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quinta-feira, 28 de abril de 2011

Coisas da Vida


Hoje passou mais um marco na minha existência sem ter sido programado, nem pensado. Mais um assunto finalmente falado, arrumado na minha cabeça e guardado no meu coração com a serenidade merecida, já que certezas não existem. Falaria eternamente e continuava a falar, porque sobre alguns assuntos não existe morte, ainda ficou tanto por dizer! Mas o que foi falado já sossegou muito do meu espírito. Não deixa de ser triste, não deixa de ser expectante. Fechar assuntos significa fechar etapas e fechar etapas significa começar outras. Ora tanto acabar, como começar qualquer coisa que seja, para mim, é uma complicação. É problemático fechar porque sou casmurra, é crítico começar porque acreditar é extremamente difícil, o medo fede, mas há sempre aquela curiosidadezinha que nos empurra para a frente.Venha ela!

terça-feira, 23 de março de 2010

Coisas boas


Embora recomeçar outra vez. Cada dia é um dia e em cada dia há uma oportunidade de recomeçar outra vez. Esta é talvez das coisas boas que Deus nos deu.

sábado, 17 de janeiro de 2009

É bom saber!


Hora de reagir, hora de levantar e ir à luta.

Deixar de ter pena e avançar.

Há coisas bem piores. Vai sendo tempo de arregaçar as mangas e de enfrentar os novos desafios, com cara lavada e um sorriso.

Sorriso, porque aprendi que dentro de mim tem gente, dentro de mim há vontade muito grande de ser eu e um Eu com letra grande.

Sorriso, porque chego à feliz conclusão que tenho amigos e que estes se preocupam comigo.

Sorriso, porque me senti acompanhada e, empurrada e, mimada e, querida e, abraçada.


É bom saber!!!

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ano Novo


Este primeiro dia do ano merece muito mais do que o que eu vou conseguir escrever. Ainda assim arrisco:

Hoje foi um dia de introspecção, não só pelo facto de estar com sono e cansada, como por ser o começo de um ano.

Uma das boas coisas de um ano novo é que tudo pode ser novo mesmo. Podemos começar dias perfeitos e fazer um ano perfeito. Foi assim que comecei o dia. Dormi pouco, é certo, mas dormi muito bem. Acordei de um sonho lindo e quase perfeito com o barulho da chuva a cair e o cheiro a café, acabadinho de fazer. Olhei pela janela e as nuvens que faziam chover contrastavam com algumas abertas por onde se podiam ver os raios de sol a sair. Gosto destes dias, parece que se acentuam os contrastes. As cores realçam as formas e o fundo fá-las sobressair.


Arejei casa, preparei a lareira, arrumei tudo assim por alto, e estendi-me a beber o meu cafezinho, de olhos semi-fechados e a ouvir todos os barulhinhos deste lugar mágico. Não sei o que imaginei, não sei o que pensei, só sei que ouvi e senti tudo. È o que chamo estar oca. É um estado a que me permito frequentemente, principalmente após noitadas e/ou ressacas.

Este momento, não durou eternidades, não fora a catrefada de crianças que por cá rodam. Começaram lentamente a acordar e a aparecer de cada canto da casa. Cada uma com a sua característica matinal acentuada pelas poucas horas de sono dormidas.

Raspei-me com prontidão e só voltei quando as hostes se acalmaram, deu-me tempo para me arranjar, arrumar o quarto, encostar-me à janela e olhar lá para fora, tirar uma fotografia a um ninho que estava bem na minha frente, sentar-me em cima da cama e ver as fotografias da noite anterior, apreciar, relembrar e consolidar algumas passagens da noite.



Hoje mais uma vez não deu para passear. Mas o dia passou calmamente. Uns dormiam, outros petiscavam, outros ficavam parados em frente à lareira sem pestanejar, outros tentavam jogar jogos de estratégia sem qualquer desenvolvimento e outros ainda deram umas “cabeçadas” valentes com o jornal na frente.

Eu sentada no meu canto da sala em frente ao computador, fui-me acercando de cada passo dado, divertindo-me com toda esta movimentação parada. Descarreguei fotografias, li as gordas dos jornais diários, reli algumas passagens do meu blog com atenção e, mal acreditei ter sido eu a escrever algumas coisas que li.

Fiquei contente, apesar de muitas calinadas houve coisas que gostei e até me orgulhei.

Olhei muito para dentro e olhei muito à minha volta, vi muita família, muitos amigos, boa disposição, uma mão cheia de coisas boas…

Estes próximos dias serão dias de balanço, tal e qual como o supermercado de Serpa. E os seguintes vão ser para fazer alguns planos para 2009, as famosas listas. Não vão extensas, vão ser de qualidade. O coaching pessoal que se avizinha vai ser levado muito à séria e o objectivo vai ser definido nestes próximos dias.

Uma das coisas boas de um ano novo é esta vontade de ter, fazer e conseguir coisas boas.

Este ano vai ser grande e eu vou apostar muito de mim nele.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Uma flor amarela


Estamos sempre a aprender. Aqui fica mais uma migalha, um grãozinho para ir enchendo o papo. Podemos não morrer de papo cheio, mas vazio também não há-de ir.

Uma flor amarela é só uma flor amarela?...

Delícia de palavras!

Não só pela forma como são expostas como pelo que contêm. De uma simplicidade assustadora e tanta sabedoria. Que me perdoem os que percebem destas coisas, mas não encontro palavras, no meu vocabulário, que consigam explicar melhor o que sinto quando as leio, nem que exprimam melhor o que, hoje, consegui tirar delas.

Estas palavras ensinaram-me, e eu aprendi, que o meu saber de hoje não é igual ao meu saber de ontem.

Estas palavras ensinaram-me, e eu aprendi, que hoje não penso o mesmo que pensei ontem, nem faço o mesmo que fiz ontem, não digo o mesmo que disse ontem e não gosto do mesmo que ontem gostei.

Estas palavras ensinaram-me, e eu aprendi, que as intensidades do que eu senti hoje também não são as mesmas intensidades dos sentimentos de ontem.

E assim, eu aprendi que todos os dias somos mais qualquer coisa que ontem não fomos e que, por isso, hoje já não sou a mesma pessoa de ontem.

Hoje, o mais importante nesta aprendizagem é que, todos os dias podemos escrever o nosso dia desse dia, pois cada dia é um dia novo da nossa vida. E temos tantos dias quantos os dias da nossa vida para viver e modificar aquilo que queremos e precisamos.

Amanha… Logo se vê!

(mais uns pozinhos)

domingo, 24 de agosto de 2008

Reentré


Ai! Hoje estou eléctrica.

Ainda não fiz nada de jeito, nem deixei fazer.

Comecei a arrumar a casa, e deixei-a toda de pantanas. Deitei tanta coisa fora que estou prestes a correr para o caixote do lixo, atrás de um passado que dentro de algumas horas parte para reciclagem.

Aprender com o que passou e aproveitar o que teve de bom, é um dos objectivos desta reetre. Doa a quem doer.

Este ano vim de férias com uma certa força. O frio, o vento, e os banhos de mar agitado, fizeram-me acordar para a vida. Diria mesmo que vim como uma espécie de furacão. Já tenho uma quantidade de coisas para fazer na minha lista de afazeres este ano. Resta saber de quantos anos preciso para a terminar! Mas isso será outra Primavera!

Estas listas são boas por um lado, e más por outro. Boas porque não nos deixam esquecer as coisas que temos para fazer e as que em determinada altura foram importantes - por isso têm maior probabilidade de o ser ao longo do ano, e más porque nos deixam logo com níveis de stress elevados - tanta coisa por fazer que deixamos logo de ter tempo para pensar no que realmente gostamos.

Assim, para colmatar este erro de palmatória já resolvi, neste meu ciclone de pensamentos, que vai haver uma segunda lista. Esta, em vez de ter aquelas coisas que se têm de fazer, e que dão pelo nome de obrigações, vai ser substituída, por uma lista de coisas agradáveis e que eu gostaria tanto de fazer ou ter.

A experiencia diz-me que as coisas boas são mais difíceis de lembrar, no dia-a-dia, do que as obrigações. À que precaver.

A lista de obrigações já está dobrada em quatro e enfiada numa das gavetas que hoje ficou livre e desimpedida, e já comecei a lista de coisas boas que vai ficar, depois de acabada, pendurada no frigorífico com um íman, bem à frente dos meus olhos de todas as manhas. Agora disciplina!

Falta só testar a eficácia desta decisão que me parece tão boa!

Ah Bem! Ainda há aquela dificuldade em fazer a lista do que queremos.

Slow down, Sra. D. Sabe Tudo, isto não é uma lista de pedidos ao génio da lâmpada, nem de desejos como as fitinhas do “Bom Fim”, isto é mesmo uma lista de coisas que podemos fazer e como tal não vale pôr coisas do género, hoje quero ser princesa, quero que todos me olhem com admiração, prazer e desejo; ou, não vou trabalhar esta semana porque quero ir tomar o pequeno almoço a NY city com uns amigos. É mais do tipo, corpo são, mente sã e vice-versa.

Há regras, logo no inicio da lista:

Todas as regras devem ser realizaveis mas pode haver umas um bocadinho mais ambiciosas.

1- Tem de ser cumprida pelo menos uma coisa boa por dia, mas de preferência duas ou três;
2- Só vale ter 1 caída por mês, breve e pouco profunda de preferência;
3- (caso falte alguma coisa importante e que me tenha esquecido).

Assim, muita música, muitas caminhadas, muitas leituras, muitas coisas de mãos para distrair a cabeça e muito convívio, listas q.b. e muita vontade já é uma boa base de começo.

sábado, 7 de junho de 2008

Hay,


Gostaria muito de saber o que se passa e o que anda nesta minha cabeça. Talvez seja esse o grande mistério da vida. E talvez seja mesmo o que nos faz agarrar a ela.


Gosto da frase que enviou, reconhecia-a em mim.


“Recomeça… se puderes, sem angústia e sem pressa e os passos que deres, nesse caminho duro do futuro, dá-os em liberdade, enquanto não alcances não descanses, de nenhum fruto queiras só metade.”

(Miguel Torga)

Todas as fases são uma fase e todas elas diferentes entre si. Umas mais, outras menos. Umas, conseguimos reconhecer alguns pontos, agarrar neles e compreender as situações, outras nem por isso.

Cada dia é um recomeço, cada hora um passo neste caminho da vida. Gostaria de os dar em liberdade, mas a liberdade que vejo nos meus passos, é tentar não sair dos meus valores, e assim conseguir viver em paz.

Ultimamente, tenho-me questionado sobre tudo isto. Liberdade de sentir que faço um percurso limpo ou liberdade de sentir que fiz o que me apetecia na altura. Saberia eu olhar-me no dia seguinte?

Insatisfeita mas satisfeita ou satisfeita mas insatisfeita? – eis a questão.

Como aquariana, dou por mim a querer ajudar, sim! Mas o pior é que na maior parte das vezes só desajudo.

Isso de não importar se temos ou não recompensas, no meu caso, é só da boca para fora. No meu intimo, não só quero recompensas como as espero. Mas, se as tenho não sei lidar com elas, sei que não sei receber, sei que não sei ter, sei que não sei ser, sei que não mereço – “Faz-me sentir estranha….”, é verdade.

Mas se não as tiver fico triste como as coisas tristes. Mais comigo do que com o que esperava. Porquê esperar qualquer coisa, se o que fizemos foi de coração! … Mas dou por mim a esperar, e esse facto não o posso negar, só posso tentar corrigir.

As vezes o que espero é tão pouco, só um simples obrigada, só um simples olhar cúmplice, só um pouco de atenção, as vezes simplesmente e só um abraço carinhoso. Um momento só meu, só para mim, uns segundos bastavam, mas teria de os sentir só muito meus. Egoísta?

Assim este meu “só” é muito, é tanto que é impossível alguém o conseguir dar.

“Só” fica assim perdido entre tristezas e lágrimas de quem não consegue estar “só”.


“Há pessoas que nos falam e nem as escutamos; há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam.Mas há pessoas que, simplesmente, aparecem em nossa vida e que marcam para sempre...”

(Cecília Meireles)


Nada me parece mais perfeito.

Realmente “Há pessoas que nos falam e nem as escutamos”, Realmente “Há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam” e realmente “Há pessoas que simplesmente aparecem em nossa vida e que marcam para sempre…”, seja por bem ou seja por mal.

“Chuva”, cantado por Marisa - Fado que tantas vezes e em tantas ocasiões pareceu e parece ser cantado só para mim e que tem tanto a ver com o que acima foi escrito.




“Chuva“

As coisas vulgares que há na vida
Não deixam saudades
Só as lembranças que doem
Ou fazem sorrir
Há gente que fica na história
da história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir

São emoções que dão vida
à saudade que trago
Aquelas que tive contigo
e acabei por perder
Há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

A chuva molhava-me o rosto
Gelado e cansado
As ruas que a cidade tinha
Já eu percorrera
Ai... meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob chuva
há instantes morrera

A chuva ouviu e calou
meu segredo à cidade
E eis que ela bate no vidro
Trazendo a saudade”

(Mariza/Chuva)

(Agora e aqui por razões bem diferentes, mas tão sentidas como da primeira. Perder qualquer coisa, é mau, perder o que se gosta é muito mau)

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Perdi de vez


A ansiedade desapareceu como que por milagre. Hoje a sensação que trago é calma, não dói, não está em ferida, não dá falta de ar.

Um vazio, sim um grande vazio, uma saudade imensa, uma tristeza profunda, mas não dor, aquela dor que nos destrói e nos leva a alma, que nos tira a serenidade, a quietude, essa não tem lugar em mim hoje.

Facto consumado leva-nos a reagir. Será? Ou será que bem cá no fundo não perdi? Bem cá no fundo ganhei algo que há muito tinha perdido. O meu ser, o meu querer, o meu estar em mim, o meu EU. Sentimentos de substituição tão essenciais à nossa sobrevivência e que muitas vezes nós próprios não conseguimos aceitar.

É difícil assumir e admitir que a dor de perder, seja o que for, acaba por ser sempre menor do que a dor que antecipamos. São sentimentos que consideramos menos dignos de um ser humano, por serem egoístas e interesseiros.

Já senti esta acalmia uma vez. Talvez não tão livremente, desta vez posso admitir, sem vergonha e sem sentimentos de culpa.

(Quando se perde de vez uma coisa pode-se ganhar outras. Mas só e tão só quando se perde de vez. Até se perder de vez vai-se perdendo)

Não estou a conseguir. É complicado demais explicar. Mas está cá dentro e um dia sai, assim sem muitas explicações.

Até lá...




"E o caminho para a achar a perfeição e o amor, está dentro de nós.
Procure com a sua compreensão e descubra o que você já sabe. Use, ensine. Passe adiante. E aprenderás a voar"


"Be

Lost
On a painted sky
Where the clouds are hung
For the poet's eye
You may find him
If you may find him

There
On a distant shore
By the wings of dreams
Through an open door
You may know him
If you may

Be
As a page that aches for a word
Which speaks on a theme that is timeless
And the one God will make for your day
Sing
As a song in search of a voice that is silent
And the Sun God will make for your way

And we dance
To a whispered voice
Overheard by the soul
Undertook by the heart
And you may know it
If you may know it

While the sand
Would become the stone
Which begat the spark
Turned to living bone
Holy, Holy
Sanctus, sanctus

Be
As a page that aches for a word
Which speaks on a theme that is timeless
And the one God will make for your day
Sing
As a song in search of a voice that is silent
And the one God will make for your way "
(Cantado por Neil Diamond)



domingo, 30 de março de 2008

Decisões


Tomar decisões sérias e que implicam com os nossos sentimentos, leva o seu tempo, consome-nos e tira-nos anos de vida.

As decisões de que falo são as que nos magoam, só de pensar. São consequentes de situações que se arrastam por vezes durante anos. Andam para trás e para a frente e não as conseguimos deixar de uma vez. Um dia é sim, outro dia é não, mas sabemos de antemão que nada, nem ninguém, nem mesmo toda a nossa vontade, vai mudar o rumo do que tem, inevitavelmente, de acontecer. Estas situações fazem-nos sofrer, fazem-nos tentar mudar, fazem-nos deixar de ser quem somos e consequentemente deixar de ter uma vida.

Faço um paralelo com a minha decisão de deixar de fumar.

Foram anos a pensar no assunto.

Tenho de deixar de fumar.

Naaaa... Nunca vou conseguir! São quase 30 anos de vício, um vício que eu adoro, que me sabe pela vida, quando acabo uma refeição, quando tomo um café, quando converso com um amigo.

Tenho de deixar de fumar.

Fumar faz mal, tem consequências irreversíveis, para além de deixar o cabelo baço e a pele sem brilho, as unhas fracas e de alterar o paladar. Mas como vou conseguir? É preciso ser forte, já não se aguenta o hálito, o cheiro a fumo frio que fica na casa, na roupa, no cabelo.

Tenho de deixar de fumar.

Humm!… Eu gosto tanto, vai ser impossível, posso sempre reduzir, tentar fumar só 10 por dia.

Tenho mesmo de deixar de fumar.

Já está provado que não faz bem, provoca uma série de maleitas que não vêm nada a calhar. Sim, é verdade mas se deixar de fumar o que faço com as mãos? Sempre as mãos. Nunca sei o que fazer com elas. O que me acalma, quando estiver nervosa? O que vou buscar à carteira quando tento disfarçar de alguma coisa? Como paro o meu raciocínio? Como me consigo concentrar? Que se lixe, amanha logo deixo.

E assim se passaram anos. Até que um dia, de mim para mim disse: - Deixo de fumar daqui a 3 dias.

Chorei durante os três dias inteirinhos. E no dia em que deixei de fumar, senti que um mundo inteiro se abriu à minha volta. Até as mãos arranjaram uma ocupação.

Conclusão, foram anos de agonia disfarçada. Anos a saber que deixar de fumar era a única decisão acertada e inevitável. Mas que dor!...

Até ao dia, o grande dia. O dia em que senti orgulho de mim, da minha decisão.

O dia em que toda a minha vontade minimizou a dor do meu pensamento.

Foi preciso muito jogo de cintura, e algumas dicas preciosas.

De todos os bons conselhos que tive, o que mais me ajudou e o que levei mais a sério foi, “As grandes decisões, precisam de grandes mudanças de hábitos”.

Assim, mudei de lado na cama, alterei toda a minha rotina matinal, até o menu do pequeno-almoço. Alterei o percurso da ida para trabalho, as musicas que ouvia, mudei de champoo, de pasta de dentes, de sabonete (os cheiros). Mudei as rotinas. Deixei de beber café.

Mudei um sem número de coisas que me faziam lembrar outro sem número de coisas.

Esta solução ajudou-me de três maneiras, ocupou-me o tempo, a tentar arranjar novos caminhos, abriu-me novas portas, deu-me oportunidade de ver outras coisas, e ao sair da rotina deixei de ter pensamentos habituais.

Aprendi que quando se fecha uma porta logo de seguida se abre outra e mais outra e mais outra. Os horizontes alargam-se. Parece que há um mundo inteiro à nossa espera.

Quando se decide de coração ele abre-se para o mundo.

domingo, 23 de março de 2008

Eu dou, Tu dás


Não tenho ido muito fundo nas minhas observações.

Não sei se é bom se é mau. É só um facto.

Hoje tive uma hora de almoço muito bem passada, foi bom.

Falei muito, como sempre. Mas quanto mais falo mais me percebo.

Já tenho uma percepção de mim muito diferente daquela que tinha à um tempo atrás.

Falar, pensar e escrever têm-me feito tão bem.

Ouvi muito. E quanto mais oiço mais me apercebo que andamos todos longe.

Preciso do que me rodeia para me situar no tempo, no espaço.

Preciso do que me dizem para tentar melhorar.

Preciso de me sentir útil em relação aos outros.

Preciso da minha alma de volta. Preciso de ter calma e presença de espírito para a reencontrar tão equilibrada como quando a deixei.

Não posso sozinha… Sozinhos não somos ninguém.

É bom saber que temos amigos e pessoas que gostam de nós. E o contrário também é valido.

Precisamos de sair de nós e mostrar aos outros o quanto eles são importantes para nós. Que gostamos deles.

Não precisamos de jogos de esconde esconde, de vai ver se eu estou ali. Só precisamos de relações maduras, verdadeiras e sãs. Onde homens e mulheres são apenas seres conscientes de si e humildes na relação. Onde ninguém é de ninguém. Em que a Verdade, o Respeito e a Confiança têm de prevalecer sem rodeios.

O toma lá, dá cá é importante, é o alimento de qualquer relação. Não existe só o dar, também há o receber. Todas as relações têm uma balança e, o equilíbrio dessa balança depende do empenho de cada um. Gostar é fácil e depois?

Eu dou, tu dás, tu dás e eu dou.
Tu dás e eu recebo com um sorriso e consolido com um abraço.
Eu dou e tu recebes com um beijo, que eu retribuo com mil sorrisos.
E se por acaso eu dou e tu recebes sem conseguir dar, basta um simples gosto de ti, e eu dou mais uma vez.
E, quando o contrário acontecer, só espero ter a humildade de aceitar e conseguir dizer, sem me culpar: Eu também gosto muito de ti.

domingo, 2 de março de 2008

Começar de Novo


Ai que estou sem alma!

Outra vez este vazio?

Dizem que é falta de inspiração.

Eu chamo falta de imaginação.

Estou habituada a um diário, muito meu, onde escrevo o que se passou, como e o que se vai passar!

Aqui o assunto não se esgota, é o meu dia-a-dia, esse não falha, tanto pormenor e tanta “opinação”. Tem milhões de coisas escritas que geralmente parecem desemparelhadas e misturadas, mas que para mim são coisas encadeadas, têm uma linha condutora. A linha do meu pensamento.

Ás vezes faz-me lembrar as embrulhadas dos textos escritos por António Lobo Antunes. Só que os dele são dele, e na sua maioria lindíssimos, e chegam sempre a uma conclusão lógica. Já os meus… Coitados!

Mas como eu ia dizendo, ele escreve o que pensa e encadeia os pensamentos de uma maneira pouco habitual de se ver.

A tendência da maioria das pessoas, é para tentar organizar os pensamentos antes de os dar a conhecer.

ALA, não parece nada ralado com esse assunto. Organizar o que não é minimamente organizável, não tem razão de ser. É preciso explicar muita coisa e perde-se o fio condutor em explicações. Se conseguirmos seguir a corrente do seu pensamento chegamos onde ele nos quer levar, na maior das anarquias. É assim que ele chega a ter graça (e ALA que me desculpe, mas é exactamente o sinto quando o leio).

Ora! Perdi-me novamente.

Ia eu dizendo que, escrevo uma data de trapalhadas no meu diário que, para os outros parece o caos, mas que para mim não é. E escrevo páginas e páginas seguidas, tão depressa que como palavras. Mas mais vale comer palavras que pensamentos! Isto na altura claro.

Misturo sentimentos com acontecimentos, momentos com sonhos, desejos com ilusões, factos com quadros, cenas com vistas. Enfim…

Aqui vai um pequeno exemplo, um fragmentozinho do que escrevi hoje no meu diário:

Hoje olhei para o céu e nele vi a desordem do dia. Comecei por vislumbrar a Lua, no meio de uma aberta de nuvens, em pleno dia.

A mistura do céu azul a atirar para o turquesa, a aparecer em nesgas no meio de cinzentos de todas as tonalidades, os verdes das várias ramagens e folhagens, que agora começam a aparecer, juntamente com todos as outras cores desconcertadas e desordenadas, encarnados nos telhados, cor de laranja nas fachadas, preto das estradas, castanhos secos, vivos, desmaiados, mesclados e afins. Todo este tumulto me fez lembrar os dias de praia com muito vento. Em que o vento a passar nos ouvidos nos fazem ficar confundidos mentalmente, o mar desarrumado confundidos visualmente, o frio e a humidade que deixam a areia colada ao corpo confundidos fisicamente.

O que geralmente me parece bonito, hoje acordou desarrumado e descoordenado.

O desconforto visual, rapidamente se transformou desconforto físico e a concentração foi para o espaço.

E como uma coisa nunca vem só, tudo se desmoronou à minha volta, num rodopio de acontecimentos precipitados que me deixou deveras irritada. Esta situação fez-me lembrar o anúncio da DOVE.

Nestas alturas deve-se fazer um rewind.

Fechar os olhos, inspirar e expirar fundo, fazer vir à lembrança coisas boas da nossa vida e, com calma, começar de novo.




"Começar de novo e contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Ter me rebelado, ter me debatido
Ter me machucado, ter sobrevivido
Ter virado a mesa, ter me conhecido
Ter virado o barco, ter me socorrido

Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena ter amanhecido
Sem as tuas garras sempre tão seguras
Sem o teu fantasma, sem tua moldura
Sem tuas escoras, sem o teu domínio
Sem tuas esporas, sem o teu fascínio
Começar de novo e só contar comigo
Vai valer a pena já ter te esquecido
Começar de novo..."

(Iven lins)