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domingo, 31 de janeiro de 2010

A Lua de hoje.

(A minha lente nova)


Mais um ano. Mais uma lua. Mais um dia.

São dias em que o Vento, a Lua, o Mar e o Sol olham por nós e nos consolam.

Dão-nos a música que ouvimos, a luz que nos ilumina, o brilho que nos alegra e dá vida e o calor que nos aquece e nos mima.

sábado, 31 de janeiro de 2009

A minha Avó




Faz hoje um ano que morreu a minha Avó e faz hoje um ano que sinto que a vida, que parecia tão fácil ao lado dela, se desmorona a cada segundo.

É estranho a falta de sentimento com que todas estas palavras me saem, a frieza com que penso neste assunto, é estranho não correr uma lágrima, é estranho não sentir o estômago apertado e a boca a seca, é estranho não sentir o frio do vazio que tenho, é estranho não querer viver esta situação.

Foi com ela que aprendi que chorar fazia bem, que rir fazia ainda melhor. Mas hoje, nem rir nem chorar. E este nada é sufocante …

A minha Avó tocava piano, falava francês e ria. Era bem-disposta, muito bem-disposta. Tinha um sentido de humor fora do vulgar. Mas não era só isso que a distinguia das outras Avós, era também a capacidade que tinha de passar por esta vida com leveza. Ria e chorava com facilidade e com as coisas boas da vida, dormia quando as coisas não estavam fáceis, ralhava com um sorriso nos olhos, e tinha sempre um refrão de uma música debaixo da língua que cantarolava pela casa. Os afazeres eram feitos a seu tempo em compassos de dança harmoniosos.
Ao lado dela a vida parecia tão fácil!!!

Todos nós fomos impactados com esta realidade e todos nós sentimos a falta que ela nos faz, mas nem todos nós aprendemos a estar na vida como ela estava…


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A Minha Avó Partiu



Partiu aquela que se tornou a minha grande ligação com o passado, a minha âncora, a minha última referência.

Partiu aquela cara linda, aquela figura materna e cheia de ternura, aquele cabelo branco, aquele sorriso meigo e cheio de vida. Ficava aqui a noite toda a tentar descrever aquela que tantos dias, tantos meses, tantos anos foi a minha Avó presente.

Esta partida, não propriamente prematura, era espectável há já algum tempo, mas nunca o suficiente para se conseguir acreditar que um dia pudesse vir a acontecer. Sofrida só de antecipar. Morrida de viver.

Esta partida representa, para além de uma parte da minha vida, o final de um ciclo. Um acabar de qualquer coisa que já não vai voltar mais.

Agora foi. Não há volta a dar e não há remédio que tire esta dor.

As valsas dançadas, o cheiro a fresias, as histórias contadas cheias de magia, as descrições dos antepassados, a mágoa da vida, a alegria de viver, as músicas ensinadas, o ponto de ligação, tantas coisas vividas, tantas coisas cantadas, são agora passado enterrado. Não são um passado qualquer, são mesmo passado enterrado, aquele que não tem testemunha e não tem cúmplice.



Não há lágrimas que cheguem para tanta tristeza.


segunda-feira, 1 de outubro de 2007

As Avós (Parte II)


Deparei-me com outro texto sobre as Avós, desta vez, presumo, de um português, já crescido:

"Toda a gente tem, pelo menos, uma avó.

É como o umbigo, não há ninguém que não tenha um.

Eu tenho os dois: o umbigo e uma avó (neste momento até tenho duas, mas o presente "post" serve para me referir àquela que deu à luz a minha mãe).

Antes de mais que fique claro: Eu gosto muito da minha avó, até porque ela tem a sua quota parte de culpa no meu umbigo (e eu também gosto muito do meu umbigo. Não sou daqueles que passa o tempo a olhar para ele mas também porque tenho a certeza que sou mesmo muito bom).
Sejamos honestos: todos nós pensámos, em determinados períodos das nossas vidas, que as nossas avós já nasceram avós: Nunca lhes conhecemos os pais. Só conhecemos os seus filhos e nós: os seus netos."De maneira que" (esta é uma expressão dela), sempre me habituei a ver a minha avó assim: avó.


Quando era miúdo julgava que ela era minha avó porque alguém a tinha mandado ser. Para mim não existia qualquer relação de parentesco. Se naquela altura eu não percebida como é que tinha saído da barriga da minha mãe, como diabo é que havia de entender que a minha mãe tinha saído da barriga da minha avó?

Quando era miúdo eu achava que a minha avó tinha e teria sempre a mesma idade e que os aniversários eram para os mais novos. Eu achava que a minha avó tinha muitos anos e que devia deixar as "festas de aniversário" para os outros (lá em casa chamávamos-lhes "festas de anos" mas com o tempo percebi que esta expressão poderia ter outras conotações e decidi abandoná-la).

Quando era miúdo eu achava que a minha avó teria sempre o mesmo tom de pele, as mesmas rugas, o mesmo andar.

Quando era míudo achava que as avós existiam para serem apenas e só isso: avós. Pensava que por serem avós, elas não precisavam de trabalhar (mais tarde lembro-me de ouvir o meu pai dizer que ela ganhava uma reforma e pensei que alguém lhe pagava para ela ser avó, minha avó).

Enfim, eu sempre julguei que a minha avó nunca deixaria de o ser. Ou pelo menos eu sempre achei que a minha avó nunca deixaria de ser como era: ainda para mais chamando-se Alegria... da Piedade, imaginem!Entretanto eu cresci. E a minha avó cresceu comigo. Envelheceu.

Hoje eu tenho metada da idade que ela tinha quando eu achava que ela já era demasiado velha.

Hoje, a minha avó tem quase 90 anos. E deixou de ser a minha avó como eu a conhecia, como eu me lembro dela.

Hoje, várias vezes, a minha avó esquece-se quem eu sou. A cabeça dela confunde a casa onde sempre viveu com a casa que nunca teve. Fala como uma criança. Não consegue somar o evidente com o lógico. Perdeu discernimento. Não reconhece o mal, dizemos nós. Perdeu vida. Ganhou amargaura. Perdeu vontade. Ganhou desinteresse. Perdeu Alegria. Mas nós, os que a rodeiam, lá vamos tendo Piedade.Ontem mesmo achou que estávamos a plantar flores numa parede. A única coisa em que ela acertou é que a parede não tem terra."

posted by o meu blog e maior que o teu - 2005

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

As Avós


Uma avó é uma mulher que não tem filhos; por isso gosta dos filhos dos outros.

As avós não têm nada que fazer, é só estarem ali.

Quando nos levam a passear, andam devagar e não pisam as folhas bonitas nem as lagartas.

Nunca dizem: despacha-te. Normalmente são gordas, mas mesmo assim conseguem atar-nos os sapatos.

Sabem sempre que a gente quer mais uma fatia de bolo, ou uma fatia maior.

Uma avó de verdade nunca bate numa criança; zanga-se, mas a rir.

As avós usam óculos e às vezes até conseguem tirar os dentes.

Quando nos lêem histórias nunca saltam bocados e não se importam de contar a mesma história várias vezes. As avós são as únicas pessoas grandes que têm sempre tempo.

Não são tão fracas como elas dizem, apesar de morrerem mais vezes do que nós.

Toda a gente deve fazer o possível por ter uma avó, sobretudo se não tiver televisão.

Composição de crianças de 8 anos - Genebra/Em “Enfants de Partout”

É Lindo.
Eu já conhecia este texto, mas nunca o tinha conseguido arranjar. Este foi-me dado por uma Avó de Viseu, cheia de sentido de humor e com tempo, não fosse ela Avó, para mo enviar.