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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Quando o Coração se Fecha


Há alturas em que o coração sente necessidade de se fechar.
Parece que o mundo a nossa volta fica a pairar e não assenta. Nada do que se passa tem a ver connosco. 
Se nos tornarmos invisíveis tanto melhor. 
Não há sentimento que entre, não há musica que se oiça ou cheiro, ou som, ou sabor, que nos avive a memória. Todo o nosso corpo evita entrar em confronto com o que quer que venha do passado, presente ou futuro. 
Não há lágrima fácil, não há reação, não há sentimentalismos nem emoções no ar.
O medo fecha a porta. A vontade desaparece e entra uma frente gelada e cinzenta que nos faz cerrar os dentes, fechar a boca e olhar em frente. 
As conversas e os passos são mecânicos, abruptos e compulsivos, arrastam-nos para a frente sem olhar para o caminho que fazemos.
O coração fica impenetrável.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

“Quem não se sente não é filho de boa gente”



Por muito que saiba que não devo, que não posso e que não quero que isso aconteça, aconteceu. 
Ressenti-me, senti-me ou sei lá como é que se chama a isto que sinto. 
Um misto de tristeza, ansiedade, raiva, desconfiança, medo, insegurança. 
Um verdadeiro cocktail sentimental.

Os escudos nem sempre são bem-sucedidos, nem sempre funcionam, em certas alturas do ano as defesas estão reduzidas, os sonhos falam mais alto, ficamos bem mais vulneráveis e pimba…  Em suma as barreiras não foram suficientemente resistentes. Assunto a rever minuciosamente e com muita calma no ano novo que se aproxima.

Mas o pior mesmo é o que sentimos, não temos como reclamar, por onde estrebuchar, com quem conversar  e muito menos com quem descarregar porque são efectivamente só, e tão só, da nossa responsabilidade.  
São sentimentos solitários, que custam a digerir.
De um momento para o outro encontramo-nos num deserto imenso, perdidos em pensamentos a tentar desamarrar as cordas com que nos enrolámos.
A única atenuante é saber que acontece com qualquer um e que, aquela máxima “Quem não se sente não é filho de boa gente” é capaz de ser mesmo verdade e isso faz-nos sentir um bocadinho melhor. 
Pelo menos somos “boa gente”.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Absolutamente Diferente.

Novamente na defesa! Cheia de escudos e esquemas.

Não é fácil gerir a quantidade de sentimentos que vêm de dentro de mim. Eles surgem puros, transparentes, verdadeiros. Infelizmente nem todos podem sair cá para fora em bruto e muitos deles têm mesmo de ser escondidos. Pergunto-me todos os dias o porquê disto ter de acontecer assim. Seria tão bom e tão mais fácil poder deita-los todos cá para fora tal e qual eles são. Seria bom para mim e seria com certeza bom para todos o que neles estão incluídos. O facto é que o ser humano complica e o que parece linear nunca o é.

Os nossos medos prevalecem e a defesa da nossa alma e do nosso ser sobrepõe-se. É nestas alturas que se inicia o processo de montagem e tratamento de qualquer reação, pensamento e ou sentimento. É triste… É um desperdício…

Sinto-me a tratar os meus sentimentos tal e qual trato as minhas fotografias. Muda-lhe a cor, muda-lhe o enquadramento, esconde o “cagalhão”, apaga a borbulha.

Resultado: ou muito melhor ou muito pior, mas absolutamente diferente.

domingo, 4 de março de 2012

Uma Dança sem Fim


O papel e a caneta  obrigam-me   a arrumar os pensamentos mesmo que não escreva sobre o que me incomoda. Sim, porque nem sempre sei o que me inquieta. Geralmente desato a rabiscar tudo o que me vem a cabeça. Saem cascatas de palavras sem nexo e frases sem qualquer fio condutor até que toco no ponto e sei-o no minuto em que ele de repente saiu. Nesse segundo, os sentimentos saltam e espalham-se na minha frente como a água do mar a comer a terra depois da onda rebentar. É certo que se não houver qualquer coisa que a retenha, antes de ela recolher, metade de toda aquela água  se mistura no mar outra vez. É aqui que a caneta exerce o seu feitiço e que o papel é seu cúmplice. Ela apanha esse momento e tenta eternizar o sentimento, o papel absorve a tinta e faz com que ela tome forma, ajuda-a a deslizar sobre ele e os dois numa valsa sem fim rodopiam.
Hoje a dança foi grande.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

A Culpa é da Cor


Foi da palavra cor, que tudo isto começou.
Às vezes começo a ler as coisas que escrevi e percebo que há ideias, palavras e frases que são recorrentes.

Porque será que ando sempre de volta dos mesmos assuntos, que tenho palavras preferidas e frases que repito vezes sem conta? 

Vendo à luz da razão consigo perceber que, em relação aos assuntos, eles vivem dentro de mim, são as minhas realidades, os meus medos, as minhas frentes de batalha, são tudo aquilo que me faz sentido ser e ter. 

Já no que diz respeito às palavras e frases... 

Pois... Pensei, pensei e cheguei a conclusão de que as uso porque geralmente revelam os meus sentimentos. Quantas vezes eles me saem em forma de cheiros e cores a pairar no ar, luzes e sombras que se cruzam, brilhos e arrepios que sobem por mim a cima em ondas de calor. O mar… o mar também me tira do sério, também ele na sua calma ou na sua desordem, define tanto do que vai dentro de mim.
Afinal, afinal são os sentidos a ditarem os sentimentos. É através deles que sentimos, é através deles que nascem as sensações e se formam as percepções.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Sonos


Dentro de mim tenho um mundo em guerra.

A luta interior é tão grande que mal consigo ter os olhos abertos. O sono aperta, como que a dizer-me dorme, enquanto dormes as coisas cá fora acontecem e mudam. Um dia vais acordar e tudo mudou.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

E hoje . . .


"Há um desassossego em mim, um desassossego bizarro, diabólico, que poderia ser produtivo se eu o soubesse utilizar. Um desassossego criador."

(Etty Hillesum, in 'Diário 1941-1943')