domingo, 7 de março de 2010
Saber dar
É importante para mim, que me aceitem como sou e que aceitem o que dou nos meus tempos e na minha vontade.
Nem sempre acontece, ou quase nunca acontece. É um esforço grande para conseguir reagir a estas decepções sem criar defesas negativas.
Mas, saber dar é também saber aceitar a rejeição, custe o que custar a vida é mesmo assim…
Aprender é o lema, aceitar é o grande desafio!
sexta-feira, 5 de março de 2010
Coisas minhas

Há coisas, pessoas, momentos e palavras que eu sinto como minhas e só minhas.
São coisas que têm a ver com as minhas recordações, com as minhas vivencias, com as minhas emoções com a minha sensibilidade, com a minha cabeça, o meu coração e a minha alma.
São coisas minhas e só minhas porque por mais que eu tente contar nunca ninguém vai conseguir perceber nem sentir o que eu alguma vez senti, ou compreender o que eu alguma vez compreendi, ou sonhar como alguma vez eu as vivi. Isso faz com que essas coisas, essas pessoas, esses momentos, essas palavras sejam minhas e só minhas
Por outras palavras, essas coisas foram, são e serão minhas, independentemente de algumas já nem existirem, já terem morrido, já não serem ou de já não as sentir. Dentro de mim todas elas têm um valor muito especial e sempre terão, quanto mais não seja por serem uma parte de mim.
Mas também é certo que tudo o que senti e vivi, são coisas que ficaram lá. Lá, onde estão e onde sempre estiveram e de onde nunca deverão sair sob pena de se perderem e de deixarem de ser os meus sonhos bonitos.
Não há nada a temer. Não estou a procura do antigamente, até porque ele já não existe. O que eu conheci, não é certamente o que está aqui hoje. Mas são, com toda a certeza, coisas pelas quais eu tenho um carinho muito especial, independentemente do que se tornaram.
Será que um dia alguém vai entender tudo isto? Será que quem fez parte de todas estas coisas um dia, se eu disser vai perceber, guardar, cuidar e proteger tudo o que estou a dar? Será que conseguirá perceber que o que dou é o bocadinho de mim onde cada coisa e cada pessoa é especial?
Gostaria de pensar que sim.

Não sei o que me deu para escrever isto hoje. Talvez porque hoje acordei neura, neura como há muito tempo não estava. Deve ser do tempo. E quando assim é, vou ver o mar e quando vi o mar …
Pois é, hoje estive lá algum tempo a ver os pingos de chuva a cair nas ondas e a pensar que os meus pequenos problemas são como os pingos de chuva. Eles são tão pequenos que quando caem nas ondas deixam de se distinguir de tantos outros e isso fez-me ver que eles são muito pequenos em relação aos do mundo! Soube-me bem.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Outra Margem de Mim
"É muito tempo a desejar o tempo
De mudar ventos, levantar marés
É muita vida a desejar o alento
Que faz saber ao certo quem és
É funda a toca onde te escondes tanto
Tem a distância entre o silêncio e a voz
A vida rasga bocadinhos gastos do mundo
Vai descascando até chegar a nós
A tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salva
Do que o medo fechou
São muitos dias a perder em vão
Sem nunca entrar dentro de um labirinto
É muita vida a não ser o que tu sentes
A planar sobre o que eu sinto
É quase noite, não te escondas mais
Vai desatando até entrar o ar
Dá-me um gesto que me diga o teu fundo
Uma palavra para te tocar
Tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salve
Do que o medo fechou
Tu que sabes tanto do sol
E és uma de outra margem de mim
Olha-me dentro como chão que me agarre
Pode ser esta noite quente
A estrada aberta mesmo à nossa frente
A tu e eu a descobrir o ar
Não é preciso correr
Não é urgente chegar
O que é preciso é viver "
(Mafalda Veiga)
“Não é preciso correr
Não é urgente chegar
O que é preciso é viver "
Cada vez me convenço mais de que é preciso VIVER e de viver com letra grande.
Não é virar as costas a toda a gente, não é querer ser feliz por ser.
É viver sem pressa de viver, saboreando cada bocadinho, tirando cada detalhe, enfeitando cada momento.
Não, não é preciso correr.
Não, não é urgente chegar.
Mas é preciso ir vendo e sentindo.
É preciso caminhar lado a lado com o que vamos encontrando.
É preciso ir explorando, retirando, entregando os nossos passos, ir construindo os nossos sonhos e chegar sem desatino ao nosso destino. Sem pressas, sem inquietações, de peito cheio e coração aberto.
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Apontamentos
"A abelha atarefada não tem tempo para a tristeza."
(William Blake)
Mudanças
Quando eu era pequena, eram raras as vezes que me liam histórias, mas eu lembro-me que uma vez a minha Avó me começou a ler “Os Desastres de Sofia”.
Na mesma história eu conseguia rir e chorar, ficar zangada, ser benevolente, e perceber o porquê de se conseguir desculpar tanta asneira. Em suma, de ver nas entrelinhas todas os ensinamentos que nos pretendiam passar: a bondade, a razão, a dádiva, o amor prevaleciam sobre tudo.
Mais tarde li por mim, “As Meninas Exemplares, As Mulherezinhas, Os Oito Primos e até na Dona Redonda, O Principezinho” ,O Colégio das Quatro Torres, As Gémeas no Colégio de Santa Clara, e tantos outros que nos ensinavam tantas coisas boas, bonitas, simples, ….
Imagino que todos estes filmes da Disney, Bamby, Rei Leão, Dumbo, Peter Pan, bem como todos os livros de que falei, foram para nós aquilo que as pinturas das igrejas foram para os analfabetos católicos.
Ensinavam-nos a vida, a beleza, o sentimento, a bondade, a partilha, a entreajuda, eu sei lá a quantidade de coisas que nos incutiam. Sei que conseguíamos ser crianças saudáveis que dão, partilham, são humildes, olham à sua volta, sentem e ressentem-se, são fortes na sua essência, caem e não choram, dão e não sentem que estão a perder, ajudam os amigos, não os abandonam mesmo que a situação seja dura.
Tantas vezes tentei passar estas coisas aos meus filhos. Tenho todos esses livros, todos esses vídeos, eu li histórias, eu contei-lhes tantas coisas que me contaram a mim!
Até que um dia percebi que a vida não é o que era, a lei da sobrevivência hoje, não é a de ontem.
Hoje, ensinamos a agressividade, a luta, a concorrência, a exigência em forma de egoísmo, a felicidade imediata, o isolamento, o consumismo…
Por mais que me custe e que saiba que tudo isto não é o que nos dá a felicidade duradoura e eterna, não posso estar sempre a remar contra a maré.
Felicidade
"Felicidade! É inútil buscá-la em qualquer outro lugar que não seja no calor das relações humanas... Só um bom amigo pode levar-nos pela mão e nos libertar."
Antoine de Saint-Exupéry
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Perder-te
"Por te falar eu te assustarei e te perderei? Mas se eu não falar eu me perderei, e por me perder, eu te perderia."
Clarice Lispector
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