sábado, 7 de junho de 2008

Hay,


Gostaria muito de saber o que se passa e o que anda nesta minha cabeça. Talvez seja esse o grande mistério da vida. E talvez seja mesmo o que nos faz agarrar a ela.


Gosto da frase que enviou, reconhecia-a em mim.


“Recomeça… se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.”

(Miguel Torga)

Todas as fases são uma fase e todas elas diferentes entre si. Umas mais, outras menos. Umas, conseguimos reconhecer alguns pontos, agarrar neles e compreender as situações, outras nem por isso.

Cada dia é um recomeço, cada hora um passo neste caminho da vida. Gostaria de os dar em liberdade, mas a liberdade que vejo nos meus passos, é tentar não sair dos meus valores, e assim conseguir viver em paz.

Ultimamente, tenho-me questionado sobre tudo isto. Liberdade de sentir que faço um percurso limpo ou liberdade de sentir que fiz o que me apetecia na altura. Saberia eu olhar-me no dia seguinte?

Insatisfeita mas satisfeita ou satisfeita mas insatisfeita? – eis a questão.

Como aquariana, dou por mim a querer ajudar, sim! Mas o pior é que na maior parte das vezes só desajudo.

Isso de não importar se temos ou não recompensas, no meu caso, é só da boca para fora. No meu intimo, não só quero recompensas como as espero. Mas, se as tenho não sei lidar com elas, sei que não sei receber, sei que não sei ter, sei que não sei ser, sei que não mereço – “Faz-me sentir estranha….”, é verdade.

Mas se não as tiver fico triste como as coisas tristes. Mais comigo do que com o que esperava. Porquê esperar qualquer coisa, se o que fizemos foi de coração! … Mas dou por mim a esperar, e esse facto não o posso negar, só posso tentar corrigir.

As vezes o que espero é tão pouco, só um simples obrigada, só um simples olhar cúmplice, só um pouco de atenção, as vezes simplesmente e só um abraço carinhoso. Um momento só meu, só para mim, uns segundos bastavam, mas teria de os sentir só muito meus. Egoísta?

Assim este meu “só” é muito, é tanto que é impossível alguém o conseguir dar.

“Só” fica assim perdido entre tristezas e lágrimas de quem não consegue estar “só”.


“Há pessoas que nos falam e nem as escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam.Mas há pessoas que, simplesmente, aparecem em nossa vida e que marcam para sempre...”

(Cecília Meireles)


Nada me parece mais perfeito.

Realmente “Há pessoas que nos falam e nem as escutamos”, Realmente “Há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam” e realmente “Há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e que marcam para sempre…”, seja por bem ou seja por mal.

“Chuva”, cantado por Marisa - Fado que tantas vezes e em tantas ocasiões pareceu e parece ser cantado só para mim e que tem tanto a ver com o que acima foi escrito.




“Chuva“

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade”

(Mariza/Chuva)

(Agora e aqui por razões bem diferentes, mas tão sentidas como da primeira. Perder qualquer coisa, é mau, perder o que se gosta é muito mau)

3 comentários:

ana v. disse...

É sempre tão bom ver (ou ler, neste caso) a honestidade e a transparência. Não mude, Sum.
beijinho

Júlia Moura Lopes disse...

beijinho, Sum :-)



faço minhas as palavras da Ana
bom fim de semana

sum disse...

Obrigada Ana e Júlia.
Sabe bem vê-las por aqui.