sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sem palavras


E hoje era mesmo isto.


Encontrei-o no Da Inquietude

A hora é suave

"No ouro sem fim da tarde morta,
Na poeira do ouro sem lugar
da tarde que me passa à porta
para não parar,

No silêncio dourado ainda
dos arvoredos verde fim
recordo. Eras antiga e linda
e estás em mim...

Tua memória há sem que houvesses
teu gesto, sem que fosses alguém
como uma brisa me estremeces
e eu choro um bem...

Perdi-te. Não te tive. A hora
é suave para a minha dor.
Deixa meu ser que rememora
sentir o amor,

Ainda que amar seja um receio,
uma lembrança falsa e vã,
e a noite deste vago anseio
não tenha manhã."


(Fernando Pessoa)

Um grande beijnho Pedro

2 comentários:

Hay disse...

Sum!

Como expressar nas palavras,
os gestos que queria fazer,
as coisas que gostaria de ver,
os belos amanhecer e entardecer,
e o sombrio morrer...
faltam-se falas.

Mas ao expressar
o simples fato de escrever, falar,
nada existe para preocupar...
nada pode deturpar,
na essência pelo chorar,
no gesto por beijar,
comover e alavancar
o puro e simples "amar".
Renato Russo

Sem saber o que passa pela sua alma, parece que de alguma forma sei, não são necessárias muitas palavras... o silêncio diz mais que todas as palavras!

Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio.
Clarice Lispector

Beijo Carinhoso,
Hay

sum disse...

Obrigada Hay,
Pelas palavras tão bonitas e pela atenção de as escrever.
Um beijinho