segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Eu ainda sou do tempo em que ...


“Ontem desliguei-me, hoje apaguei-te…”

Estas são algumas palavras utilizadas nos dias de hoje. Não que ontem não fossem utilizadas, mas tinham um significado diferente, um significado inspirador de certa forma romântico se não mesmo poético.

Ontem apagávamos ou tentávamos apagar as coisas da nossa alma, da nossa memória principal, daquela que sente, que vive, que distribui os estímulos, que nos faz estar vivos.

Hoje apagamos literalmente as coisas nas n memórias existentes na nossa vida. Hoje desligar ou apagar é mesmo desligar do mundo, apagar dos supostos auxiliares da nossa memória, aquelas que praticamente a substituem.

E é estranho porque de cada uma que apagamos, de cada uma sentimos um bocadinho de nós a ir embora. Como se já não fossemos capazes de reter na outra memoria cada sentimento, cada momento. Como se um número de telefone, a data dos anos, uma conversa fosse a coisa mais importante do mundo.

As prioridades mudaram!?

Os sentimentos estão-se a perder em relação às outras memórias. Deixou de se reter cheiros, sensações, emoções, flashes, cartas, olhares, passou a guardar-se telefones, conversas, mails.

E o pior é que a sensação da primeira vez, que é a importante, deixou de contar. Perde-se no tempo, perde-se na repetição, perde-se na disposição com que se enfrenta a situação na segunda, na terceira, na quarta vez que ouvimos, vemos ou lemos. Recorremos às memórias para relembrar e ”re-sentir” os sentimentos que um dia tivemos ao ler, ao escrever ou a ver determinada coisa. Esquecemo-nos porem de que cada dia é um dia, cada hora é uma hora e aquilo que sentimos da primeira vez pode ser construído e reconstruído, ou mesmo constituído de forma diferente.

Mas a mim ensinaram-me que não há amor como o primeiro e por isso nunca há vez como a primeira vez.

2 comentários:

Marisa Ferreira disse...

Eu também concordo. Existe sempre uma magia do primeiro amor... nunca me esquecerei... O mundo não pára, as coisas mudam, os tempos são outros e nós, vamos ficando para trás.. =)

sum disse...

o Mundo não pára, mas o primeiro fica sempre :)