quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Foi com muito orgulho


O ponto alto de ontem: dei sangue.

Ponto alto do dia ser dar sangue até a mim me faz rir. Mas é verdade. Foi mesmo o ponto alto do dia, da semana ou até mesmo do mês.

É uma história que já vem de longe e que vem sendo alimentada ao longos de todos estes anos por variadíssimos veredictos desfavoráveis.

Em tempos os meus tios e o ,eu Pai pediram-me para dar sangue. A minha Avó de Pai estava muito doente e precisava de uma transfusão. Segundo parecia o meu sangue era compatível com o dela. Acontece que depois de análises, questionários, assinaturas, etc, o médico optou por não me deixar dar o meu contributo. 
Ao que consta, um antibiótico tomado foi o culpado. Este episódio teria corrido mais ou menos bem, não fosse a minha Avó ter morrido por essa altura sem ter feito a transfusão.
 
Ora, não que me sinta directamente culpada mas lá que fiquei com uma comichão atrás da orelha, não posso negar.
A partir daí tentei inúmeras vezes dar sangue, mas nunca fui aceite, por esta ou por aquela razão. Comecei a achar que era a minha sina, querer tanto e não conseguir. A minha frustração foi crescendo, até que um dia decidi, cheia de convicção, ser dadora de qualquer coisa. Dirigi-me ao banco de dadores de medula óssea. Sorte das sortes, depois da parafernália de perguntas e exames, lá me acharam apta e fiquei registada no banco. Que orgulho que eu senti de mim!

Dar sangue tornou-se num assunto tabu.

Até que um dia, numa das muitas iniciativas da minha empresa, apareceu uma equipa do Instituto Português do Sangue para fazer recolhas. A medo aproximei-me, mais uma vez respondi à catrefada de perguntas exigidas, sujeitei-me aos exames impostos e fui à consulta obrigatória ouvir o veredicto final. Para meu espanto a médica disse que eu estava apta para ser dadora. Fiquei momentaneamente sem reacção, meia incrédula e com os olhos cheios de lágrimas. Finalmente tinha conseguido. Nesse dia, verdadeiramente feliz, festejei, sozinha mas festejei. 

Hoje voltou a acontecer. Foi com orgulho que me deitei naquelas camas e assisti, nervosa, a todo o processo, do princípio ao fim, sem fechar ou desviar os olhos. 

6 comentários:

Mike disse...

Saiba a menina que este seu comentador já foi dador oficial dos Hospitais Civis de Lisboa. Não, não estou a desconversar, desta vez. Hoje já não tenho idade para o ser (1/2 litro de 3 em 3 meses). Sabia que faz bem à pele e é regenerador? :-)

sum disse...

Caramba que orgulho que eu tenho no meu comentador preferido!!! :)
De 3 em 3 meses não deve ser pêra doce!
Sabia que era regenerador, já que fazia bem à pele fiquei agora a saber. Só não percebo porque é que a minha não ficou melhor! (risos)
Pode ser que ainda fique!
:D

Luísa disse...

Bravo, Sum! Se todas as nossas «fixações» na vida tivessem essa qualidade... :-)

sum disse...

Oh Luísa, primeiro que tudo, é uma honra tê-la por aqui! :)
E agora sim, obrigada pela felicitação!

mike disse...

Hum... hã?... porque só começou a dar agora... aos 30 anos já é um bocado tarde, Sum. ;-D

sum disse...

Humm! Está bem, está bem!...
Entendido! Fico só pelo regenerador. ;) (risos) e já não nada mau... :D