondidas
Que só a noite arranca sem doer
Seremos cúmplices o resto da vida
Ou talvez só até amanhecer

Fica tão fácil entregar a alma
A quem nos traga um sopro do deserto
Olhar onde a distância nunca acalma
Esperando o que vier de peito aberto”

(Mafalda Veiga)




A letra desta música faz-me lembrar um momento da minha vida.

Aliás, quase todas as letras da Mafalda Veiga, têm pelo menos uma parte com que nos conseguimos identificar.

Apesar de não amar a voz e a maneira de cantar da rapariga, que até é muito simpática e afinada, acho que tem uns poemas lindos e algumas musicas muito bem conseguidas, excelentes mesmo.

A música que está em cima, tem umas quantas quadras que eu trocava e, nitidamente reconhecia-a como uma passagem da minha vida.

Passo à acção:

“Trocamos as palavras mais escondidas
que só a noite arranca sem doer
Seremos cúmplices o resto da vida
Ou talvez só até amanhecer

Fica tão fácil entregar a alma
A quem nos traga um sopro do deserto
Olhar onde a distância nunca acalma
Esperando o que vier de peito aberto”

“Nem sempre o chão da alma é seguro
Nem sempre o tempo cura qualquer dor
E o sabor a fim do mar que vem do escuro
É tantas vezes o que resta do calor”

“A noite vem às vezes tão perdida
E quase nada parece bater certo
Há qualquer coisa em nós inquieta e ferida
E tudo que era fundo fica perto.”

E pronto, está feito o retalho. (esfregando as mãos em ar de contentamento? – Que grande feito este, espero que ninguém se lembre de te bater à porta a pedir explicações da grande M… que andas a fazer…)

E para mais, a música ligada a este momento, nem é esta. É mais a que vem a seguir.

O que quer dizer que, há letras, há musicas e letras, há um autor, há uma voz, há mais coisas ligadas aos momentos do que só aquelas que estão visíveis e perceptíveis.




“Cada Lugar Teu

Sei de cor cada lugar teu
atado em mim, a cada lugar meu
tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
tento esquecer a mágoa
guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
sem ter defesas que me façam falhar
nesse lugar mais dentro
onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
como se arrancassem tudo o que já foi
e até o que virá e até o que eu sonhei
diz-me que vais guardar e abraçar
tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
e o mundo nos leve pra longe de nós
e que um dia o tempo pareça perdido
e tudo se desfaça num gesto só

Eu Vou guardar cada lugar teu
ancorado em cada lugar meu
e hoje apenas isso me faz acreditar
que eu vou chegar contigo
onde só chega quem não tem medo de naufragar”

(Mafalda Veiga)

1 comentário:

av disse...

Tem graça. Sum, penso isso mesmo da Mafalda Veiga: boas letras, músicas inspiradas, mas... uma voz que me irrita, nem sei porquê.
E esta "Cada lugar teu" é uma das que eu gosto mais.
Um beijinho