
Faz hoje um ano que morreu a minha Avó e faz hoje um ano que sinto que a vida, que parecia tão fácil ao lado dela, se desmorona a cada segundo.
É estranho a falta de sentimento com que todas estas palavras me saem, a frieza com que penso neste assunto, é estranho não correr uma lágrima, é estranho não sentir o estômago apertado e a boca a seca, é estranho não sentir o frio do vazio que tenho, é estranho não querer viver esta situação.
Foi com ela que aprendi que chorar fazia bem, que rir fazia ainda melhor. Mas hoje, nem rir nem chorar. E este nada é sufocante …
A minha Avó tocava piano, falava francês e ria. Era bem-disposta, muito bem-disposta. Tinha um sentido de humor fora do vulgar. Mas não era só isso que a distinguia das outras Avós, era também a capacidade que tinha de passar por esta vida com leveza. Ria e chorava com facilidade e com as coisas boas da vida, dormia quando as coisas não estavam fáceis, ralhava com um sorriso nos olhos, e tinha sempre um refrão de uma música debaixo da língua que cantarolava pela casa. Os afazeres eram feitos a seu tempo em compassos de dança harmoniosos.
Ao lado dela a vida parecia tão fácil!!!
Todos nós fomos impactados com esta realidade e todos nós sentimos a falta que ela nos faz, mas nem todos nós aprendemos a estar na vida como ela estava…