sábado, 31 de janeiro de 2009

A minha Avó




Faz hoje um ano que morreu a minha Avó e faz hoje um ano que sinto que a vida, que parecia tão fácil ao lado dela, se desmorona a cada segundo.

É estranho a falta de sentimento com que todas estas palavras me saem, a frieza com que penso neste assunto, é estranho não correr uma lágrima, é estranho não sentir o estômago apertado e a boca a seca, é estranho não sentir o frio do vazio que tenho, é estranho não querer viver esta situação.

Foi com ela que aprendi que chorar fazia bem, que rir fazia ainda melhor. Mas hoje, nem rir nem chorar. E este nada é sufocante …

A minha Avó tocava piano, falava francês e ria. Era bem-disposta, muito bem-disposta. Tinha um sentido de humor fora do vulgar. Mas não era só isso que a distinguia das outras Avós, era também a capacidade que tinha de passar por esta vida com leveza. Ria e chorava com facilidade e com as coisas boas da vida, dormia quando as coisas não estavam fáceis, ralhava com um sorriso nos olhos, e tinha sempre um refrão de uma música debaixo da língua que cantarolava pela casa. Os afazeres eram feitos a seu tempo em compassos de dança harmoniosos.
Ao lado dela a vida parecia tão fácil!!!

Todos nós fomos impactados com esta realidade e todos nós sentimos a falta que ela nos faz, mas nem todos nós aprendemos a estar na vida como ela estava…


6 comentários:

Júlia Moura Lopes disse...

Querida Sum, a sua avó era igualzinha à minha Vai ver que estão rindo tocando piano juntas.
O tempo tudo cura, os sentimentos de dor são mutáveis, mas nem por isso menos profundos.
beijo meu

sum disse...

:) È verdade o tempo tudo cura, e o meu tempo chegará!!
Beijo

Mike disse...

A vida parece sempre tão fácil ao lado de quem sabe viver e de quem sabe o que quer da vida, Sum. Veja as coisas assim: legado também é isso, basta estarmos atentos. :-)

sum disse...

Estou a tentar com muita força, Mike. :))

M.Júlia disse...

Deve ser bom ter, ou ter tido uma avó. Quando nasci só havia uma avó viva e que morreu quando eu tinha 3anos. Desconheço infelizmente esse tipo de recordação. Hoje tenho uma neta, e espero que ela me consiga recordar um dia, com uma certa ternura e não ser como eu fui, uma orfã de avós.
Uma boa semana!

sum disse...

Tem razão M.Júlia. Não é bom é optimo.Eu conheci os 4 avós e 3 bisavós. Deixam marcas boas. Tornam-nos suaves. Mas depois, nestas alturas as saudades apertam e parece que esquecemos tudo que o aprendemos. :))
Um beijinho e Boa Semana