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sábado, 22 de julho de 2017

O Sentido da Vida


Mais uma vez acho graça à forma como vamos descobrindo sentido naquilo que nos rodeia e que nunca prestámos atenção. E digo que acho graça, porque me faz sorrir e pensar, porque me desafia. A nossa experiência de vida dita-nos a nossa forma de ver o mundo, as pessoas que nos rodeiam, as frases que dizemos a maneira como pensamos e julgamos, a nossa compreensão perante os factos.

Por isso a vida é uma constante descoberta. Aquilo que que vimos hoje amanha já não igual. Alberto Caeiro passava a vida a dizer o mesmo. Está registado em cada poema. A vida é um espanto a todo o momento e isso surpreendia-o a ele e a mim tantas vezes e cada vez mais.

Hoje foi este pequeno texto que me chamou a atenção. Estou especialmente sensível para esta questão, é o isto quer dizer.

"No começo eu era só certezas.
No meio eu era só dúvidas.
Agora é o final
e eu só duvido."
Mario Quintana
O que escrevo só irá fazer sentido para quem estiver no mesmo mood. Isso diverte-me, tanto como me diverte ler este pequeno texto do Quintana e captar o meu sentimento mais premente.É também assim que nos aproximamos e nos afastamos das pessoas. As afinidades formam-se do que experimentamos, do que vivemos, onde chegamos. Daqui surgem as cumplicidades, que nos unem que nos fazem ver o mesmo sentido. Se desaparece o sentido, desaparece a pessoa, se desaparece a pessoa, deixa de fazer sentido.

sábado, 23 de outubro de 2010

Cumplicidades

Hoje, neste dia de lua cheia, deu-me vontade de escrever.

Deitei a cabeça para trás, parei dois segundos e ao voltar, desatei a escrever ao som destas musicas:




Não é estranho. Gosto de escrever ou melhor gosto de falar comigo. Gosto de me fazer explicar, gosto de me tentar compreender. É um bom exercício para quem não quer ou não sabe pensar, para quem se perde em pensamentos e divaga. Assim não há forma de nos perdermos. É aquilo ou é isto.

Quando se começa a escrever o pensamento flui e às vezes escapa-se para outras paragens que não a do primeiro propósito, o que não é essencialmente mau, quantas vezes se chegam a pensamentos engraçados. Outras vezes retoma-se rapidamente o fio à meada e segue-se o caminho por onde se tinha começado. Esta é uma das grandes vantagens de se poder pensar através da escrita.

Entre o que escrevi e o que apaguei, entre o que pensei e não escrevi, entre o que ficou mas não se vai ver, entre o que foi e o que voltei a trás, entre o que é e o que não é, se está bem ou se está mal, se é feio ou bonito, se está correcto ou não, escrevi que me fartei.

Definitivamente escrever tem graça, complica ou descomplica, tanto pode aliviar como magoar, fazer rir ou chorar, pode até nem fazer nada, mas é uma grande companhia, faz do papel um grande ouvinte e da caneta uma grande cúmplice.

Estava mesmo a precisar...