quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Coisas Infinitas



"Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana.
Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta".


Autor: Albert Einstein

O Tempo que for Necessário


“Olhe apenas, não interprete”

(Pregaminho Editora - “A Prática do Poder do Agora” de Eckhart Tolle)
Tantas horas a pensar e matraquear sobre um assunto e depois, assim de repente, lê-se num livro a frase que se está à procura há tanto tempo. Quase uma vida.

“Olhe apenas, não interprete”. Este é o remédio para quase todos os nossos problemas. Aqueles que moemos na nossa cabeça horas, dias e até mesmo anos, tentando dar explicações para o que não é explicável. Pois cá está.

Esta nossa tendência para traçar vários cenários de pequenos acontecimentos criando um, ou mesmo vários story bords, acrescentando até imagens e sons, quem sabe até mesmo cheiros… para que ainda soe mais real, já é muito mau. E pior ainda é, quando acrescentamos o dramatismo do real e começamos a ter comportamentos de acordo com os cenários traçados.
Pois aqui começam os nossos problemas reais.
Que granel!
Como fugir desta embrulhada?
Cá vão os meus filmes:
Um deles, é sem dúvida, tentar ler o livro e fazer muita “força” para conseguir chegar a esse poder tão singelo.
Outro…
Bem, ainda não tracei o meu story bord sobre a resolução deste problema. Ainda estou muito atrás.
Ainda estou no filme arranjar sarna para me coçar. Até porque o livro, não é fácil de ler.
Leio e volto atrás, torno a ler e a reler e a tentar perceber e sentir o que ele me diz. Mas não é fácil. Porque a resolução parece simples de mais, tão simples que não se consegue acreditar assim, sem mais nem menos.
Ás vezes ate se entende e quando isto acontece, é um passo que se dá. Só que no momento seguinte já se está a fazer o contrário do que se pretende. Uma verdadeira luta interior.
Querer ser feliz, ter um caminho mesmo à frente e não conseguir.
Bem, o que nos vale é que há um ditado que nos diz:

“Água mole em pedra dura tanto dá até que fura”

Bora à luta.

“Não conseguir parar de pensar é uma coisa terrível.”…
… “A mente é um instrumento fantástico, se for usada correctamente. Mas se não for, torna-se altamente destrutiva.”…

(Pregaminho Editora - “A Prática do Poder do Agora” de Eckhart Tolle)

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Tantos Medos


Tantos espaços vazios, tantos momentos mortos, tantos lugares sem nada, tantas palavras ocas, tantos gestos falsos, tantos passos incertos, tanta falta de sinceridade, tantos jogos desnecessários, tantas palavras por dizer, tantas horas desperdiçadas, tantos minutos deixados à solta.

Como é possível, que com uma vida tão curta nós, cambada de imbecis, nos deixemos ficar sentados a ver a vida passar e nada fazer para a agarrar e parar.

Só com ela parada a conseguimos sentir. Só com ela parada a conseguimos ver, ouvir e adorar.

Fez-me sempre confusão porque temos nós, os humanos, a capacidade de nos magoar, de ocultar de nós próprios tantas coisas que escondidas nos fazem doer.

Porque não falamos, porque não gritamos tudo o que nos vai na alma.

Porque temos nós de manter as aparências e fingir coisas que não somos nem queremos ser.

Porque fazemos o que não temos vontade, dizemos o contrário do que pretendemos, afastamos quem queremos ver perto.

Porque nos sentimos inseguros, porque mentimos em relação aos nossos sentimentos, porque não os deixamos correr ao sabor do vento, porque temos medo de ser ridículos, porque temos “vergonha” de nós próprios, porque não nos mostramos, não nos damos, não nos abrimos ao mundo.

Tantos medos.

Quando nos desvendamos ficamos vulneráveis e ao mais pequeno vislumbre de ameaça accionamos o escudo de protecção que nos afasta da vida, das pessoas, do mundo, de nós.

Mas nem por um minuto nos passa pela cabeça o que podemos ganhar sendo o que somos, fazendo o que queremos, lutando pelo que desejamos.

Porque nos custa dizer às pessoas que gostamos - gosto de ti, preciso de ti, quero te dar, quero-te sentir, aproxima-te de mim, e porque não – Quero-te!

Porque nos custa acreditar nas pessoas que gostamos, quando elas nos dizem – gosto de ti, preciso de ti, quero te dar, quero-te fazer sentir tudo o que tu queres sentir e porque não – Eu também te quero.

Porque nos custa ouvir um não. Um não sem maldade, sem desdenhar, sem ironia, sem querer mal.

Porque nos sentimos mal em gostar sem que gostem de nós, em desejar sem que nos desejem .

Porque não gostamos de dar sem receber, de estender a mão e não ser agarrado.

Porque não há essa naturalidade perante o amor. Tem mal amar e não ser amado?

Pode-se ficar sem uma porção da nossa alma, mas não se é menos gente.

Pode-se ficar triste, mas continuamos a ser nós.

Então o que nos impede de avançar?

Medos. Tantos medos.

Que saudades dos medos aconchegados de criança. De dizer, tenho medo e de ecoar quase em simultâneo - Não tenhas, estou aqui.

Que saudades daquela protecção dourada, de escutar - Gosto de ti - e conseguir acreditar. De sentir aqueles grandes olhos protectores tocarem nos meus e ouvir – vai em frente se caíres eu estendo-te a mão e, não te esqueças eu gosto de ti assim.

Porque temos de crescer. Quanto custa crescer. Quanto custa mostrar uma segurança que não existe, uma dureza que não se tem, uma firmeza enganadora. Começa a chegar a nossa vez de dizer - Não tenhas medo eu estou aqui!

Estarei eu preparada?

Preparada para esconder os meus medos para conseguir atenuar os medos dos outros?

Para que estes outros possam crescer acreditando neles próprios.
Para que ganhem segurança e desta forma possam ajudar os que vêm a seguir e assim sucessivamente.

Crescer é assim.

Estarei eu a crescer?

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Ninguém está a pensar em ti - II


"Ninguém está a pensar em ti. Eles estão a pensar em si próprios, tal como tu"

(in “A imaginação hiperactiva de Olívia Joules , Helen Fielding)

Hoje li de novo a frase mas de repente soou diferente, vi-a com outro olhar: Eu penso em ti.

Penso naquilo que me deste e no que te poderia ter dado, no que significas para mim e no que eu terei sido para ti. No que és e no que me fizeste ser.

Penso nos momentos que me proporcionaste e nos sonhos que construi.

Afinal consigo pensar no pouco que sou e no tanto que tive. No que ganhei ao te ouvir, no que senti quando me deste a mão. No que perco quando não estás aqui.

Sou só humana. Penso em ti em mim.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Ninguém está a pensar em ti

"Ninguém está a pensar em ti. Eles estão a pensar em si próprios, tal como tu”

(in “A imaginação hiperactiva de Olívia Joules , Helen Fielding)

É simples, honesta, sincera e fácil de compreender.
Estive bastante tempo a olhar para ela para ver se conseguia expor o que me fez sentir.
Fiquei como que atrapalhada, envergonhada, tive automaticamente uma imensa vontade de me explicar, de me justificar perante tanta franqueza.
Desarmou-me, faz-me pensar que raio de pessoa sou que só consigo pensar em mim e nos meus comportamentos. No que sinto, no que sou, no que quero, no que preciso, no que …
Fui apanhada…

Cair e Levantar de Novo


“A chave do sucesso é sabermos levantar-nos depois de cairmos”

(in “A imaginação hiperactiva de Olívia Joules , Helen Fielding)

Ora vamos lá a ver. Quando retemos uma frase que lemos, mais do que outras é porque ela nos diz qualquer coisa ou nos mostra outras tantas.

Quando li esta frase ela disse-me de facto tantas coisas.

Disse-me principalmente que caí. Caí redonda. Fiquei mesmo esparramada.
Caí, logo tenho de me levantar.

Disse-me também, que cair é sinal que já estivemos de pé e que sabemos lá estar, assim podemos-nos por de pé novamente.

Disse-me ainda que é importante cair, porque se aprende, quanto mais não seja a levantar outra vez. E de cada vez que nos levantamos o fazemos com mais força.

Disse-me que, viver é estar sempre a cair e a levantar ou a levantar e a cair, como se preferir.

Disse-me que, se esta frase existe é porque isto acontece a toda a gente e não só a mim (parece que me sinto bem melhor de não ser a única!).

Disse-me por fim que quando estiver levantada vou olhar para trás e vou adorar e até rir de tudo o que se passou e de como se passou. E se voltar a cair da mesma forma só demonstra que cair é bom e, levantar de novo é ainda melhor.

Não gosto de sentir o que estou a sentir, mas parece-me que percebi que é importante e que faz parte do meu crescimento. Fiquei triste, sim. É normal. Mas passa. Passa como tudo o que é bom e tudo o que é mau, como tudo que se gosta e o que não se gosta. Passa como a alegria também passa.

TUDO PASSA.


domingo, 18 de novembro de 2007

Serpa II



Cheguei

Cheguei ao meu recanto encantado. Cheguei outra vez ao meu mundo mágico.

Um mundo onde tudo é possível.

Um mundo onde fecho os olhos e vejo o quero ver, sinto o que quero sentir, tenho o que quero ter.

Um mundo que pára para eu viver.

Os pássaros cantam só para mim, o sol nasce e põe-se para me fazer feliz, as estrelas brilham para me encantar, as folhas da buganvília cor-de-rosa dançam para me acompanhar, os cães ladram para me cumprimentar, o vento sopra devagar para não me incomodar.
A lareira acesa aquece-me e aconchega-me, a lenha a crepitar embala-me, as chamas a bailar encantam-me. Esta casa foi construída com dois grandes braços só para me abraçar e para me fazer feliz.

Aqui sinto a vida à minha volta. Sinto a natureza de olhos postos em mim. Sinto-me segura.

Aqui tenho as minhas recordações de menina, as minhas recordações de adolescente.

Aqui tenho lembranças de uma vida feliz, cheia de sonhos para realizar.

Aqui estão vivencias alegres, minhas e de tantos outros que por cá passaram e que deixaram os seus testemunhos gravados nestas paredes.

Aqui quando se respira fundo, o ar entra e renova a alma.