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sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Eu não existo sem você


Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
 
(Vinícius de Moraes)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Frank Sinatra


Frank Sinatra, nasceu a um dia 12 de Dezembro. Hoje faria 95 anos.

Não faria grande diferença para mim não fosse eu ter acordado com um dos grandes clássicos dele cantado por Michael Bublé, dançado pela casa inteira e minutos depois ter lido que hoje teria sido o dia de anos dele.

De alguma forma encheu uma parte do meu dia e eu gosto de quem me ajuda a fazer do meu dia um dia melhor.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Grandes são os desertos


À procura da minha frase do dia, vou encontrando algumas coisas pelo caminho com as quais me identifico e sonho. 

Gosto de poder estar calmamente nas minhas descobertas, nos meus delírios, nas minhas adorações. Leio, releio, sinto, derreto-me. Gosto disto. Distrai-me embeleza-me o dia, inspira-me.

Hoje encontrei este. Não tenho uma dúvida que há poetas que mexem comigo e este é um deles.

“Grandes são os desertos

Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.

Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.

Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.

Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.

Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.

Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.

Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.

Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!

Mais vale arrumar a mala.
Fim.”

(Álvaro de Campos)

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Súplica


Às vezes dou por mim a “explorar” as escritas de gentes que não conheço. Esta é uma, entre muitas das minhas fascinações. Como podem as pessoas escrever tão bem? Escrever tudo aquilo que sinto e de uma forma tão sensível, tão real, tão eterna, tão…

Já cheguei a pensar: – Que bonito! Escrevem mesmo o que lhes vai na alma! Sentiram exactamente o mesmo que eu senti…São minhas almas gémeas...

Hummm! Mentira. Mentira pura!  Hoje sei que escrevem muitas vezes o que lhes vem à cabeça e não necessariamente o que lhes vai na alma.

Certo certo para quem lê, é aquilo que consegue ver, sentir, sonhar. Isso sim é o que nos vai na alma.

São as imagens que vimos, os gritos que ouvimos, os gestos que saltam, os sorrisos que nos enviam, as lágrimas que se soltam, a historia que contamos, que colorem o que está escrito. 

São os nossos sentimentos que enchem de beleza o que os outros escrevem.


Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

(Miguel Torga)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Pablo Neruda


"Já não se encantarão os meus olhos nos teus olhos,
já não se adoçará junto a ti a minha dor.

Mas para onde vá levarei o teu olhar
e para onde caminhes levarás a minha dor… "


(Pablo Neruda)

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Não resisti




Não resisti, é tudo o que eu gosto e penso da vida e ainda um bocadinho mais...

O meu Olhar

O Meu Olhar

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

(Alberto Caeiro)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Outra Margem de Mim





"É muito tempo a desejar o tempo
De mudar ventos, levantar marés
É muita vida a desejar o alento
Que faz saber ao certo quem és

É funda a toca onde te escondes tanto
Tem a distância entre o silêncio e a voz
A vida rasga bocadinhos gastos do mundo
Vai descascando até chegar a nós

A tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salva
Do que o medo fechou

São muitos dias a perder em vão
Sem nunca entrar dentro de um labirinto
É muita vida a não ser o que tu sentes
A planar sobre o que eu sinto

É quase noite, não te escondas mais
Vai desatando até entrar o ar
Dá-me um gesto que me diga o teu fundo
Uma palavra para te tocar

Tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salve
Do que o medo fechou

Tu que sabes tanto do sol
E és uma de outra margem de mim
Olha-me dentro como chão que me agarre

Pode ser esta noite quente
A estrada aberta mesmo à nossa frente
A tu e eu a descobrir o ar
Não é preciso correr
Não é urgente chegar
O que é preciso é viver "


(Mafalda Veiga)


“Não é preciso correr
Não é urgente chegar
O que é preciso é viver "

Cada vez me convenço mais de que é preciso VIVER e de viver com letra grande.

Não é virar as costas a toda a gente, não é querer ser feliz por ser.

É viver sem pressa de viver, saboreando cada bocadinho, tirando cada detalhe, enfeitando cada momento.

Não, não é preciso correr.

Não, não é urgente chegar.

Mas é preciso ir vendo e sentindo.

É preciso caminhar lado a lado com o que vamos encontrando.

É preciso ir explorando, retirando, entregando os nossos passos, ir construindo os nossos sonhos e chegar sem desatino ao nosso destino. Sem pressas, sem inquietações, de peito cheio e coração aberto.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Mar


E porque faz sentido que eu, que vivo ao pé do paredão, vá lá passear logo de manha…



domingo, 3 de maio de 2009

Palavras


Não resiti...

"Palavras que se dizem ao ouvido
quando nos queima a febre do desejo
e só ganham sentido
se sairem dos lábios como um beijo.
Palavras murmuradas no calor
da mútua entrega
a deixar claro que o amor
nunca sossega.
Palavras revestidas de veludo
para afagar a vida
e que no meio da corrida
são elas próprias quase tudo."


(posted by Torquato da Luz)

segunda-feira, 30 de março de 2009

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Arco Iris




“Este é o sinal da aliança que faço entre mim e todas as criaturas que estão na terra.”
(Gênesis 9:13 à 17)


sábado, 15 de novembro de 2008

Loucura


Hoje a minha viagem foi linda.

Saí às 21h30 de Lisboa, apanhei um bocadinho de trânsito na ponte e até ao famoso do Fogueteiro.

A partir daí a estrada foi toda minha. Mas quando eu digo que a estrada foi toda minha, foi mesmo toda minha. Nem um carro na minha frente a empatar. Nem uns faróis atrás de mim a encadear.

Música a bombear, lua cheia e os meus pensamentos a encher o carro. Já quase a chegar, começo a sentir o cheiro da minha Serpa, meio cheiro de flor de laranjeira, meio cheiro de lenha a arder.

O termómetro marca 5ºC, a lua está bem por cima a iluminar o meu caminho e num impulso louco, fechei as luzes (faróis) do carro... lindo, lindo, lindo…

A estrada apareceu muito direitinha com todos os riscos e linhas e muito bem iluminada bem na minha frente. Na berma, as árvores faziam sombra, tão bem delineadas que pareciam desenhadas, ou melhor recortadas e coladas sobre um fundo azul noite. No céu, viam-se as estrelas e até mesmo a via láctea. Lá estavam as Três-Marias, a Estrela Polar, a Ursa Maior…

Que passeio! Que estica. Quem diria que um dia eu tive medo de guiar.

Mais uns kilometros e saía um poema. Quase que arriscava!








terça-feira, 2 de setembro de 2008

Uma flor amarela


Estamos sempre a aprender. Aqui fica mais uma migalha, um grãozinho para ir enchendo o papo. Podemos não morrer de papo cheio, mas vazio também não há-de ir.

Uma flor amarela é só uma flor amarela?...

Delícia de palavras!

Não só pela forma como são expostas como pelo que contêm. De uma simplicidade assustadora e tanta sabedoria. Que me perdoem os que percebem destas coisas, mas não encontro palavras, no meu vocabulário, que consigam explicar melhor o que sinto quando as leio, nem que exprimam melhor o que, hoje, consegui tirar delas.

Estas palavras ensinaram-me, e eu aprendi, que o meu saber de hoje não é igual ao meu saber de ontem.

Estas palavras ensinaram-me, e eu aprendi, que hoje não penso o mesmo que pensei ontem, nem faço o mesmo que fiz ontem, não digo o mesmo que disse ontem e não gosto do mesmo que ontem gostei.

Estas palavras ensinaram-me, e eu aprendi, que as intensidades do que eu senti hoje também não são as mesmas intensidades dos sentimentos de ontem.

E assim, eu aprendi que todos os dias somos mais qualquer coisa que ontem não fomos e que, por isso, hoje já não sou a mesma pessoa de ontem.

Hoje, o mais importante nesta aprendizagem é que, todos os dias podemos escrever o nosso dia desse dia, pois cada dia é um dia novo da nossa vida. E temos tantos dias quantos os dias da nossa vida para viver e modificar aquilo que queremos e precisamos.

Amanha… Logo se vê!

(mais uns pozinhos)

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Contrastes


O mar e o campo.

O sol e a chuva.

O quente e o frio.

Cheiros tão diferentes e tão misturados.

Sensações divididas.

Contrastes.

Já tinha saudades. Gosto de contrastes. Fazem sobressair as características de cada coisa.

E assim foram as minhas férias.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O pôr-do-sol perfeito


O pôr-do-sol perfeito, a cor do céu, o tamanho do sol, o horizonte, as sombras da contra luz, o contraste do céu azul de um lado com as nuvens cor de laranja de outro.









domingo, 1 de junho de 2008

Senhora D. Sabe Tudo(parte III)


Diário de um Mega Concerto

Isto de nos juntarmos aos mais novos tem o seu quê de interessante.

Ontem assisti ao concerto do Bon Jovi com duas amigas que viveram aquelas músicas. Aquelas músicas fazem parte do seu imaginário, com muita intensidade, com elas viveram as suas fantasias, com elas passaram os seus melhores momentos, com elas moram as suas recordações mais íntimas e mais fortes. Estar com elas, foi viver uma parte de toda esta emoção. Foi lindo.

O concerto foi um espectáculo, o pós concerto também foi muito bom. Estava tudo em êxtase, tudo cantava, tudo estava feliz, havia magia no ar, o frio transformou-se numa onda de calor imensa.

Claro que conhecia as músicas, claro que conhecia Bon Jovi, claro que não sabia que se chamava John Bon Jovi, claro que não sabia que Bon Jovi tinha olhos azuis, claro que não sabia que muitas musicas que eu já conhecia, eram dele.

Parece que ultimamente este sentimento de ignorância não me larga. Cada momento, cada situação me faz estar ciente de que "só sei que nada sei".

Mas, estava eu falando de concertos e de Bon Jovi, é de facto engraçado viver um bocado daquilo que foi parte da vida de alguém com muita intensidade. Essa intensidade e essa emoção, parece que passam como uma onda de energia. Volta e meia eu mesma me senti arrepiada, com a explosão de emotividade que me rodeava.

Gostei muito. E especialmente do pulsar que algumas musicas tiveram naquele publico, e em mim através deles.

Aqui estão algumas.

“Bed of Roses”



“I´ll be there for you”



“Thank You For Loving Me”

terça-feira, 20 de maio de 2008

Que luz






E foi assim, com o olhar sobre um mar de mil cores, que esta luz me surgiu.


Gostar, gostar de gostar, gostar de viver, gostar de alguém, gostar! gostar…

Gostar significa, no meu dicionário de sinónimos, estimar, simpatizar, desejar, gozar, provar, saborear, possuir, desfrutar, aproveitar, apreciar, experimentar.

Pois é, gostar é uma luz que se abre no fundo de um túnel e nos faz caminhar. Gostar é vontade e vontade é querer.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Li Coisas Lindas


Tenho lido coisas muito bonitas.

Coisas lindas.

Li, algures, que a boa poesia é aquela que parece escrita para nós.

Boa poesia é aquela que se encaixa nos nossos pedaços de vida, que nos envolve que nos faz reviver e sentir as nossas “coisas da vida”, aquelas tantas já vividas…

Tenho pena de não as poder transcrever todas, para as poder partilhar.

Tenho pena de não poder dizer a quem de direito, que bem que me sabe lê-las e que admiro quem, com simples palavras me consegue tocar na alma e o quanto me sinto agradecida por isso.

Tenho pena de ser uma nódoa a escrever, e de não poder retribuir outras tantas coisas bonitas. Parece-me que já disse isto dois milhões e meio de vezes (alivia-me o espírito), mas continuo a ter pena.


Escrever é uma boa maneira de comunicar.