quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Historias que me fizeram sonhar
E porque gosto da Sophia de Mello Breyner Andersen e porque gosto do seu bom gosto, da sua sensibilidade, da sua escrita, da sua forma de ver as coisas e do que me faz lembrar.
E porque no tudo que ela me faz lembrar se encontram as minhas mais profundas recordações.
E porque nas minhas mais profundas e belas recordações cabem o azul, os verdes, o sol, o mar, um rio de água fria e límpida cheio de brilhos reflectidos dos raios de sol a trespassarem as ramagens densas mas não impenetráveis das copas das arvores, o sussurro da água serena a passar e a alimentar-se suavemente das margens cheias de trevos e ervas esguias, cabem pic-nics, amoras silvestres, bocas roxas e alegres, gargalhadas e historias contadas, poemas lidos e declamados, teatros representados, contos fantásticos, fadas e sonhos, conversas lindas com pessoas que me amaram de verdade e me protegeram e me mimaram e me observavam, e me admiravam e que eu amei também de verdade e que hoje me fazem falta.
Ausência
“Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.”
(Sophia de Mello Breyner Andersen)
Se tanto me dói que as coisas passem
"Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem"
(Sophia de Mello Breyner Andersen)
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Quantos Quantos...
Quanto se completam os quantos desta vida em mim.
Quantas histórias, quantas conversas, quantas palavras soltas, quantos sorrisos, gargalhadas até. Quantos momentos bons, quantos Sóis e quantas Luas, até mesmo quantas estrelas.
Quantos silêncios, quantas ausências, quantos abraços, quantos olhares disfarçados.
Quantas cumplicidades, quantas lágrimas, quantos lugares comuns.
Quantas viagens, quantas musicas cantadas, quantos sons murmurados.
Quantas confissões, quantos desabafos, quantas ilusões.
Quantas noites perdidas, quantas manhas brilhantes , quantos dias chuvosos e frios.
Quantos passos leves e quantas estrelas-do-mar, quantas marés, quantos céus.
Até quantos poços, quantos peixes prateados e búzios vindos do mar.
Quantos anos somam, os dias e os minutos de todos estes quantos…
Quantas mudanças, quantas formas de pensar, quantos sentires, quantos sonhos.
Estou diferente. Diferente de verdade.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
3 Anos de blog.
Olha só para a data que deixei passar. Como é que é possível?
26 de Agosto...
Com tanta coisa a acontecer à minha volta nem nunca mais me lembrei que foi o dia, há 3 anos atrás, em que tive coragem para abrir a minha escrita, os meus pensamentos para o mundo.
Às vezes pergunto-me: Será que é importante? Quanto importante é? Que raio de feito é este? Quem pode querer saber?
Por outro lado penso: Não é impingido, quem quer lê, quem não quer não lê. É uma afirmação muito pouco simpática eu sei, mas é a forma de eu conseguir pensar que não estou a chatear ninguém.
Importante para o mundo sei que não é. Mas é e foi muito importante para mim e certamente um bocadinho de nada importante para quem de alguma forma se identificou ou encontrou alguma palavra de conforto na minha escrita.
Por último, não é nenhum feito para uma pessoa qualquer. Só é um feito para pessoas como eu, que toda a vida escreveram para si próprias e que nunca por nunca acharam que conseguiriam escrever mais de três palavras seguidas com algum sentido para fora destas “paredes”.
Gostei desta parte de mim. Gostei de quem me tivesse feito sentir gostar desta parte mim, gostei de gostar de escrever, gostei de perceber que se pode brincar com as palavras. Gostei essencialmente de me ter dado a oportunidade de brincar com as palavras, com mais ou menos medo, com mais ou menos segurança, com mais ou menos cabeça, com mais ou menos alma.
Gostei de perceber que dias não são dias e que a escrita tem os seus dias, as suas horas, os seus momentos.
Gostei de compreender que há pessoas que aqui vêm e que de vez em quando voltam, que às vezes até comentam e que ao fim de um certo tempo arranjam a sua própria história para contar ou que de alguma forma encontram o seu caminho e se afastam.
Estas pessoas que aqui vieram e que voltaram, que vêm e que aqui voltam e/ou que de alguma forma comunicam, seja de que maneira for, fazem-me sentir “importante”.
Importante, não pelo que escrevo, nem pela forma como o faço, não pela qualidade que sei que não tenho, mas pelo interesse que mostram, pelo que percebem e pela atenção que me dão.
Mereço eu tanto?
OBRIGADA a todos
Give a Little Bit
"Give a Little Bit
Give a little bit of your love to me
Give a little bit
I'll give a little bit of my love to you
There's so much that we need to share
Send a smile and show you care
Gave a little bit
I gave a little bit of my love to you
So give a little bit
Give a little bit of your time to me
See man man with the lonely eyes
Take his hand, you'll be surprised
Give a little bit
Give a little bit of your love to me
I'll give a little bit
Give a little bit of my life for you
Now's the time that we need to share
So find yourself, we're on our way back home
Going home
Don't you need, don't you need to feel at home?
Oh yeah, we gotta sing"
(Supertramp)
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Falar Sozinha
Dei por mim a falar sozinha outra vez.
Dantes achava estranho ver as pessoas a falarem sozinhas. Achava mesmo que só os malucos é que o faziam. Até que um dia dei por mim a fazê-lo e pensei:
- Ai! Estou a ficar doida?
Disfarcei durante uns tempos, tentei não dar muita importância ao facto, mas a coisa foi piorando. Vi jeito de pedir para me internarem.
Até que um dia aceitei e percebi que não é maluqueira passível de internamento mas sim coisa própria da idade.
Hoje, já não há dia que não o faça, mas já compreendi que o faço quando quero entender o que se passa ou quando preciso de aliviar a pressão instalada.
Dantes não dava tanta importância às coisas, havia um todo de coisas novas pela frente. Elas corriam como tinham de correr. Não questionava. Às vezes lá tentava mudar o mundo… mas ele nunca me ligou nenhuma. Assim, eu continuava o meu percurso tipo furacão.
Hoje, questiono e tento perceber, fico indignada, mas não tento mudar o mundo. Descarrego sobre ele em voz alta, à laia de oração na esperança que alguém lá em cima me oiça e me acuda.
Dantes confiava no mundo.
Hoje nem na minha sombra pareço confiar.
Dantes achava que tinha amigos e era com eles que comentava, procurava ajuda, compreensão, companhia, entendimento, conselhos, um ombro.
Hoje percebi que amigos… Amigos há poucos! O melhor amigo de mim, sou eu mesma. Eu tenho paciência para mim, eu consigo ouvir-me, eu desabafo comigo mesmo, eu tenho o meu ritmo, eu compreendo-me, eu entendo os meus problemas, eu e só eu é que os posso resolver. Ter ombro ou não ter ombro não é importante. Se tiver tenho, tanto melhor. Se não tiver… Amigos como dantes.
Enfim, à medida que se vai vivendo, e se vai conhecendo o mundo à nossa volta e as pessoas que nele habitam, vai-se entendendo que o facto de precisarmos uns dos outros para construir qualquer coisa não invalida o facto de reconhecer que só nós nos valemos a nós próprios, só nós nos podemos ajudar, só nós podemos andar para a frente.
Assim sempre que me virem a falar sozinha, já sabem, não estou propriamente maluquinha, só um bocadinho descompensada com a vida.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Aceitar
"Concedei-nos Senhor, Serenidade necessária, para aceitar as coisas que não podemos modificar, Coragem para modificar aquelas que podemos e Sabedoria para distinguirmos umas das outras."
Reihold Niebuhr
Aceitar
Palavrinha pequena, assim de repente um bocado antipática. Talvez pelo que significa, talvez pelo que transmite, talvez ainda por tudo o que implica...
No dicionário definem Aceitar como sinónimo de concordar ou admitir. Ainda assim eu iria um bocadinho mais longe, porque aceitar é um bocadinho mais que só concordar ou admitir ou receber ou reconhecer.
Aceitar implica uma estrutura de ferro.
Aceitar, implica não vacilar, reconhecer limites, imperfeições, defeitos, como também implica reconhecer qualidades.
Aceitar implica coragem. Coragem para se ser feliz, para gostar de nós próprios valorizando cada bocadinho. Coragem para pegar no pouco que se tem e avançar sem medo. Coragem para encarar de frente cada pequena coisa que nos faz diferente. Afinal, são estas pequenas/grandes coisas que nos tornam únicos no mundo e que nos dão a oportunidade de construir, contribuindo para o desenvolvimento da humanidade.
Aceitar é ser humilde, é não ter vergonha, é reconhecer a nossa verdade, é deitar fora sentimentos de inveja, de pequenez e de orgulho, é ganhar autenticidade, espontaneidade, naturalidade, identidade.
Aceitar não é mais do que reconhecer as nossas limitações e admitir que precisamos uns dos outros.
Aceitar é aprender a amar, é dar o que se tem, é receber o que nos faz falta.
Aceitar é conseguir perceber que perder é ganhar.
Aceitando crescemos.
Por tudo isto e ainda pelo que me faltou falar:
ACEITAR, não é só uma palavrinha… É um palavrão cheio de significado.
Tudo por causa de um Macaco
Nada melhor do que nos sentirmos loiras burras logo de manha...
Olhei para o meu carro enquanto descia as escadas e o olhar fixou-se na roda de trás.
Xiça… Pneu furado!
Primeira reacção… Ficar a olhar incessantemente.
Segunda reacção: coçar a cabeça…
Terceira, desatar a rir e dizer para mim própria: -Toca a reagir já te armaste em loira burra, tempo suficiente. Tens bom corpo, força e cabeça qb…
Sentimento de exploradora, foi o que senti nos minutos seguintes de mangas arregaçadas à descoberta do desconhecido.
Abri o carro e fui ver se o pneu sobresselente estava bom (até me senti inteligente). Pareceu-me bem. Depois explorei compartimentos escondidos, botões disfarçados, sai colete reflector, sai caixa de primeiros socorros, sai triangulo, sai garrafa de água, porcas, ferramentas, …
De seguida comecei a fazer filmes. Porcas enferrujadas, jantes especiais, qual o sítio para por o macaco? Macaco! Macaco…
Onde está o macaco? Abri novamente todos os compartimentos do porta bagagens, espalhei tudo o que havia para espalhar e dei-me conta que por muito que quisesse fazer boa figura e mostrar que era capaz de mudar um pneu sozinha, não o iria conseguir.
Batalha perdida.
Começou a segunda batalha. Telefonar para a assistência em viagem e explicar os factos da vida.
Wrong… não se pode explicar nada. Eles aproveitam-se de tudo o que dizemos para nos darem as desculpas mais esfarrapadas que conseguem.
A assistência em viagem não muda pneus, mesmo que o assistido não tenha macaco, e não transporta carros em reboque para as garagens se eles tiverem o motor bom. Resultado…
Segunda batalha perdida.
Esta alma tão fraca não aguentou tanta batalha perdida e considerou a guerra perdida. Desci à terra e aceitei a minha condição de loira burra.
"Não nasci para mudar pneus sem macaco"
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