terça-feira, 5 de outubro de 2010

Conhecermo-nos...


"O derradeiro mistério somos nós próprios. Depois de termos pesado o Sol e medido os passos da Lua e delineado minuciosamente os sete céus, estrela a estrela, restamos ainda nós próprios. Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma?"

Oscar Wilde, in 'De Profundis'

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Inconstância


Inconstância

“…Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...”

(Florbela Espanca : Inconstância)

Acho que já uma vez disse que gostava de palavras. Palavras soltas.
Palavras que só por si valem mais que um conjunto enorme de outras tantas.

Desta vez bateu-me uma nos olhos que ficou a falar comigo até agora.

Inconstância.

O seu significado e sinónimos no dicionário são: Facilidade de mudar de opinião, de resolução, de procedimento. Diversidade, flutuação, variação, variedade e volubilidade

Por minhas palavras, inconstância, é uma palavra agreste, com uma carga negativa grande, mas que define tão bem uma das grandes características do ser humano, a mutação constante de todos os sentimentos, atitudes, pensamentos…

É uma palavra que vejo muito na escrita dos poetas e que se ouve muito da boca dos mais sensíveis pensadores, certamente por provocar danos grandes na alma.

Tudo muda, tudo passa, tudo se transforma, tudo é inconstante.

“Os homens são demasiado fracos e demasiado mutáveis para suportar muito tempo o peso da amizade.” (A Inconstância no Amor e na Amizade - La Rochefoucauld)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

...


Desistir não é morrer, deixar de acreditar não é o fim do mundo.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Hoje


Hoje acordei verdadeiramente acelerada, inspirada até, bem-disposta também é verdade e cheia de qualquer coisa que me levou a fazer outras tantas.

Tinha de extravasar para algum lado toda esta energia.

Uma parte dela já se foi em pequenas coisas do dia-a-dia e outro bastante, em coisas de mim para mim e de mim para os outros.

Já passeei, já escrevi, já cantei, já dancei, já falei, falei, falei, já estive em plena adoração ao mar, ao céu e à primeira estrela, já vi o pôr-do-sol. Ainda assim, parece que o assunto não está resolvido, o gás ainda não assentou, existem vontades por aí a pairar, ideias mil, quereres que não acabam. Faltou, e sem duvida nenhuma, a maquina de tirar fotografias com a minha lente nova, que por sinal já é velhinha. Tinha batido umas belas chapas…

Hoje nasci para amar, amar o que vejo, o que sinto, o que gosto, o que tenho e o que quero ter.

A música ajudou-me no dia de hoje e a primeira foi esta:

E porque sim...


E porque fez agora um ano que morreu e porque foi um filme cor-de-rosa que tanto me fez sonhar, e porque gostava tanto de saber dançar assim, e porque quem viu o filme sabe que esta passagem tem uma mensagem bem marcada, e porque sim...

http://www.youtube.com/watch?v=WpmILPAcRQo

(A incorporação foi desativada mediante solicitação)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Por via da Educação


Recomeçaram os pequenos-almoços em família.

Tenho a dizer que não e nada fácil acordar 3 galfarros às 7 da manha.

Torna-se numa missão impossível tornar estes começos de manha, ZEN. Por mais esforço que faça, sai sempre pelo menos umas palavras mais fortes e mais altas que o normal.

Cada um quer ter um espaço, cada um quer ter o seu tratamento e a sua atenção.

Nos dias em que estou com discernimento suficiente até apanho estes “pedidos”, e percebo e até faço os meus sorrisos interiores de orgulho. Mas há dias em que se torna impraticável tanto génio e é imperativo que se parem os egos e os quereres.

A entreajuda é uma coisa que ainda não existe por estas bandas, a simpatia também ainda não abunda, a solidariedade, a partilha, a cumplicidade são coisas que nestas idades não se conhecem ou conhecem-se pouco mas não se pratica.

Por um lado tem graça, todo este espernear para se tornarem pessoas diferentes, por outro lado mete um medo desgraçado. E se tudo isto não retrocede, e se eles são mesmo assim, e se e se… e se…

Enfim, coisas próprias destas idades e com as quais eu tenho de aprender a viver e tenho de começar a aceitar.

O facto é que já sentia falta deste reboliço. E se há coisa que eu gosto, logo de manha, é agitação, conversa e cantorias. É de boa disposição. Gosto de ver vontade em cada par de olhos e gosto de me sentir em parte responsável por isso.

Não aguento mas disposições, caras trancadas, respostas tortas… mesmo sabendo que na maioria das vezes eu sou a responsável... por via da educação, é claro...

Mas o que tem de ser tem muita força!