Cheguei
Cheguei ao meu recanto.

Este é o meu cheiro, o cheiro que me põe louca, esta é a minha paisagem, a paisagem por que me apaixonei, estes são os sons que me seduzem, a paz que me acalma.
Os vários tons de verde, a terra sarapintada de oliveiras, os badalos das ovelhas, as flores, os cantos dos pássaros, as vozes das crianças livres de prédios e de cidades, tudo nesta terra me encanta, até os tiros dos caçadores, até o ruído do vento embrenhado nos eucaliptos, até os estalos da madeira do telhado, até o ranger do cata-vento que me acorda todas as noites, todas as manhas, todos os fins de tarde.

Sente-se o descolar do pássaro do telhado, a folha da buganvília que cai no parapeito da janela, as ervas a dançar lá fora, o limão que cai da arvore, a aranha que teia sem fim no alto da laranjeira, sente-se até o rastejar lento de uma cobra que passa calmamente sem pressa nem sustos.
Definitivamente este canto nasceu para mim e eu nasci para ele. Nele eu sou gente, nele procuro as minhas respostas, nele me encontro. É aqui que me sinto protegida, que amo e me sinto amada. Faço parte desta natureza, pertenço a este quadro e ele pretence-me. Vibro com esta cor.