domingo, 26 de outubro de 2014

Quem feio ama bonito lhe parece

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A imagem das pessoas que estão ao nosso lado muda ao longo dos tempos e dos dias. 
Para ser mais precisa, pode mudar mesmo de uma hora para a outra.

Elas tornam-se mais bonitas ou mais feias conforme os seus gestos, os seus actos, a sua atitude, a sua maneira de estar e de tratar, de dar, de receber, de dizer...
A bem dizer a beleza de cada um, por mais que se não queira, vem de dentro, bem de dentro. 
Este processo é muito presente mas muito pouco consciente.

Apercebemo-nos disto no nosso dia-a-dia, mas o nosso subconsciente não nos revela estas realidades assim tão minimalisticamente: - Ah e tal, hoje pessoa tal está mais bonita ou mais feia por causa daquela atitude, gesto ou conversa.
Não, estas cenas reflectem-se directamente no coração e o coração transforma a nossa percepção imediata. Sim, é imediata. É imediata porque há mais luz ou menos luz nas nossas vidas nesses precisos momentos. 
Mas nem sempre esta luz é aproveitada da melhor maneira por parte de quem a dá conscientemente. Mas isso são outras andanças.
 

O facto é que de vez em quando temos surpresas e de um dia para o outro, uma pessoa muito bonita, de repente, vira feia e uma muito feia vira linda. 

Já dizia a minha avó que "quem feio ama, bonito lhe parece".

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Presente

 
 
“Existe apenas uma idade para sermos felizes, apenas uma época da vida de cada pessoa em que é possível sonhar, fazer planos e ter energia suficiente para os realizar apesar de todas as dificuldades e todos os obstáculos. Uma só idade para nos encantarmos com a vida para vivermos apaixonadamente e aproveitarmos tudo com toda a intensidade, sem medo nem culpa de sentir prazer. Fase dourada em que podemos criar e recriar a vida à nossa própria imagem e semelhança, vestirmos-nos de todas as cores, experimentar todos os sabores e entregarmos-nos a todos os amores sem preconceitos nem pudor. Tempo de entusiasmo e coragem em que toda a disposição de tentar algo de novo e de novo quantas vezes for preciso. Essa idade tão fugaz na nossa vida chama-se presente e tem a duração do instante que passa.”
—  Mário Quintana.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Duas Vidas


Hoje compreendi na perfeição o excerto do poema de Fernando Pessoa.

«Temos todos que vivemos uma vida que é vivida e outra vida que é pensada.»

Eu tenho de facto duas vidas.

A nossa vida vivida, é tão simples!
É a que é e, nada mais.
A nossa vida pensada, dá-nos a sensação de que o mundo é todo nosso, cria-nos um sentimento de insatisfação e muita pressa de viver.
É uma vida muito mais delicada. Nela cabem todos os nossos sonhos sonhados, o que somos, o que não somos, o que gostaríamos de ser e todo um sem número de pensamentos, desejos e quereres.
Ao contrário do mundo vivido, é um mundo grande, cheio, vivo, imbuído de esperança e de ilusões. Dá-nos coisas que não conhecemos, ensina-nos tudo o que não sabemos e alimenta a nossa outra vida. 
Chegamos a ter certezas e sentimentos sobre tantas coisas que não vivemos…

A vida vivida é ou pode virar, um parasita que se alimenta da vida pensada. É preciso ter cuidado e não deixar que a pensada se sobreponha à vivida porque para todos os efeitos, a vivida é a que verdadeiramente vale e é nossa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

O que tem de acontecer, acontece




As coisas quando têm de acontecer, acontecem e ele há coisas que eu tenho a certeza que vão acontecer na minha vida!

Parando para pensar, até é um bocado estranho, estar a dizer isto assim. 

Como ter a certeza se a vida é uma incerteza?

O facto é que sinto, vem de dentro, não sei dia nem hora, não sei onde, nem sei tão pouco se será nesta vida. Mas sinto, não tem explicação! É como o nascer do Sol em cada dia é como as fases da Lua em cada ciclo. Acontecem, sabemos que estão lá. 

A calma é aquela de quem sabe que a coisa é certa. 
A espera não agonia! Mas o coração manifesta-se e bate a cada passo. 

"Talvez eu não chore, mas doí. Talvez eu não diga, mas eu sinto. Talvez eu não mostre, mas me importo." 
Clarice Lispector

quinta-feira, 17 de julho de 2014

É com as coisas pequenas que aprendemos as grandes.


É com as coisas pequenas que aprendemos as grandes.

É num beijo, num silêncio, num abraço, é num olhar e num sorriso, numa expressão, numa palavra, na cumplicidade, num gesto, num passo, num gosto de ti que aprendemos a amar.

E digo amar no verdadeiro sentido da palavra. Aprendemos a estar, a compreender, a respeitar, a olhar, a sentir, a cuidar…

São pequenos nadas da convivência que formam um todo. São com estes pequenos nadas que vamos aprendendo a encaixar-nos, são com estes pequenos nadas que vamos abrindo novos espaços dentro de nós.

Os pequenos gestos formam os alicerces dos grandes sentimentos.

Em sonho, tudo o que quero pertence-me.


Em sonho, tudo o que quero pertence-me. 

Tudo o que desejo é meu, tudo o que exijo, tenho. Tudo, mas tudo mesmo acontece como previsto e pode ser mudado a meu belo prazer, como peças de xadrez e de acordo com o jogo que é jogado no momento.

Adoro sonhar! Adoro alimentar o sonho e sonhar mais alto.

Pois bem, descobri que um sonho realizado é como um doce dentro de um recipiente de vidro difícil de abrir e que depois da primeira colherada se esborracha no chão, partindo-se em mil bocadinhos diferentes, deixando na boca um trago amargo do que foi experimentado e não teve tempo de ser saboreado. A digestão, essa fica difícil só de ver o que é bom ali aos nossos pés sem se conseguir aproveitar nadinha e, ainda, ter o trabalho acrescido de limpar os restos feios do que foi bonito e bom.

Diga-se a bem da verdade, que é um sentimento um tanto ou quanto estranho e frustrante. 

Mas há uma cerejinha no topo do bolo, a memória do que se provou. Bom! Muito bom! 

Mas o que foi já não é mais e o sonho antigo também já não volta.

Assim, resta-nos a substituição por um outro sonho. Alias é imperativo e inevitável. É a unica forma de se conseguir ultrapassar a frustação do anterior.

Que venham todos os sonhos do mundo, porque esses sim, não traem, não se estragam, não se vão embora, não viram as costas. Respondem, são previsíveis, confiáveis, saboreiam-se o tempo que se quiser, não caem, não se partem em mil pedacinhos.

Neste momento deixei de saber se quero que os meus sonhos se realizem.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O sorriso, esse, foi inevitável!


Já lá vão uns anos valentes.

O tempo passa rápido e deixa um rasto de recordações e emoções em forma de músicas, imagens, cheiros, cores, gestos, gargalhadas, palavras, paisagens e outros estímulos que neste momento não me vêm a cabeça, mas que quando são accionados libertam uma quantidade de sensações e sentimentos que arrepiam.

Às vezes deixo-me ir atrás desse rasto, ando para trás tanto quanto posso e devo e, percebo a importância que cada pessoa ou coisa tem na minha vida.

A intensidade das recordações é medida pela intensidade das emoções sentidas.

A balança entra em campo. Às vezes tenho de me forçar a abandonar o forward. A dor da felicidade vivida é grande demais e a saudade rebenta como fogo de artifício. Não sabemos se havemos de rir ou chorar, as emoções baralham-se na beleza brutal de cada momento revivido. Outras vezes dá prazer continuar e sentir o alívio de já não sentir dor nenhuma e encontrar na saudade o melhor dos sorrisos.

Assim quero lembrar, relembrar e “trilembrar”. Faz-me sorrir, chorar, sentir viva, faz-me ter vontade de continuar a angariar momentos que me façam vibrar. Percebo mesmo que cada sorriso dado angaria outros dois.

Hoje, em forma de música, surgiu um ano de desordens e reencontros. E atrás da música veio o mar, o sol, a areia, as conchas, a brisa de uma manha de verão à beira do mar, o vento de fim de tarde a bater na pele queimada do sol, o corpo leve sem roupa, a sombra de uma árvore, o cheiro do mar, das flores, figos acabadinhos de colher da árvore e tantas outras coisas… Tantas coisas boas! O sorriso, esse foi inevitável!